Cuidados de Longo Prazo na Comunidade para os Idosos em Israel: a proposta “Melabev”

Pessoas idosas que apresentam transtornos demenciais esbarram frequentemente em barreiras relacionadas à falta de oportunidades. Ambientes pobres em estímulo dificultam a expressão e o desenvolvimento das capacidades e habilidades residuais, propiciando dessa forma, a instalação progressiva de incapacidades acessórias. Ampliar  as oportunidades para o convívio social e o desenvolvimento pessoal, é uma das propostas centrais da organização Israelense “Melabev”.

Ampliar  as oportunidades para o convívio social e o desenvolvimento pessoal, é uma das propostas centrais da organização Israelense “Melabev”.

Para abordar a questão sobre cuidados prolongados na comunidade às pessoas idosas em situação de maior dependência, tomamos como exemplo o trabalho de uma organização privada sem fins lucrativos, que há mais de três décadas desenvolve projetos  direcionados  a idosos que apresentam doença de Alzheimer ou transtornos correlatos.

A fragmentação do cuidado prolongado às pessoas idosas em situação de maior fragilidade ou vulnerabilidade, a sua subdivisão técnica e políica em “cuidado clínico x cuidado social”, a desobrigação dos Estados neoliberais para com as políticas de bem estar social com transferência progressiva de responsabilidades para os indivíduos e as famílias, tem feito desta temática um campo fértil para a realização de debates calorosos.

 

Certamente cada realidade social deve construir os seus próprios caminhos e não existem modelos universais a ser seguidos. Entretanto, iniciativas criativas,  fundamentadas, e que conseguem resultados efetivos  tanto sob a perspectiva profissional quanto pela ótica do usuário, merecem  uma ampla divulgação  que possa estimular o intercâmbio de experiências e conhecimentos.

 

Foi sob esta perspectiva que iniciamos a apresentação deste tema trazendo a visão do  que é possível, do que já foi experimentado,  das tecnologias que se fundamentam em pessoas , e do quanto pode ser bom “encontrar um pouco de água refrescante no deserto”.

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1- O modelo “Melabev”

Melabev é uma organização sem fins lucrativos fundada em Israel no início da década de 1980, à mesma época em que este mesmo grupo criou o Instituto Geriátrico, chamado atualmente “Melabev Institute of Aging”. Ainda naquela década foram inaugurados quatro centros-dia direcionados ao cuidado de pessoas com demência. (11)

Desde então a  organização vem se dedicando ao desenvolvimento de diversos projetos direcionados à oferta de serviços de suporte para pessoas idosas que apresentam transtornos da memória ou demência e seus familiares, tendo inaugurado na década seguinte o primeiro “Clube de Memória” e posteriormente os serviços de estimulação prestados em domicílio. Sua maior atuação se dá na região de Jerusalém.

 

Imagens podem dizer mais do que as palavras.

A sessão de “cinema” que propomos a seguir, sai dos propósitos da 7ª arte  para nos mostrar alguns cenários da vida real capturados do cotidiano. Neste vídeo institucional divulgado através do youtube, a equipe Melabev apresenta uma visão panorâmica do trabalho que vem desenvolvendo em seus centros-dia.

 

 

“Melabev – Leader in Alzheimer’s Care in Israel”

 

http://www.youtube.com/watch?v=6eqOihjAIzE&feature=related

 

“…MELABEV developed innovative, mentally stimulating activities that encourage the remaining skills of the memory impaired, enhancing their sense of well-being, which impacts on their behaviors. We ease the burden on their family caregivers…”

 

 

Atualmente o grupo Melabev já possui uma rede de serviços, tais como centros-dia, clubes de memória, serviços de suporte para cuidadores e  atividades de estimulação aos idosos no domicílio. Para isso conta com equipes multidisciplinares e o apoio sistematizado de voluntários. Um dos projetos mais interessantes é um programa de informática para estimulação cognitiva, mediado pelo software “Savion” desenvolvido pela terapeuta ocupacional Yehudit Lange.

Através do seu braço acadêmico, o “Melabev Institute of Aging”, oferece recursos educacionais, de treinamento e estágio para cuidadores e profissionais, tendo contribuído ao longo dos anos para a formação de vários geriatras e gerontólogos. Os cursos tem acreditação do Ministério da Saúde, da Educação e do Bem Estar Social, e contam com a colaboração de profissionais que vêm das mais diversas regiões do país.

O grupo defende a utilização de modalidades de intervenção não farmacológica para as pessoas com demência, estimulando também o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. (08)

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Veja também alguns outros vídeos sobre o trabalho da organização Melabev

 

A- Savion-Cognitive stimulation for people with Alzheimer’s

http://www.youtube.com/watch?v=hFT_6BjzeAQ

 

B- Alzheimer’s Care by Melabev

http://www.youtube.com/watch?v=oQfIlOjj_04

 

C- Yoga at Melabev Senior Center – including Alzheimer’s and Stroke Victims

http://www.youtube.com/watch?v=KhWO5pbtHPw

 

D- Melabev’s garden – Elderly with Alzheimer’s in Israel

http://www.youtube.com/watch?v=V2dLMq-VOcI

 

E- Melabev Bet Shemesh Informative video

http://www.youtube.com/watch?v=Ql6LLVCwGRY

 

F- Melabev Volunteers and Activities Beit Shemesh Israel – Elderly with Alzheimer’s

http://www.youtube.com/watch?v=l95uc6alRNU

 

G- Melabev Visits Farm in Israel – Including Elderly with Alzheimer’s

http://www.youtube.com/watch?v=DbTGO3DO9ZU

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A instituição é considerada pioneira em Israel em relação à dedicação aos idosos com demência, já tendo recebido diversas premiações pelos trabalhos prestados à comunidade. Sua manutenção econômica se dá através do financiamento público originado de repasses da  seguridade social e de doações em espécie.


 

Anualmente é realizada uma “maratona-caminhada” que divulga o trabalho da organização e ajuda a arrecadar doações, além de outros eventos sociais que são promovidos com esta finalidade. Mais recentemente foi criado um fundo específico para a captação sistematizada de verbas.  (03)(05)(12)

Segundo a co-fundadora Leah Abramowitz, cerca de 40% das despesas referentes aos custos com recursos humanos, serviços de transporte, alimentação e atividade, dependem totalmente das doações arrecadadas, e diversos usuários não contam com rendimentos pessoais suficientes para arcar com o pagamento dos serviços utilizados. A situação se torna mais complexa perante a crise econômica deflagrada mais recentemente em diversos países.

O custo de uma diária nos centros Melabev alcança um valor equivalente a 40 dólares, atingindo os 800 dólares quando se trata da cobertura mensal. Segundo a instituição, este custo ultrapassa o valor reembolsado pelo seguro social estatal, uma vez que os centrosMelabev oferecem serviços técnicos e profissionais de qualidade bem superior àquela exigida pela normatização e legislação em vigor atualmente no país. (05)

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O método Melabev proporciona uma oferta diversificada de atividades que incluem música, atividade física, jardinagem, horticultura, yoga, dança,  jogos de memória, grupos de discussão, artesanato, terapia assistida por animais, atividades artísticas, oficina culinária, terapia mediada por computadores, terapia sensorial Snoezelen, terapias expressivas e corporais, etc. Também existem atividades festivas, passeios, visitas a escolas, e projetos especiais com objetivos mais específicos. Os grupos são organizados em função das habilidades cognitivas e de linguagem dos participantes.

Um dos objetivos do método Melabev

é o de possibilitar que as pessoas atendidas consigam perceber

que ainda tem capacidade de contribuir na sua comunidade. (04)

A média etária da população assistida nos centros-dia Melabev é de 80 anos, sendo que um terço se refere a pessoas idosas sobreviventes do Holocausto. A organização também atende cerca de 100 idosos em domicílio, e oferece grupos de suporte para os cuidadores familiares desenvolvidos por profissionais de serviço social que tem fluência em vários idiomas. Existem programas de treinamento para cuidadores profissionais, com adaptações específicas para os trabalhadores que imigraram mais recentemente para o país.

Os centros-dia da organização atendem idosos originados de várias regiões do mundo, proporcionando  um ambiente seguro e estimulador onde são prestados cuidados básicos e atividades de caráter prioritariamente social e recreativo.

As atividades dos clubes de memória são realizadas em 4 idiomas, inglês, hebraico, árabe e russo, visando a utilização da língua materna como mediadora para o resgate das lembranças. Para  participar desses clubes  o idoso é avaliado por uma equipe multidisciplinar que inclui geriatra, neurologista, psiquiatra, enfermeira, terapeuta ocupacional e assistente social, com elaboração de um relatório detalhado que é entregue ao cliente. Todas as avaliações são realizadas  em um mesmo local.

Tanto os profissionais quanto os voluntários são estimulados a explorar os seus diversos talentos e a também usufruir do prazer propiciado pelas atividades que compartilham com os idosos.

A participação de voluntários é bem organizada e dispõe de uma coordenação específica, sendo realizado um treinamento progressivo dos participantes. Os voluntários são pessoas de várias idades e com experiências diversificadas de vida . Esse voluntariado se envolve com tarefas que  podem se referir a transporte, arrecadação de fundos, serviços telefônicos, visitas, atividades com os idosos etc.  (07)

O programa Melabev de atendimento domiciliar, também só é colocado em prática após a realização de uma avaliação efetivada por equipe multidisciplinar, com a identificação das necessidades de cada cliente e o estabelecimento de um programa personalizado de atividades.

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De acordo com alguns dados disponibilizados no site institucional do Melabev

atualmente 45% dos idosos em Israel vivem sozinhos e isolados.

Este fenômeno é ainda mais expressivo  em Jerusalém.

 

Este fato levou a equipe Melabev à criação de um serviço telefônico, através do qual, membros voluntários fazem contatos regulares com essas pessoas mantendo conversas informais.

É o “Moked 109”.

Segundo se observa através de relatos dos usuários, este serviço acaba gerando o senso de uma relação de familiaridade. Para alguns destes idosos, esta parece ser uma das poucas oportunidades disponíveis para se conversar ou se relacionar de forma mais próxima com alguém.

O voluntariado organizado tem uma tradição culturalmente bem estabelecida em Israel, se envolvendo com o compromisso de oferecer algumas respostas à diversas demandas sociais.   Existem no país mais de 24.000 organizações voluntárias relacionadas ao Terceiro Setor, e algumas delas se dedicam mais especificamente a questões referentes à população idosa. A organização Melabev é uma das mais reconhecidas nesta área no país. Em diversas regiões do mundo as organizações voluntárias contam com a participação expressiva  de pessoas aposentadas ou em idade mais elevada. Na visão de alguns autores esta seria uma oportunidade para se poder  vivenciar um “Lazer Sério” nesta etapa da vida.  (04) (36) (50)

 

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2- Algumas reflexões a partir do projeto Melabev

A presença de transtornos demenciais, não é necessariamente  a  principal causa a gerar circunstâncias de incapacidade ou dependência em pessoas idosas.  Várias são as condições de caráter crônico , sejam elas de natureza clínica, mental, social ou econômica, que de forma isolada ou associada, são capazes de propiciar limitações de maior  relevância nesta faixa etária.

A velhice é sabidamente uma fase natural da vida. A doença de Alzheimer é apenas uma, dentre as  várias condições crônicas de etiologia multifacetada, com as quais teremos de conviver na medida em que ficarmos expostos ao meio ambiente interno e externo por um período mais longo de tempo. O perfil que está surgindo na medida em que as populações envelhecem, é dado pela condição da uma multimorbidade complexa.

Sabe-se atualmente que a soma de todas as mortes atribuídas a cada condição crônica isoladamente, supera o quantitativo total de mortes humanas que ocorrem de fato no planeta. Esta “aberração matemática” acontece porque cada uma dessas entidades crônicas é avaliada isoladamente, através do recorte particular feito por cada especialidade biomédica, demonstrando assim, que   a nossa compreensão dos processos crônicos necessita olhares menos reducionistas e mais integrados. (47 )

O pensamento biomédico mais reducionista também  tem criado algumas ideias que merecem reflexões um pouco mais atentas. Observa-se que algumas instituições de renome internacional utilizam em suas campanhas de divulgação termos tais como: “por um mundo sem Alzheimer”, ou mesmo, “ temos por objetivo erradicar a doença de Alzheimer do mundo”. O que isso pode significar perante uma condição nosológica para a qual não existe qualquer perspectiva de curto prazo  quanto à descoberta de um método de cura? Como isso pode ser transposto para as demais condições crônicas complexas que acometem inúmeros indivíduos  ao longo de sua existência? Estariam estas ideias sugerindo que existe um desejo social inconsciente de se “erradicar”, mesmo que simbolicamente, e, mais uma vez em nossa história , os que não se enquadram, os não iguais, os não competitivos, os não produtivos?

Dentre as várias mudanças ocorridas na humanidade no pós guerra do século XX, algumas vem tendo impactos significativos nos modos de viver, estando dentre elas  a tendência à vida urbana, o estímulo à individualização e à competitividade, a velocidade do cotidiano, a cultura homogeneizada de massas, a necessidade incomensurável de produção e consumo de bens tangíveis, a valorização de quem “produz”, etc. A partir deste contexto,  é fácil que surja no inconsciente coletivo  uma ideia referente à espécie humana, através da qual, se entenda por natural,  que o mundo seja composto pelo grupo dos “incluídos” nesta lógica dos modos de viver, e pelo grupo dos “excluídos”, cujo viver é intermediado por uma lógica diferente.

Portanto, ao invés de se naturalizar a diversidade, criou-se uma tendência para a naturalização da homogeneidade.

Entretanto, a filosofia que emana do campo da reabilitação tem sido um pouco diferente. Surgindo também como um subproduto das grandes guerras mundiais ocorridas no século XX, a reabilitação trouxe consigo a ideia da adaptabilidade. Mais que isso, perante as sequelas irreversíveis causadas pelas condições de guerra, passou a valorizar bem mais os potenciais existentes em cada indivíduo, do que o seu grau de deficiência ou incapacidade. Ainda mais recentemente também surgiu o conceito de “justiça ocupacional” que se refere aos direitos que cada ser humano tem, de se envolver com ocupações que sejam significativas e que agreguem propósitos à sua vida. (55)

As propostas  referentes ao “cuidado prolongado” envolvem discussões bem amplas no campo do conhecimento técnico, assim como, em campos referentes à ação política e à ética  nas relações sociais.  Em algum momento de sua vida todo e qualquer ser humano precisará ser cuidado, sendo que em algumas circunstâncias este cuidado será de temporalidade mais extensa, necessitando uma  absorção responsável por parte da sociedade. (42) (48)

Ao mesmo tempo, a noção de unidirecionalidade do cuidado  vem  sendo ampliada e substituída pela noção de multidirecionalidade e interrelação: quem cuida, estará sempre em relação de intercâmbio com quem é cuidado. Dessa forma, ambos se retroalimentam.

Objetivando o tema através de exemplos mais sistêmicos, podemos dizer que a sociedade que cuida  dos seus membros idosos em situação de dependência, gera como consequência direta, no mínimo, novos conhecimentos e novas riquezas: saberes, técnicas, tecnologias, produtos, empregos,  renda, qualificação de recursos humanos, votos, giro de capital, etc. E mais que tudo isso, pode gerar o bem estar mútuo.

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Foi possivelmente trilhando por caminhos ideológicos como estes que a equipe Melabevconstruiu a sua história. Ao defender o investimento social, a reabilitação psicossocial, o estímulo de potenciais e a valorização da humanidade dos sujeitos, este grupo nos passa uma visão de comunidade, na qual cada elemento tem a sua parcela de contribuição para a valorização e o crescimento do conjunto.

 

O envolvimento de pessoas idosas com demência em atividades multimodais de estimulação, e de caráter socializante, tem se mostrado bastante efetivo no campo das intervenções não medicamentosas. (52) (53) (54)

A assistência institucionalizada através de equipamentos tais como os centros-dia, também agrega uma série de componentes vantajosos dentro da  infraestrutura  necessária a um sistema de cuidados de longo prazo.

Essas abordagens podem ser desenvolvidas de maneira particularizada em cada realidade sociocultural, aproveitando o potencial de conhecimentos e habilidades  emanados das características locais. (49)

 

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3- Israel: uma breve visão de contexto

 

O Estado de Israel foi  fundado em 1948 a partir de uma resolução da assembleia geral da Organização das Nações Unidas, também criada no pós guerra. O país conta atualmente com uma população de 7,5 milhões de habitantes,  ocupa o 41º lugar no ranking internacional do PIB e tem feito avanços muito significativos no Índice de Desenvolvimento Humano alcançando mais recentemente a 16ª posição mundial. Em 2010 Israel se tornou membro da OECD. (06)

 

Apesar do país ser considerado ainda jovem demograficamente por apresentar índices de fecundidade relativamente altos, o processo de envelhecimento populacional vem se dando de forma acelerada. A expectativa de vida é de 80 anos para os homens e de 83,6 anos para as mulheres, sendo considerada a quarta mais elevada do mundo. Segundo dados recentes 10,3% dos habitantes já têm uma idade igual ou superior a 65 anos, a faixa com 75 anos e mais já representa  6,7% da população e o percentual de idosos com idade superior a 80 anos é muito expressivo.

A população idosa do país apresenta algumas peculiaridades regionais, sendo constituída em sua maioria por imigrantes, de naturalidade, língua materna, etnia , identidade religiosa e cultural, diversas. Os níveis médios de educação formal são mais elevados nesse grupo e a média de renda dos indivíduos idosos é mais alta do que a da população em geral. Entretanto, 20% encontram-se em situação de pobreza e dependem de subsídios especiais tais como a transferência de renda. A maioria está vivendo em centros urbanos.

Observa-se uma condição de desigualdade socioeconômica entre os idosos que tem identidade cultural Judaica e aqueles com identidade cultural Árabe ou que vieram mais recentemente do Leste Europeu e da África. Esta desigualdade social tem reflexos nas condições de saúde, funcionalidade e dependência dos diversos subgrupos. Um dos grupos de maior vulnerabilidade se refere aos indivíduos que emigraram  em idade já adulta da União Soviética nos últimos anos, uma vez que a imigração recente agrega por si só, tanto as barreiras idiomáticas quanto as dificuldades para inserção no mercado de trabalho e no sistema previdenciário. (21) (32)

Estatísticas recentes evidenciaram que 24% dos idosos são dependentes para a realização das atividades básicas de vida diária, e que 19% referem sentir solidão. De um modo geral, a prevalência de condições crônicas de saúde, de depressão e de inatividade física na população idosa que vive em Israel é superior àquela observada em países europeus. Em contrapartida, mais de 10% se dedicam a ações de voluntariado, uma prática que é bastante difundida e organizada no país. (13) (21) (32) (36)

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Segundo Rafael Eldad, o atual embaixador de Israel no Brasil, o sistema de assistência à saúde no país é considerado um dos mais avançados do mundo. (23)

Desde a sua fundação em 1948,  o país implementou um sistema público de saúde socializado que foi reformulado através de uma nova legislação previdenciária a partir de 1995. O seguro público de saúde é de contribuição obrigatória, oferecendo uma cobertura ampla de serviços procedimentos e equipamentos, inclusive aqueles relacionados à tecnologia de ponta. O acesso é de caráter universalizado.

Motivado pelas previsões quanto  ao envelhecimento populacional  e pela deficiência percebida  à época  na relação entre a oferta e a demanda  por serviços, o parlamento Israelense começou a discutir em 1980 a necessidade de implementação de políticas  para a efetivação de cuidados de longo prazo.

Essa política foi finalmente implementada a partir de 1988 através de uma legislação específica de seguridade social  de contribuição obrigatória, que dá cobertura aos “cuidados não médicos”, incorporando progressivamente uma variedade de serviços.  O programa que recebe maior prioridade neste sistema de seguridade se refere à prestação de cuidados pessoais domiciliares. (16) (17) (35)

Embora se trate um direito universal para os idosos residentes no país, o acesso a este benefício tem critérios de elegibilidade que consideram de forma conjunta as variáveis sociais funcionais e econômicas relacionadas ao indivíduo.  A partir de uma avaliação profissional  que utiliza alguns instrumentos de classificação é feito um cálculo que finaliza com a especificação dos serviços, para os quais, o usuário do sistema terá cobertura de acesso.

Os serviços cobertos incluem um leque de opções  e visam tanto a prestação de suporte às pessoas idosas dependentes quanto a redução da sobrecarga dos familiares. Mais recentemente foi iniciado um projeto piloto que está testando  a alternativa de substituição da oferta de serviços pelo subsídio monetário equivalente, dando assim uma maior opção de escolha ao cidadão beneficiado.  (33)

Uma visão sócio-histórica bem detalhada referente às políticas sociais para as pessoas idosas em Israel é apresentada pelo texto de Haya GAMLIEL-YEHOSHUA e Pieter VANHUYSSE que listamos ao final da matéria. (20)

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Dentro da vasta rede de serviços para cuidados de longo prazo o país dispõe de mais de 170 centros-dia que prestam atendimento a 15.000 idosos, e cerca de 30.000 leitos de longa permanência. Segundo estatísticas divulgadas, entre 13 e 20% da população com idade igual ou superior a 65 anos considerada dependente, é assistida em Instituições de Longa Permanência. (13) (18) (19)

 

A população atendida em centros-dia se caracteriza por apresentar uma idade bem elevada, níveis de escolaridade inferiores à média para a faixa etária e um percentual significativo de indivíduos que moram sozinhos ou são solteiros. Cerca de 80% dos usuários são dependentes para as atividades de vida diária, sendo que na última década o percentual de indivíduos com incapacidades mais intensas vem se elevando.

Todos os serviços de centro-dia adotam um modelo de cuidado social e são certificados pelo Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais. Mais recentemente criou-se uma norma de obrigatoriedade para que estas unidades também disponibilizem recursos humanos especializados e espaços  adaptados para os idosos que apresentam transtornos cognitivos

A taxa de ocupação das vagas disponíveis nos centros-dia está ao redor de 70%,  indicando uma subutilização deste recurso.  Isso estaria relacionado dentre outras razões, ao desconhecimento da população geral sobre a existência destes serviços e ao baixo interesse dos idosos de menor dependência na utilização desse sistema. (13)(15)(24)

 

“Services offered by the centers include social and recreational activities (handicrafts, physical activity, music), personal care (such as bathing), provision of hot meals, transportation, counseling, health promotion and screening and linkage and follow-up to other agencies. In addition, many of the centers have also assumed responsibility for providing services to the elderly who do not attend the center on a regular basis, such as meals-on-wheels and dental clinics.

The premises are often used for the well elderly when the space is not being utilized by the disabled. Both these elements contribute to the cost-effectiveness of the centers. For elderly who require rehabilitative services following a medical incident such as a stroke or fall, there is also a network of day hospitals.” (24)

Apesar da disponibilidade de um amplo programa público de serviços de longo prazo para  os idosos dependentes em Israel, os cuidados prestados por familiares são bastante expressivos.

Cada vez mais, os familiares enfrentam a necessidade de ter que prestar cuidados mais complexos tais como o manuseio de sondas e curativos, que anteriormente só eram prestados por profissionais. Isso demanda além de inúmeras outras questões, a aprendizagem de diversos conhecimentos específicos.

Dados bem recentes evidenciaram que os cuidadores primários dispensam entre 21 e 23 hs semanais de trabalho com o cuidado a idosos em domicílio. Em alguns estudos implementados no país, foi demonstrado que esta prestação de cuidados primários realizados por familiares pode alcançar a utilização de 210 horas por mês. (18) (27) (32) (31)

A tradição cultural prevalente em Israel implica na existência de um compromisso dos filhos para com o cuidado dos pais idosos, sendo estimado atualmente que cerca de 70.000 famílias cuidam de um familiar que apresenta demência. A sobrecarga destes cuidadores informais é um fenômeno que se dá de forma semelhante ao que se observa em outras regiões do mundo. Esta sobrecarga tem correlações com a elevação do risco de ocorrência de situações de abuso ou negligência para com a pessoa idosa dependente. (28) (29)

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Nas últimas três décadas a orientação política e socioeconômica do país passou de uma tendência à Socialdemocracia para um modelo Neoliberal com estímulo à redução do Estado e à privatização de serviços básicos , que dessa forma, passaram a ser regidos por leis de mercado. Através deste processo de mudança política e econômica, as coberturas que inicialmente tinham um caráter universalizado passaram a ser de caráter mais particularizado, atendendo assim, aos grupos considerados mais elegíveis. (20)

No que se refere aos cuidados de longo prazo em domicílio, embora haja um financiamento parcial ou integral pela seguridade pública, a prestação de serviços é efetivada na maioria das vezes por instituições privadas, que acabam oferecendo também os serviços de cuidadores formais.  (30)

A partir da década de 1990 o país passou a estimular a entrada de imigrantes temporários para a ocupação de vagas de trabalho  na área de serviços domésticos, dentre outras. Segundo dados divulgados através da OECD, cerca de dois terços  dos cuidadores formais disponíveis atualmente em Israel se refere a trabalhadores emigrados de outros países, tratando-se em geral de mulheres em idade jovem.  Os países de origem  mais frequente destes cuidadores são as Filipinas, o Nepal, a Índia, o Sri Lanka e alguns países do Leste Europeu, regiões estas, que tem peculiaridades culturais e linguísticas distintas das de Israel.

Como se observa a nível mundial no segmento de cuidadores formais, ocorre uma tendência à alta rotatividade destes trabalhadores quanto ao local de trabalho, o que acaba por gerar dificuldades para a manutenção de um perfil de maior qualidade na prestação final destes serviços. (18) (22) (30)

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4- Segundo os Israelenses, há muito por se fazer ainda.

Tanto na área de saúde clínica quanto na área de cuidados prolongados o sistema Israelense de atenção aos idosos, embora seja de financiamento público,  tem utilizado um mix de prestadores de serviços que incluem algumas entidades públicas e, principalmente, diversas entidades privadas. No segmento de cuidados de longo prazo as instituições privadas com fins lucrativos prestam atualmente 70% dos serviços, enquanto as organizações privadas sem fins lucrativos respondem por 30% do setor. (33)

Passados mais de 30 anos da implementação desta  seguridade social , críticas vem surgindo de vários segmentos sociais  políticos e técnico-científicos, por se perceber que o sistema é pouco articulado, deixando a desejar no que se refere à eficiência, ao alcance social e à efetividade. Uma das questões que se coloca é o da existência de uma gestão pública separada para os serviços de saúde e para aqueles considerados sociais.

Nos links apresentados ao final deste post  indicamos algumas fontes de literatura que tratam deste assunto com detalhamento.

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Segundo um post divulgado no site institucional Melabev, a situação em Israel em relação às pessoas idosas que tem demência é crítica, uma vez que vivem no país cerca de 150.000 idosos com doença de Alzheimer, mas, segundo o autor,  o Ministério da Saúde não reconhece este diagnóstico como uma doença e não desenvolve qualquer plano específico para a sua abordagem. Neste documento são apresentados sete itens necessários para a implementação política de um plano assistencial adequado para este grupo particular. (02)

Em pronunciamento feito em 2012, o então Ministro da Saúde do Estado de Israel, Roni Gamzu,  fez um alerta ao país, ao dizer que  o investimento Israelense para a assistência às pessoas idosas é um dos menores do mundo ocidental.  Os serviços de cuidados de longo prazo, segundo o Ministro, seriam de baixa qualidade, atuando de forma incoordenada, e resultando em falência operacional do sistema. O investimento do setor privado estaria se tornando superior ao investimento do setor estatal, e a intensa burocratização do sistema estaria impedindo que diversos cidadãos recebam os serviços de que precisam, e aos quais, têm direito. O Ministro aponta as diversas reformas necessárias nas políticas assistenciais para as pessoas idosas, levando em consideração tanto as necessidades do presente quanto as expectativas de crescimento das demandas futuras. (09)

Ao fazer uma análise sobre a rede de serviços disponíveis na comunidade para as pessoas idosas em Israel, o professor de Serviço Social Yosef Katan também tece considerações críticas ao sistema, ao entender que, uma vez que estes serviços são prestados principalmente por entidades não governamentais, esta rede opera de forma totalmente desarticulada.  Neste texto o autor apresenta  de forma panorâmica as 24 modalidades de serviços existentes atualmente fazendo algumas considerações sobre cada uma, e aproveita para elogiar a diversidade e a criatividade observada no setor.

Comenta também que a provisão destes serviços envolve mais de 100 organizações  que incluem ONGs, associações voluntárias ou corporativas, prestadores privados e órgãos públicos  ligados a determinados ministérios. Para Katan entretanto, apesar da disponibilidade concreta de serviços considerados efetivos, a sua acessibilidade deixa a desejar em função de razões de ordem mais estrutural. Yosef Katan participa atualmente da gestão do Conselho  Nacional para o Voluntariado de Israel. (35) (36)

 

Também em 2012, o blog assinado na Internet por Shmarya Rosenberg, publicou um post denunciando e criticando o descaso com que o Estado de Israel  tem tratado a população que envelhece no país, mais especialmente no que se refere aos grupos minoritários. Para Rosenberg, a sociedade Israelense estaria vivendo um momento de “selva caótica” em que os princípios básicos para o desenvolvimento de uma vida digna teriam sido abandonados.  (10)

O Ministro da Saúde e o autor deste blog utilizaram como fonte de referência os dados  estatísticos apresentados naquele ano pelo relatório do Banco de Israel.

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5- Modelando um futuro

Nas considerações apresentadas  por Marsha Gold, especialista norteamericana  em análise de organização e financiamento de sistemas de saúde, apesar da seguridade social para cuidados prolongados de Israel ter se mantido relativamente estável ao longo de algumas décadas, e de ter se tornado bastante popular, o país enfrenta ultimamente o desafio de precisar se readequar perante as novas questões demográficas e socioeconômicas. Para esta autora, o modelo israelense  é pioneiro em alguns aspectos uma vez que sempre priorizou os cuidados na comunidade, visão esta,  que foi colocada na pauta de discussão  política de outros países apenas mais recentemente. Para Marsha, este tema é de interesse internacional , devendo ficar entendido que as questões filosóficas precisam ser materializadas através de programas políticos, projetos bem desenhados e estruturas adequadas de financiamento.   (17) (16)

Ao defender o plano político adotado por Taiwan para a implementação de um sistema de cuidados prolongados na comunidade, Hong-Ting Chan alerta que as discussões sobre custo-efetividade destes programas  devem considerar que dois aspectos não podem ficar comprometidos: a qualidade do cuidado e a qualidade de vida do usuário. Quanto ao aspecto filosófico que fundamenta o investimento nestes programas, o autor ressalta que a questão central se refere ao compromisso com o gerenciamento do sistema,  não bastando portanto, simplesmente  garantir o seu financiamento. (38)

 

“International Workshop on Community Services for the Elderly”

Para discutir algumas dessas questões de forma mais ampla, está sendo planejada a realização de um Workshop Internacional em Israel sobre “Serviços Comunitários para as Pessoas Idosas”. O encontro foi inicialmente previsto para 2013 sendo adiado posteriormente para 2014.

Este evento conta com a promoção da “Israel Agency for International Cooperation Development” em parceria com a “UNECE” , tendo uma proposta teórico prática que visa o intercâmbio internacional de experiências.  Um dos objetivos para os participantes no workshop é o de ampliar a sua capacidade de compreensão sobre a complexidade que envolve o desenvolvimento de programas neste segmento, que se mostrem viáveis e custo efetivos. (25) (26)

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Trechos de textos que nos apontam alguns caminhos:

 

“… Demographic and epidemiological transitions will result in dramatic changes in the health needs of the world’s populations.

Everywhere, there is a steep increase in the need for long-term care (LTC). These trends reflect two interrelated processes. One is the growth in factors that increase the prevalence of long-term disability in the population. The second is the change in the capacity of the informal support system to address these needs. Both of these processes enhance the need for public policies to address the consequences of these changes…” (46)

 

 

“… La desestructuración de lo macro conlleva una estructuración de lo micro…”. (45)

 

 

“…Regardless  of whether LTC is funded publicly or privately, ageing societies face the problem of creating the future wealth to fund LTC and having a labour force to provide it.

A shrinking labour force jeopardises the sustainability of public finances and many older people may not be able to pay for their LTC privately. In less developed countries with little or no formal LTC facilities, there will almost certainly be growing pressures to create such facilities, especially if family structures and values converge more closely with those of the developed world. ..” (44)

 

 

“… There is a fundamental ethical obligation to provide care for all, particularly the weak and vulnerable, yet most societies are faced with resource limitations and difficult decisions about which of the competing needs are met.

Governments have a crucial role as they must anticipate needs, ensure that resources are available and distribute them equitably and efficiently. Yet, strategies for providing long-term care have been low on government agendas everywhere and are completely absent in some countries. Little has been done to address the current challenges, much less to prepare for the future…” (48)

 

 

“There were essentially two types of models of integrated care delivery for the frail elderly. One was a smaller, community-based model that relied on cooperation across care providers, focused on home and community care, and played an active role in health and social care coordination. The second type of model was a large-scale model that could be applied at a national/provincial/state, or large regional health authority, level, had a single administrative authority and a single budget, and included both home/community and residential services.

Integrated care delivery can be achieved in various ways. Irrespective of which model is adopted, some of the key factors to be considered are how care can be coordinated effectively across different types of services, and how all the care provider organizations can be coordinated to ensure continuity of care for frail elderly persons. “ (51)

 

 

“… Creating a society for all is a moral obligation—one that must reflect the commitments to upholding fundamental human rights and principles of equality and equity.

There are also strong instrumental reasons for promoting social integration and inclusion. Deep disparities, based on unequal distribution of wealth and/or differences in people’s backgrounds, reduce social mobility and ultimately exert a negative impact on growth, productivity and well-being of society as a whole. Promoting social integration and inclusion will create a society that is safer, more stable and more just, which is an essential condition for sustainable economic growth and development…” (43)

* * *

 

6- Curto está o tempo…  Longos são os prazos…

 

Sempre que se fala em cuidados de longo prazo, o discurso econômico parece preponderar sobre o discurso focado na cidadania, na dignidade da vida e nos direitos universais. O chamado “desenvolvimento” tão pregado aos quatro ventos da sociedade ocidental, por enquanto tem nos mostrado que conseguimos ampliar a extensão da vida em presença de incapacidades, estamos a caminho de acabar com a viabilidade do planeta e mantemos desigualdades sociais que nos são apresentadas como intransponíveis.

Mesmo em países cujo desenvolvimento econômico encontra-se em estágio avançado, e apesar de diversas pesquisas apontarem caminhos efetivos e capazes de melhorar as condições de vida e a qualidade de vida de pessoas idosas que apresentam incapacidades de maior relevância, existe um abismo entre o conhecimento já produzido, e o que é oferecido de fato à população.

É certo que esta é a primeira era em que o planeta abriga um quantitativo tão extenso de população humana e um percentual tão expressivo de pessoas mais idosas. São mais de sete bilhões vivendo sobre a Terra, e quem conseguir sobreviver até a velhice  nas próximas gerações,  fará parte de um segmento que estará representando algo próximo a  1/5 da população.

Mas também é preciso lembrar que na história conhecida da humanidade, jamais se produziu tamanha riqueza constituída por bens tangíveis econômicos e materiais, o “capital” tão disputado, e nunca se teve tanta oportunidade de acesso a alguns  bens intangíveis  tais como um conhecimento capaz de gerar mudanças, o “capital” tão precioso.


Segundo mais um relatório do FMI publicado em Abril de 2013, as previsões econômicas para o mundo são como de hábito, cheias de situações de risco e de incertezas!… É de se esperar portanto que neste mundo globalizado, muito pouco seja direcionado a projetos mais amplos de bem estar social. (34)

A linguagem econômica utiliza muito o conceito de eficiência para justificar a otimização de uso dos recursos disponíveis. Ao se constatar que a equipe Melabev , atuando em um país que tem o 16º   IDH do planeta, precisa fazer campanhas para angariar fundos que viabilizem a manutenção dos seus projetos, uma pergunta não consegue calar: o que seria considerado de fato “eficiente” para  se proporcionar dignidade e qualidade à vida humana?

Para quem olha alguns cálculos complexos do “economês” e não consegue acompanhar

o raciocínio, sugere-se uma  equação aritmética bem mais elementar:

PIB mundial em 2011: 69,98 trilhões de dólares.

População mundial: 7 bilhões de habitantes.

69.980.000.000.000,00 dólares / 7.000.000.000 habitantes = 9.997,00 dólares por habitante.

Como seria se cada indivíduo pudesse usufruir da parte que lhe cabe?

* * *

7- Envelhecer Bem ou … Envelhecer Barato?

Poucos são os países que tem discutido as políticas públicas para os cuidados de longo prazo enquanto uma questão de direitos fundamentais das pessoas, estejam elas em qualquer  faixa cronológica de idade.

Após a última Assembleia Mundial  das Nações Unidas para o Envelhecimento realizada em 2002, vem se observando um direcionamento tendencioso para a priorização da implementação universal das políticas de promoção do envelhecimento ativo, a partir de um modelo ideológico e idealizado de velhice, quase padronizado, e  fundamentado basicamente nas iniciativas pessoais.

Da mesma forma, as questões referentes às demandas por cuidados de longo prazo,  vem sendo abordadas sob os apelos de uma moral medieval  e de conotação familiarista, que tende a reduz as responsabilidades sociais coletivas e as que competiriam ao Estado, transferindo-as para o âmbito da vida privada e das relações interpessoais.

Este discurso midiático, obnubilador das diversas realidades  e envolto em certo grau de cinismo, tem sido dirigido subliminarmente aos países menos capitalizados, aos segmentos  menos organizados das populações, e aos olhares mais ingênuos das pessoas de boa vontade.

 

E…, eis que “cola”!

 

Aproveitamos a oportunidade para parabenizar a equipe “Melabev” por seu trabalho, assim como, as iniciativas Israelenses que tem colocado estas questões

na pauta política do país há mais de três décadas.

Sabemos que estes não são os únicos exemplos, nem as únicas iniciativas a se considerar.  Muita coisa interessante  tem sido feita neste campo ao redor do mundo,

mas certamente há muito ainda por se fazer.

* * *

 

Bem, já descobrimos que a Terra é mesmo redonda e já falamos um pouco de Israel.

Mas e nós, que estamos à direita do meridiano de Greenwich,

e abaixo da linha do Equador,

como ficamos?

 

 

A ver navios Seu Cabral… A ver navios…!

 

* * *



Links externos relacionados

01- Melabev – Leader in Alzheimer’s Care in Israel

02- Will the new Knesset improve the situation for people with Alzheimer’s disease? Melabev needs your help to make sure it does.

03-Melabev seeks hikers to raise cash for Alzheimer

04- PROGRESSIVE ACTIVISM & VOLUNTEERING IN ISRAEL. ORGANIZATIONS FOR THE ELDERLY.

05- Prof. Rosin – Leah Abramowitz Fund for Alzheimer’s Care

06- Israel. Perfil de País: Indicadores de Desarrollo Humano

07- The Power of Love and Memory: Volunteering at Melabev

08- Melabev Institute of Aging

09-Health Ministry: Israel faces horrendous crisis caring for elderly

10- Israel Fails To Adequately Care For Its Elderly

11- Melabev

12- Melabev Walkathon for Alzheimer’s

13- Israel’s Elderly. Facts and Figures. 2011

14-  Countries and Their Cultures -  Israel

15- Daycare Centers for the Elderly – Patterns of Utilization, Contributions and Programmatic Directions

16- The Long-Term Care Insurance Program in Israel: solidarity with the elderly in a changing society

17- How to provide and pay for long term care of an aging population is an international concern

18- Long term care in Israel – OECD Israel

19- Home and Community Based Services versus Institutional Care

20- The Pro-Elderly Bias of Social Policies in Israel: A Historical-Institutional Account

21- Understanding aging in a Middle Eastern context: the SHARE-Israel survey of persons aged 50 and older.

22- Israel facing rapidly aging population, says OECD

It’s also first in private insurance for custodial care, but Israel must make plan for future needs.

23- Um milagre chamado Israel

24- Innovative programs for the elderly in Israel that can benefit Americans

25- International Workshop on  Community Services for the Elderly

26- Workshop – Community Services for the Elderly

27- Issues in Family Care of the Elderly: Characteristics of Care, Burden on Family Members and Support Programs

28- Is elder abuse and neglect a social phenomenon? Data from the First National Prevalence Survey in Israel.

29- The National Survey on Elder Abuse and Neglect in Israel

30- MIGRANT CARE-WORKERS IN ISRAEL: BETWEEN FAMILY, MARKET AND STATE

31- Help Wanted? Providing and Paying for Long-Term Care. The Impact of Caring on Family Carers

32- Assistance with personal care activities among the old-old in Israel: a national epidemiological study.

33- Israel’s Long-Term Care Insurance Scheme

34- World Economic Outlook. April 2013. Hopes, Realities, Risks.

35- Community Services for the Elderly in Israel – Present and Future

36- Volunteerism: The beautiful side of Israeli society

37-Towards an International Consensus on Policy for Long-Term Care of the Ageing

38-INTEGRATED CARE FOR THE ELDERLY IN THE COMMUNITY

39- Israel’s booming economy puts billions in US aid under spotlight

40-Elderly Care: Coping with Long-Term light-care Conditions (LTC); describing the health need, designing the equity audit and discussing the health commissioning.

41- LONG-TERM CARE IN THE EUROPEAN UNION

42- IMPROVING CARE FOR PEOPLE WITH LONG-TERM CONDITIONS.

 

43- Analysing and Measuring Social Inclusion in a Global Context

44- Long-term care for older people

45-REDES DE APOYO SOCIAL DE PERSONAS MAYORES: MARCO TEÓRICO CONCEPTUAL

46- KEY POLICY ISSUES IN LONG-TERM CARE

47-Caring for people with chronic conditions. A health system perspective

48-ETHICAL CHOICES IN LONG-TERM CARE: WHAT DOES JUSTICE REQUIRE?

49-Planning and design guide for community-based day care centres

50-Elderly Volunteering and Well-Being: A Cross-European Comparison Based on SHARE Data

51-Integrated models of care delivery for the frail elderly: international perspectives.

52- Maintenance Cognitive Stimulation Therapy (CST) for dementia: A single-blind, multi-centre, randomized controlled trial of Maintenance CST vs. CST for dementia

53-Are the effects of a non-drug multimodal activation therapy of dementia sustainable? Follow-up study 10 months after completion of a randomised controlled trial

54- Evidence Grows for Brain Benefits of Enriched Environments in Normal Aging and Disease

55-Occupational Justice – Bridging theory and practice

56- Significado de Ficar A Ver Navios

Tags:

Melabev; Cuidados aos idosos na comunidade; Cuidados de Longo Prazo para idosos; Políticas para cuidados de longo prazo; Cento Dia para idosos; Centro Dia e Alzheimer; Intervenções não medicamentosas e Demência; Cuidados aos Idosos em Israel; Atención a las personas mayores en la comunidad; Mayores y Políticas de atención a largo plazo; Centro de Día para Alzheimer; Cuidado de Ancianos en Israel; Care for the elderly in the community; Long term care and aging; Day center and Alzheimer; Policy for Long Term Care; Israel Policy for Long Term Care.

 

 

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14 comments

  • LUCIANA SIMÕES DA COSTA
    posted by LUCIANA SIMÕES DA COSTA Friday, 24 November 2017 21:00 Comment Link

    Gostaria de enviar meu currículo, sou psicóloga aqui no Brasil. Porém sei que não aproveitarei minha graduação em Israel. Gostaria de uma oportunidade com cuidados a idosos.

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  • Clemente Daise
    posted by Clemente Daise Monday, 16 October 2017 18:52 Comment Link

    Greetings, just wanted to inform you that we had a great holiday at Marina de Bolnuevo in July of this year (http://www.marinadebolnuevo.co.uk/about-bolnuevo). We flew into San Javier and hired a car from the airport for the short drive to Bolnuevo. The beaches are sublime, most of them awarded the Blue Flag. The restaurents were great, with paella on the beach a must and managed a day on the nudist beach there. Very liberating. We also visited the Big Guns, The Roman Mines and the Sand sculptures. Will be returning there again in 2018. Look forward to meeting you at Marina de Bolnuevo in the next few months. Thanks for reading Alicia.

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  • Tyrell Nhatsavang
    posted by Tyrell Nhatsavang Monday, 09 October 2017 11:59 Comment Link

    Hello, just wanted to let you know that we had a great holiday at Marina de Bolnuevo in September of this year. We flew into Alicante and hired a car from the airport for the short drive to Bolnuevo. The beaches are perfect, most of them awarded the Blue Flag. The cafes were great, with paella on the beach a must and managed a day on the nudist beach there. Very liberating. We also visited the Big Guns, The Roman Mines and the Sand sculptures. Will be returning there again in 2018. Thanks for reading Nikki.

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  • Donnetta Linehan
    posted by Donnetta Linehan Monday, 09 October 2017 08:45 Comment Link

    Hi there, just wanted to let you know that we had a great vacation at Marina de Bolnuevo in June of this year. We flew into Alicante and hired a car from the airport for the short drive to Bolnuevo. The beaches are fantastic, most of them awarded the Blue Flag. The cafes were great, with paella on the beach a highlight and managed a trip to the nudist beach there. Very liberating. We also visited the Big Guns, The Roman Mines and the Sand sculptures. Will be returning there again next year. Thanks for reading Niall.

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  • Raquel Oliveira
    posted by Raquel Oliveira Tuesday, 08 August 2017 20:23 Comment Link

    Shalom! Meu nome é Raquel...moro no Brasil...sou brasileira...não falo inglêns...somente o básico..tenho 26 anos....fiquei admirada com a instituição.....tenho um certificado de cuidador de idosos.....o curso durou 6 meses...fiz um Estágio pelo o curso...Gostaria de saber como posso trabalhar na instituição MELABEV....Obrigada!

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  • JasonGlowl
    posted by JasonGlowl Wednesday, 22 March 2017 02:09 Comment Link

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    posted by wordpress agency bangkok Tuesday, 20 December 2016 04:16 Comment Link

    Thank you!

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  • Kristan Lambros
    posted by Kristan Lambros Friday, 16 December 2016 08:56 Comment Link

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  • Kasey
    posted by Kasey Tuesday, 21 June 2016 07:07 Comment Link

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