Velhice, desengajamento, depressão?... motivos para um bom Tango!

Existiriam limites concretos entre o mundo real e o universo da imaginação? Ao traçar linhas de conexão entre alguns trabalhos de Margareth Brandini Park, tentaremos defender que não! Em uma primeira cena, Margareth entrevista em seu programa “Literatura e Educação” da RTV Unicamp, o psicólogo Jaime Lisandro Pacheco que nos fala sobre os elos entre velhice aposentadoria e depressão. Na cena seguinte, Margareth propõe uma saída criativa para este dilema através das páginas do seu livro mais recente: "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar".  

 

Distinguir o universo imaginário daquele considerado mais real, é tão complexo quanto tentar falar da saúde do corpo sem considerar a saúde da alma. Da mesma forma, pensar em uma educação feita exclusivamente a partir de fontes formais de produção de conhecimento é esquecer que o aprendizado humano advém de saberes construídos a partir de diversas lógicas e visões de mundo.

Nesta matéria desenvolvida a partir de inspirações e contribuições de Margareth Park, fazemos um breve passeio por territórios do conhecimento formal e não formal, conectando idéias e travando diálogos entre circunstâncias reais e imaginárias, que apresentam por um lado algumas imagens sobre os limites associados à velhice e suas razões, e por outro, aspectos envolvidos nas possibilidades de enfrentamento.             

Para tratar deste tema, trazemos trechos extraídos da literatura, da poesia, da sétima arte, da vida real, do saber popular e do conhecimento acadêmico, desenhando um caminho textual que, coloca em foco, breves recortes da experiência humana perante o envelhecimento a velhice e a vida.

Através de cenas protagonizadas por alguns dos nossos convidados, tais como Bandeira, Walmor, Frank, Jaime, Margareth, Doroteia, Al, Marilia, Carlos, Ewellyne, Vinícius, são desencadeados pontos de disparo para reflexões sobre este processo. Fazemos dessa forma um pequeno caldo de cultura que se propõe a colocar em evidência alguns bastidores, e um pouco da diversidade, existentes no substrato de base responsável pela formação das imagens que construímos sobre a velhice.        

 

 

 

*  *  *

I- Colorindo páginas da vida

 

“Gosto de contar histórias que aconteceram,

algumas de verdade, outras de imaginação, que são verdades especiais.

 

Para contá-las busco sempre minha criança interior,

que tem asas e me oferece rumos a seguir.” (34)

 

 

“...Quando escrevemos textos curtos,

precisamos ter a frase exata.

 

Ela não pode ser pesada ou triste demais

quando se trata de solidão,

por exemplo.

 

Temos que apontar caminhos

que possam romper esses limites estreitos

colocados aos velhos...” (01)

 

 Margareth Brandini Park

 

*  *  *

 

    II- Dançar um Tango Argentino

 

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

..............................................................................

 

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo

e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

 

 

  

 

“Pneumotórax”

Manuel Bandeira 

(1886 – 1968)

 

*  *  *

Em 1904, aos 18 anos de idade, Manuel Bandeira recebeu um diagnóstico de tuberculose e foi desenganado pelos médicos. Viajou para a Europa, retornou, e construiu uma vasta obra poética que nos encanta até os dias de hoje.

 

Em sua proposta simbólica, e sempre à sombra da limitação e do sofrimento causados por uma doença que já havia se tornado crônica, para aqueles dias difíceis em que se deve lançar mão de um Tango como ritual de despedida, sempre restará a possibilidade de se escapar da realidade mais dura indo embora até a “Pasárgada”. (02) (03) (04) (05) (06) (07)

 

 

Doença, Limitações, Tristeza, e Sonho.

 

 “...quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio:

“Vou-me embora pra Pasárgada!”...”  (06- Manuel Bandeira )

 

“...Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias...”(07-Manuel Bandeira)

 

“...Vou-me embora pra Pasárgada”

foi o poema de mais longa gestação

em toda minha obra...” (07)

 

 

Manuel Bandeira

 

*  *  *

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei...

...

 ...E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada ”

 

*  *  *

   

*  *  *

Extraído de texto de Cristiane Costa:

“...Pasárgada é uma alegoria do paraíso...” “...A evasão para uma outra realidade  diferente da do poeta é uma das temáticas de “Vou-me embora pra Pasárgada”, poema de Manuel Bandeira em que o poeta busca uma espécie de paraíso para vivenciar os atos comuns da vida , os quais não puderem ser vivenciados devido à doença. ..”   (07)

 

“...Novamente são dois extremos que são abordados pelo poeta: a realidade de dois mundos distintos, o presente e o imaginário; o que se nega e o que se deseja...” “...Bandeira coloca o sofrimento de lado e resolver ser feliz, agindo inconseqüentemente, livre de obrigações...”   (07)

 

“...A Pasárgada de Bandeira alinha todos os tipos de liberdade: a amorosa, a sexual e até mesmo a liberdade de voltar à infância...” (07)  

 

“...Considerando a vida de Manuel Bandeira e o convívio que o poeta teve com o tema da morte e da doença, que o fez até mesmo a abandonar os estudos; o poema retrata o tema da infância como um anseio de recuperar o tempo perdido, de reviver a ternura o mito que ficou arquivado na memória. A evasão é a recuperação da infância, pois a qualquer momento o poeta pode parar de brincar e chamar a mãe – d ´ água para lhe contar as historias da infância...”  (07)

 

*  *  *

III – Atos comuns da Vida:

Velhice Aposentadoria e Depressão

 

 

São três categorias em questão: uma antropológica outra social e a última, biológica. Pelas três perpassa a atribuição simbólica de um sentido existencial de utilidade, em algumas ocasiões até de “utilitarismo”.

 

O que seria um senso de “vida útil” para o ser humano?

 

Se por um lado falamos de “vida útil” para objetos do nosso cotidiano tais como os eletrodomésticos ou os sapatos, um sentido “utilitário da vida” faz conexões com questões que remetem à valorização do indivíduo pelo viés do trabalho e da sua capacidade de produção, contribuição, ou engajamento. E passando dos “tempos modernos” aos “tempos contemporâneos”, pela sua capacidade de consumo.  (08) (09) (10)

 

Agora está na moda:

se faz necessário um “envelhecimento ativo”.

 

Caso contrário, como será administrada essa massa populacional de velhos que está por rechear o planeta de gente improdutiva?

 

Como será possível continuar negando, que a velhice, em todas as suas conformações possíveis, se associa a mudanças que a afastam do mito da juventude eterna?

 

Essas questões, entretanto, não se limitam apenas a gerar motivos para reflexões de cunho político econômico ou cultural. Elas também nos levam a pensar a vida em sua dimensão enquanto drama existencial personalíssimo.

 

 

*  *  *

Walmor Chagas

fez a sua escolha final em Janeiro de 2013.  (11)

 

Nos últimos tempos Walmor havia optado por uma vida mais isolada e solitária. Com 82 anos sentia o peso da perda de visão. Dizia que não trabalhava mais rejeitando convites.

 

Aceitou fazer uma participação no filme "A Coleção Invisível", somente após saber que o roteiro era baseado em um conto de Stefan Zweig, de quem era um admirador.  Rendeu-lhe uma premiação póstuma. Foi seu último trabalho como ator.   (12)

 

“...Ele era do tipo de ator que torna o outro melhor...” (12)

 

 

“.. tinha uma inquietação artística,

o desejo de sempre fazer algo melhor... não gostava de improvisar...”  (12)

 

 

“...Muitos estudiosos consideram que as mulheres se suicidam menos porque têm redes sociais de proteção mais forte e se engajam mais facilmente do que os homens em atividades domésticas e comunitárias, o que lhes conferiria um sentido de participação até o final da vida...” (13-Cláudia Collucci) 

 

 

*  *  *

 

IV - Em busca de Elos

Escola, Trabalho, Aposentadoria, Sintomas Depressivos.

Este é um eixo que dá base aos temas abordados por Jaime Lisandro Pacheco

na entrevista que concedeu a Margareth Brandini Park  em Agosto de 2013.   (14)

 

 

Jaime Lisandro Pacheco 

Psicólogo - Doutor em Educação-Gerontologia pela Unicamp.  

 

Desta entrevista, capturamos algumas idéias:

A sociedade prepara o indivíduo para ser um “provedor” e a educação formal adotou por ideologia prioritária a missão de preparar o indivíduo para o trabalho. O indivíduo da sociedade moderna molda a sua vida a partir destes pressupostos e a “escola formatadora” contribui para este processo.

 

Aposentadoria e velhice são duas categorias que acabam tendo uma coincidência cronológica em sua trajetória. Aposentado é o inativo, aquele que não produz. O caldo de cultura em que se processam estes fenômenos pode permear a imagem social atribuída às pessoas idosas.

 

O que sobra da própria pessoa

após ela se aposentar?

 

 

Neste cenário são observadas algumas diferenças entre as possibilidades socialmente disponíveis para cada gênero. A mulher que se inseriu no mercado de trabalho no passado, tem ainda um segundo espaço, a sua casa, do qual não se aposenta formalmente. Ao perder a sua identidade profissional ela ainda pode manter uma identidade no espaço do lar, e utilizar a sua autonomia e criatividade.

 Dessa forma, algumas mulheres conseguem encontrar no trabalho doméstico voltado para a família, a base da sua realização pessoal.  Já o homem, ao se desvincular do seu universo de trabalho pode desenvolver sentimentos de menos valia, precisando procurar outros espaços para manter ou reencontrar a sua identidade.

Para Jaime, dentro deste contexto, seria interessante que o indivíduo pudesse ter projetos alternativos, voltar a ocupar o seu lugar na vida enquanto sujeito criativo, tentar refazer enfim, os seus elos.

 

 

 

 

 

 

Veja a entrevista completa em:

http://www.rtv.unicamp.br/?video_listing=jaime-lisandro-pacheco

 

 

Nascer, crescer, estudar, trabalhar,

procriar, trabalhar, criar, trabalhar, descansar, morrer.

 

Onde estaria colocado dentro deste ciclo

o tempo para ser feliz?

 

 

 

*  *  *

 

Elos Refeitos

 

“um olhar sobre como se construiu – e ainda se constrói – o futuro de seres

humanos que envelhecem”  (15)

“Elos Refeitos” é o título de um dentre os diversos livros já publicados por Jaime no campo gerontológico, sendo escrito a partir das experiências que vivenciou durante a sua aproximação mais profunda com as histórias de vida de pessoas idosas.  Esta vivência foi fortalecida pela metodologia eleita para a realização de uma pesquisa qualitativa para a sua tese de doutoramento.

“O método biográfico é uma forma de explorar as relações

entre memória e história.”  (09)

 

O estudo teve como proposta investigar as conexões existentes entre a educação formal, o trabalho assalariado, a aposentadoria e o desenvolvimento de sintomas depressivos na idade mais avançada.

 

 

 

“...os valores básicos desta sociedade foram trabalhados através da educação para que, internalizados, pudessem reproduzir o pensamento desta sociedade industrial que, dividida em classes, oferecia ao ser humano o bem-estar pelo consumo, como recompensa à sua capacidade de produzir...”  (09- Jaime Lisandro Pacheco)

 

“...O homem, na sociedade moderna, é reconhecido

pela sua aptidão de produzir e valorizado pela sua capacidade de consumir...”  (09)

 

 

“...De repente, a auto-estima diminuída, a auto-imagem partida, o local de provedor questionado e a criatividade empobrecida parecem lhe indicar não haver mais tempo e possibilidades para refazer seus projetos de vida. E, quando não conseguem refazê-los, nesta nova fase de suas vidas, “adoecem” e o diagnóstico clínico vem, quase sempre, como depressão...”  (09)

 

“...Para este grupo de sujeitos, as conclusões apontam que, após a aposentadoria, os homens apresentaram mais sintomas depressivos do que as mulheres; que mulheres enfrentaram de forma mais positiva a vida de não-trabalho assalariado; que as mulheres negras, mais pobres e analfabetas, não apresentaram sintomas de depressão; que os sujeitos, homens e mulheres, que tiveram uma educação formal rígida e em consonância com a educação familiar, tenderam a valorizar mais o trabalho assalariado e apresentar mais sintomas depressivos na ausência deste...”. (09)

 

“...Após anos de atividades na produção de bens e serviços, todavia, o trabalhador, já envelhecido e exaurido em suas forças físicas, foi aposentado ou expulso do mercado de trabalho num processo como natural e esperado. A aposentadoria lhe foi apresentada como um prêmio à sua tenacidade e capacidade de ter contribuído para o desenvolvimento econômico. Sua força de trabalho, vendida no mercado como mercadoria, não apresentava mais valor expressivo à forma capitalista (e taylorista) de produção. Assim, poderia agora gozar de seu tempo livre e ter o ócio como recompensa...” (09)

 

“...Entretanto, paradoxalmente, o aposentado, que sempre sonhou com a possibilidade de dispor de seu tempo, não consegue, muitas vezes, agora viver sem o trabalho assalariado rígido e controlador que o anulou como sujeito...” (09)

 

 

*  *  *

“...os sintomas depressivos vivenciados por alguns dos trabalhadores foram encarados, pelo autor de “Elos Refeitos”, como um fenômeno social coletivo e não individual, que nos alertam para a necessidade de revisão dos pressupostos e objetivos das instituições humanas, que os “levaram aconstruir um modelo ideal a ser imitado”...”  (15-Stela Cristina de Godoi)

 

Além da exposição de narrativas biográficas extremamente tocantes referentes às entrevistas com pessoas idosas, o capítulo de introdução da tese apresenta as bases de fudamentação da pesquisa através de uma linguagem que facilita a compreensão do pensamento de diversos teóricos da área da psicologia e das ciências sociais. 

Uma apresentação deste livro publicada pelo Jornal da Unicamp, a resenha assinada por Stela Cristina de Godoi , assim como, a tese origina do autor, têm links de acesso indicados ao final desta matéria.   (16) (09) (15)

 

*  *  *

 “Vox Populi Vox Dei”: Ditados Populares

 

“O trabalho dignifica o homem”... “Deus ajuda quem cedo madruga”... “Todo trabalho é digno”... “O trabalho é a fonte de todas as alegrias”…”Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” ...”Quem espera sempre alcança”... "Com trabalho e perseverança, tudo se alcança"... "O trabalho enriquece, a preguiça empobrece"... "Trabalhador prudente, evita o acidente"...“Quem trabalha na juventude, repousa na velhice”... “O trabalho não mata ninguém” ... “Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes” ...

“Quem sabe faz, quem não sabe ensina”

 

 

 

O que você quer ser quando crescer?

E quando ficar velho?

 

“...Grande parte dos valores repassados a Carlos através da escola, na formação de hábitos do trabalho, da rotina, da obediência, da precisão, da atualização permanente, pouco lhe valem, agora, às portas da velhice, para resolver a questão fundamental de sua vida,

no momento que percebeu “Que tava fora... que já era...”  (09)

 

*  *  *

 

V- Deficiência, Dependência, Solidão, Revolta, Fim.

 

“...A formação do sujeito deixa marcas profundas na sua história. Seu ideal de ego introjetado define a forma de seu enfrentamento com a realidade.  Mas os conteúdos inconscientes continuam a marcar a sua relação com as pessoas...”  (09-Jaime L Pacheco)

  

 

 

Frank Slade não é um artista erudito, muito menos um ex-operário ou trabalhador rural. É um tenente-coronel do exército,  mandado para a reserva após ter provocado um acidente com uma granada em um bar perto do quartel. Ficou cego. É dependente.

 

Um homem amargo, sarcástico, arrogante, solitário, deprimido, anti-social. O único companheiro que lhe resta é o copo de whisky. Como diria Vinícius de Moraes, o  seu cachorro engarrafado.

 

“...Há dois tipos de pessoas neste mundo: as que resistem e enfrentam a realidade,

e as que procuram se proteger. Se proteger é melhor...”.

(Frank Slade)

 

Antes de apertar o gatilho para um tiro de misericórdia, planeja viver seus últimos momentos de prazer e transgressão durante um fim de semana inesquecível. Para cumprir essa estratégia, leva um acompanhante.

 

Mas para uma vida desprovida de sentido, talvez exista outra saída nobre.

Alguma coisa pode mudar depois de se dançar um Tango?

 

 

 

 

Al Pacino e Gabrielle Anwar

Cena do filme “Scent Of A Woman” – “Perfume de Mulher”, 1992.

Tango: “Por una Cabeza” de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera.

 

Link: http://www.youtube.com/watch?v=AhJ8tO8bf3A

 

 

“Este será um final de semana que muda tudo,e para sempre.”

 (17)(18)(19)(20)(21)

 

*  *  *

“...pode se viver uma vida em um momento...”

(Frank Slade)

 

O filme traz á tona diversas questões para discussão

dentro do contexto que estamos trazendo nesta matéria.

 

Algumas delas aparecem nas cenas finais durante a fala de Frank, onde se coloca em questionamento tanto a ideologia da educação direcionada às supostas elites sociais, quanto o descarte feito pelo sistema dominante dos indivíduos que não possam mais servi-lo.

 

Dois trechos da fala de Frank nas cenas finais do filme:

 

 

“ ...Eu tive muitas experiências, sabe? Houve uma época em que podia ver. E vi garotos como estes, até mais jovens que estes, com os braços arrancados, as pernas esmagadas. Mas nada é mais triste que ter um espírito amputado. Para isso não há prótese. Pensam que estão apenas mandando este esplêndido soldado para casa com o rabo entre as pernas, mas eu digo que estão executando a alma dele...” (19)

 

“...Eu não terminei. Quando entrei aqui ouvi as palavras, “berço de líderes”. Pois bem, quando o galho quebra, o berço cai.  E caiu aqui. Forjadores de homens, criadores de líderes, cuidado com o tipo de líderes que estão formando...” (19)

 

 

 

 

“...ERIKSON (1976, 1989, 1998) quando discute a fase de escolar em que as crianças

se preparam para serem futuros provedores para, generativamente, cuidar das outras gerações, fala do perigo de que, nesta fase, a escola não cumpra

as promessas sociais que lhe foram feitas...”  (09-Jaime Lisandro Pacheco)

 

“...A história do indivíduo e a história da humanidade se confundem,

pois culturalmente uma está inserida na outra produzindo a história da sociedade,

num dado momento histórico. A história pessoal só faz sentido

 na sua relação com o total desta caminhada humana...”

(09 - Jaime Lisandro Pacheco)

 

 

 

 

*  *  *

 

 

“Histórias que vêm da imaginação são Verdades Especiais”

Margareth Brandini Park

 

*  *  *

 

VI- "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar"

“Para aqueles que ousam, através da dança,

colorir páginas de suas vidas “

 

“...Os dias iguais transcorriam tranquilamente,

dia de rezar, dia de cuidar do jardim, dia de telefonar,

de ver tv e, claro, dia de dançar...”

 

 

 

“O ritual acontecia em alguns dias da semana...

   

...Empurrava a cadeira de balanço para junto das poltronas,

da cestinha de bordado e da cesta de Casemiro,

seu enorme gato peludo,cego de um olho.

 

Escolhia cuidadosamente os discos daquela tarde,

trazia Al para a sala e dizia carinhosamente:

 -Vamos, Al, vamos nos divertir

um bocadinho!...”

 

 

Para quem ainda não leu a história é sempre bom saber:

“Al”, não é uma referência ao “Al Pacino”.

 

Trata-se do Alaor... a vassoura.

 

Parceiro insubstituível,

quem sabe na Quarta, para aquele bolero bem suave na voz de Altemar Dutra,

e no Sábado para um bom Tango de Gardel...!

 

 

... Insubstituível?..

 

 

 

 

Doroteia não era uma velhinha qualquer: ...plantava flores dentro de seus sapatos velhos, cuidava de um gato cego de um olho e personificava os objetos da sua casa tratando-os como companheiros para a sua solidão... Ela rompia conceitos, padrões e expectativas.

 

Mais uma história ingênua e fantasiosa criada para entreter as criancinhas, ou um “caso” peculiar a ser discutido em uma sessão clínica bem séria e multidisciplinar?...

 

A princípio, temos indícios altamente suspeitos...! Melhor encaminhar a Doroteia para uma testagem neuropsicológica detalhada, ou indicar um cuidador?... Seria mais prudente medicar?...

 

 

Se as visões trazidas por cada ângulo de análise podem ser muito singulares,

as conversas surgidas a partir daí, também podem ser plurais!  (22)

 

*  *  *

 

 

 

Book Trailer "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar" (01) (23)

 

Link: http://www.youtube.com/watch?v=61nvYJsyhR4&feature=youtu.be

 

 

“...Hoje já se sabe que pessoas que dançam vivem muito melhor...”

 

“...A idéia das velhinhas que ficavam só fazendo tricô

e fazendo bolo para os netos, ela já é uma idéia

um tanto ou quanto... ultrapassada...”

 

Margareth Brandini Park (24)

 

 

 

Lançamento "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar" (02)  (24)

 Link: http://www.youtube.com/watch?v=glthOy0RLfc

 

 

Esta obra é fruto de pesquisas, vivências, reflexões e muita criatividade. Consegue fazer uma abordagem de questões profundas da existência humana através de uma linguagem lúdica e atraente que cativa leitores de todas as idades.  

 

Segundo Margareth, o livro foi gerado a partir de várias “sementes de vida”, que incluem as diversas descobertas sobre os benefícios proporcionados pela dança na saúde mental das pessoas mais velhas: o movimento físico, a sociabilidade, uma maior preocupação com a aparência e a busca de um figurino de vestuário mais atraente, a possibilidade enfim, de “curtir” um novo universo que extrapola os padrões esperados para o cotidiano dos velhos.

 

ISBN: 978-85-7913-141-7 

2013, Primeira Edição

Editora Adonis

 (25)

 

 

 

*  *  *

Visões Singulares

 

No vídeo de apresentação do livro, Margareth faz uma referência às pesquisas que discutem as conexões entre a dança e a saúde nesta etapa da vida. Ao fim desta matéria listamos alguns artigos que abordam o tema, dos quais, selecionamos alguns trechos:

 

“...Dançar é uma atividade que pode ser iniciada em qualquer época da vida, podendo ser aos quatro ou aos oitenta anos...  ... A maioria dos idosos não esta interessada em performance artistica, mas sim em uma atividade prazerosa com movimentos fáceis e ao mesmo tempo desafiadores...”  (26)

 

“...existem sentidos e significados relacionados à escolha da dança de salão, à sua ligação com os desejos e as emoções experimentados desde a opção de sair de casa para dançar até o encontro com o parceiro de dança no baile, onde estão presentes os olhares, as músicas e o enlaçamento dos corpos na dança a dois...” (27)

 

“A dança aparece para estas mulheres como um instrumento que possibilita a revalorização de seus corpos. Elas se identificam com padrões de comportamento tradicionais e por isso não querem conflito com seus familiares, mas se vêem representadas no estilo de vida chamado terceira idade, há uma combinação de valores e uma multiplicidade de identidades convivendo, hora a vovozinha, hora a dançarina.”  (28)

 

“...Para Nietzsche, a dança tem o dom de tornar livre o espírito do homem. Ela pode libertá-lo

de convicções, de pré-julgamentos e de inseguranças. Dançando, o homem torna-se ativo, mentor de seu próprio destino, literalmente, dono de seu próprio passo. Mas para ser redentora, a dança precisa ser livre, alegre e atemporal. Só assim ela terá a capacidade de ser transformadora...”  (29)

 

“...Então a velhice é isso né?

Por um lado você está meio acabada, mas por outro vê que ainda pode fazer

coisas novas e vê também que cumpriu seu papel, as filhas casadas,

formadas, os netos tudo se encaminhando direitinho...assim é velhice: eu vou

por aqui dançando enquanto a danada não chega....”

(29- depoimento de mulher idosa)

 

*  *  *

 “Estudantina Musical”

um dos salões de dança mais antigos do Rio de Janeiro:

 

 

 

Estatuto da Gafieira:

 

 

Art.4.

No interior da gafieira não é permitido:

a) beijar demoradamente ou escandalosamente, 

b) cavalheiros colocar damas no colo,

c) provocar confusões,

 d) berrar e gritar,

e) colocar os pés ou subir nas cadeiras e mesas,

f) dançar espalhafatosamente, incomodando os outros bailarinos.  (29)

 

“...Democrático por excelência, aceita todos os cidadãos sem discriminação de qualquer espécie. Todos os ritmos são ouvidos em seus salões, inclusive os de fora, como o tango, o bolero, a salsa etc. O tradicional cartaz, com os Estatutos da Gafieira, ainda permanece pendurado na parede, alertando aos desavisados que não é permitido beijos e saliências no salão. Lá ainda são encontrados os pés-de-valsa, os pernas-de-pau e algumas figuras folclóricas, que vestindo calça branca, camisa de seda, sapato bicolor e chapéu panamá, dançam com seus lencinhos na mão, prontos para enxugar a testa. Tudo isso faz da Estudantina o principal estabelecimento de afirmação e fortalecimento dança de salão no Rio de Janeiro.

A Estudantina Musical é, sem dúvida alguma, a referência da dança de salão, a qual hoje é reconhecida oficialmente pela Prefeitura como Patrimônio Cultural Carioca.  Em dezembro de 2011, a casa completará oitenta e três anos de história...”  (30)

“...Lembremo-nos, sempre, que

ENQUANTO HOUVER DANÇA, HAVERÁ ESPERANÇA...”  (30)

 

*  *  *

 

VII- Educação para o Trabalho e Educação para a Vida

 

A história de Doroteia rompe com algumas representações sociais sobre o que sejam os velhos e a velhice e sobre o que seria esperado enquanto uma atitude “de normalidade” ou “políticamente correta” nesta etapa da vida.  Em contrapartida, as histórias extraídas do mundo real ao longo da pesquisa realizada por Jaime Lisandro Pacheco transitaram pelo caminho que de algum modo constrói ou mesmo confirma essas representações.

São duas mensagens trazidas de um lado por uma educadora e do outro por um psicólogo, que nos remetem necessariamente a uma pergunta: até que ponto a educação, a literatura, a arte ou a ciência, contribuem para a formação do caldo de cultura que propicia ou mesmo sustenta, as representações sociais sobre a velhice que temos na atualidade?

Uma dessas pistas surge a partir de uma pesquisa realizada por Ewellyne S L Lopes em parceria com Margareth Park, na qual foram observadas as representação sociais sobre o velho e o envelhecimento, expressadas por crianças que tinham entre seis e dez anos de idade.  (31)

 

Uma reflexão interessante que pode ser feita a partir deste trabalho, se refere ao fato de que aquelas crianças pareciam ter descoberto “naturalmente” algumas realidades que pertencem à natureza do “óbvio”, mas que no mundo povoado pelos “cientistas” são necessários muitos anos de estudo e dedicação para se chegar a uma mesma constatação.  

 

 “...Segundo as crianças, o envelhecimento é um processo

relacionado à passagem do tempo,a um ciclo natural ao qual todos estão sujeitos...”  (31)

 

“...É preciso crescer, cumprir os deveres sociais (estudar, trabalhar, casar),

procriar e ver os filhos crescerem, então a velhice terá chegado...” (31)

 

 

 

 

“...quando a gente anda na rua, a gente vê pessoa velha....

...os velhos estão num monte de lugar... e fazem um monte de coisa... “

(31- trechos de fala de crianças)

 

 

Dessa forma parece que a sabedoria existente naquelas crianças tão pequenas, alcançava com algum grau de semelhança as conclusões obtidas através de muito esforço técnico por parte de diversos pesquisadores. De onde estaria vindo todo este conhecimento?

 

Em um momento sócio-histórico onde a velhice tem sido representada de forma polarizada ou pelas perdas a ela associadas ou por sua negação, as palavras das crianças podem ter algo a nos ensinar.

 

 

Nesse sentido, o texto de Ewellyne e Margareth nos traz o seguinte:

 

“...coexistem diferentes imagens de velhos na sociedade contemporânea...” (31)

 

 

“... as representações sociais estão presentes na vida dos indivíduos

desde a primeira infância, sendo a criança inserida em um mundo estruturado por elas...”

 (31)

 

 

“... as representações sociais podem ser consideradas uma versão contemporânea

do senso comum...”  (31)

 

*  *  *

 

A Educação como processo múltiplo

 

O ser humano é sabidamente um produto inacabado. Através de processos e aprendizados que se constroem a partir das diversas experiências vivenciais, transcorre uma moldadagem paulatina da sua humanidade e dos modos e meios de interação que irá desenvolver com o ambiente que o circunda.

Para defender a idéia de uma velhice enquanto um produto também inacabado,

selecionamos a seguir alguns trechos extraídos de dois textos:

 

a tese de Jaime Lisandro Pacheco,

e a publicação Visões singulares, conversas plurais”

que conta com a participação de Margareth Park como co-autora.  (09)(22)

 

 

“O processo de socialização é uma das formas pelas quais a cultura e as sociedades se reproduzem. Um indivíduo é adequadamente socializado se está sendo trabalhado com uma porção suficiente das regras sociais que lhe permite uma efetiva representação dos seus papéis que a sociedade dele espera. A socialização garantiria um mínimo de reprodução da sociedade, gerando interesses e compromissos de continuidade de uma geração em relação à outra, mas deixando também espaços para inovações (DURKHEIM, 1978).”  (09)

 

“A sociedade educa e forma gerações distribuindo papéis sociais aos indivíduos por faixas etárias, durante o seu processo de desenvolvimento, definindo as formas de pensamento de uma geração e o seus padrões de interesse de relacionamento com as demais.” (09)

 

“...as instituições sociais estão presentes na formação do ciclo de vida do homem. São elas que propiciam a formação e o desenvolvimento do indivíduo e reproduzem o conjunto de valores culturais pertencentes à sociedade de forma interativa, aplicados de forma contínua e progressiva...”  (09)

 

“...há uma linha tênue que separa a educação formal e a não-formal de um lado e, de outro, a educação informal. Esta última se caracteriza pela aprendizagem em que não há planejamento, seja por parte de ensinantes, seja por parte de aprendizes (muitas vezes autodidatas), que ocorre sem que nos demos conta – um exemplo bastante forte é a educação familiar...” (22)

 

“...A cultura oscila... De um lado, ela é aquilo que “permanece”; de outro, aquilo que se inventa.” ” ...A cultura é uma noite escura em que dormem as revoluções de há pouco, invisíveis, encerradas nas práticas – mas pirilampos, e por vezes grandes pássaros noturnos, atravessam-na; aparecimentos e criações que delineiam a chance de um outro dia...”

(22-Michel de Certau, citado na pág. 23)

 

“O termo educação envolve um leque amplo de experiências educativas, informativas e formativas que não se resume à experiência escolar, formal”  (22)

 

“Tanto a educação formal quanto a não-formal favorecem e estimulam a

ocorrência de experiências e de sentidos”  (22)

 

“A ideologia dominante imposta aos seres humanos pela educação,

pelos valores culturais e pela força dos papéis socialmente marcados pode parecer determinante. Porem, ela não consegue abafar a capacidade criadora, a capacidade de resistir e a possibilidade de transformação ontocriativa do ser humano.”  (9)

 

 

*  *  *

 

 

“...Era uma casa muito engraçada...

não tinha teto não tinha nada...

...

...Mas era feita com muito esmero...

na rua dos bobos número zero...”

Toquinho e Vinícius

 

 

Ao visitar a casa da Doroteia, conhecemos os seus mocassins

cheios de lindas “marias- sem- vergonha”, os seus “tamancos-avenca”,

os velhos discos de vinil e aquelas rosquinhas

doces e bem quentinhas.

 

Doroteia havia cultivado ali,

a sua própria Pasárgada.

 

*  *  *

 

VII- Sobre Histórias e Memórias: experiências e sentidos

 

Enquanto educadora Margareth Park não se limitou em seus projetos a pensar ou escrever sobre velhinhas dançantes.

 

Como pesquisadora do Centro de Memória da Unicamp, também reservou espaço em sua agenda criativa para fazer um passeio por dentro de um universo ainda mais plural que envolve as memórias culturais de mulheres e velhinhas cozinheiras: aquelas que adoçam as nossas lembranças, as nossas mesas e a nossa infância permanente.

 

Deste outro mergulho no universo também um pouco mais feminino, surgiram elos construídos a partir de memórias contidas no saber popular de várias culturas étnicas.  Essas memórias em particular, estão habitualmente associadas ao trabalho doméstico e aos pequenos prazeres do cotidiano.

 

Deu-se dessa forma o surgimento de mais uma publicação:

“Diversidade, memórias e culinária.” (32)

 

 


 

Assim, para finalizar esta matéria, e em homenagem às velhinhas que ainda preferem ficar em casa fazendo bolo para as crianças, o que também é muito bom além de gostoso,

lá vai uma contribuição buscada nos arquivos internéticos

do gerontologiaonline:

 

 uma receita curiosa e  infalível ,  verdadeiro “presente dos deuses”

que somente “Dorotéias” abençoadas poderiam inventar!

 

 

 

 

“Receita de Bolo de Laranja com Casca”

 

Ingredientes

 

1 unidade(s) de laranja
3 unidade(s) de ovo
2 xícara(s) (chá) de açúcar
1 xícara(s) (chá) de óleo de milho
2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo
1 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó     

Cobertura

1 unidade(s) de laranja
1/2 xícara(s) (chá) de açúcar
1 colher(es) (sopa) de leite

Junte no liquidificador a laranja com a casca picada (tire o pavio central e as sementes), os ovos, o açúcar e o óleo. Bata bem. Despeje numa vasilha e adicione a farinha e o fermento. Misture bem. Coloque em forma untada e enfarinhada. Asse em forno médio e pré-aquecido. Misture o suco da laranja com o açúcar e o leite.

Despeje sobre o bolo ainda quente.

 

 

“Esse é o bolo de laranja mais fácil de fazer e *mais delicioso do mundo*! Fica fofíssimo, mas com uma textura diferente e além do mais, perfuma a casa inteira enquanto está assando. Mas tem um segredo: pro bolo ficar fofo mesmo, misturem muito de leve - nada de bater a massa. Quanto menos misturar, melhor.”

 

 

“Um país de delícias!”

 

*  *  *

 

VIII- É melhor ser alegre que ser triste

 

 

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

 

Samba da Bênção – Vinícius de Moraes

 

 

Vinícius de Moraes completaria 100 anos

em Outubro de 2013, se ainda estivesse vivo.

 

Segundo dizem os seus amigos

“Morreu de tanto viver”.

 

 

*  *  *

 

 

 

Tudo indica que a Doroteia pretende fazer isso também!

 

*  *  *

Jaime Lisandro Pacheco é psicólogo e mestre em Educação pela UERJ, doutor em Educação e Gerontologia pela Unicamp, pesquisador convidado do Departamento de Psicologia e Psiquiatria da Unicamp e editor das linhas Envelhecimento Humano e Histórias de Vida da Editora Setembro.  Algumas dentre as suas diversas contribuições no campo gerontológico são encontradas nos livros: Tempo de Envelhecer: Percursos e Dimensões Psicossociais”; “Tempo – Rio que arrebata”. (14) (39)

 

Marilia Cotomacci é artista plástica, especializada em desenho e ilustrações. Dentre as suas criações existem quadros disponíveis em acervos públicos, desenhos impressos em cartões de Natal, ilustrações publicadas em revistas e vários trabalhos no campo da ilustração para livros. Marilia gosta de desenhar figuras humanas, dizendo que se preocupa bem menos com o cenário do ambiente. Para ela as imagens falam por si contando a história ao seu próprio modo. Além do mais, o desenho final não é fruto só da intenção inicial do artista, uma vez que até o barulho do lápis sendo riscado sobre o papel contribui para a definição do traço que irá surgir durante o processo criativo.  (35 ) (38)

 

Margareth Brandini Park é Pedagoga, doutora em Educação, pesquisadora do Centro de Memória da Unicamp e escritora. Foi docente do curso de gerontologia da Unicamp, tem um foco profissional direcionado à formação de educadores e outro, ao campo da educação não formal.  É autora de várias obras educacionais, artigos, livros escritos para “gente grande” e livros para “gente sem idade demarcada”. Ao se fazer um breve passeio por suas narrativas, se faz possível perceber algumas características pessoais marcantes tais como a criatividade e diversidade, a capacidade para desenvolver trabalhos em parceria, a preocupação com o meio ambiente, e o profundo interesse pelo universo interior existente nas pessoas. O Livro “Educação e Velhice” organizado em parceria com o cientista social Luis Antonio Groppo, é mais uma das suas contribuições no campo do envelhecimento.   (36) (37) (40)

 

O programa “Literatura & Educação” é apresentado regularmente pela Rádio e TV Unicamp. Através do site institucional podem ser acessadas outras entrevistas interessantes exploradas por Margareth Park neste projeto. (33)

Nos links que apresentamos em seguida

existem dicas para outros trabalhos da autora.

 

*  *  *

 

Links Externos Relacionados

 

01- Livro traz olhar sobre as particularidades da terceira idade

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/09/entretenimento/correio_recomenda/101534-livro-traz-olhar-sobre-as-particularidades-da-terceira-idade.html

 

02- Manuel Bandeira – Pneumotorax

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php?option=com_content&view=article&id=711&Itemid=192

 

03- Vou-me Embora pra Pasárgada

http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp

 

04- Pasárgada

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pas%C3%A1rgada

 

05- Bem-vindo à terra sagrada de Pasárgada

http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=7336

 

06-Poesia e historicidade em Manuel Bandeira

http://linguagem.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/critica/0702/070201.pdf

 

07- Análise Crítica: Vou-me embora pra Pasárgada, Manuel Bandeira

http://glamourliterario.blogspot.com.br/2010/07/analise-critica-vou-me-embora-pra.html

 

08- Foucault: o nascimento do liberalismo

http://www.abavaresco.com.br/revista/index.php/opiniaofilosofica/article/viewFile/90/92

 

09- Educação, trabalho e envelhecimento : estudo das historias de vida de trabalhadores assalariados focalizando as relações com a escola, com o trabalho e com os possiveis sintomas depressivos, apos a aposentadoria

http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000278415

 

10- Genealogia da biopolítica. Legitimações naturalistas e filosofia crítica

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4308&secao=386

 

11-Walmor Chagas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Walmor_Chagas

 

12- "Walmor Chagas não gostava de improvisar", diz último cineasta que o dirigiu

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/09/1337602-walmor-chagas-nao-gostava-de-improvisar-diz-ultimo-cineasta-que-o-dirigiu.shtml

 

13- Walmor Chagas e o suicídio entre idosos

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2013/01/1219075-walmor-chagas-e-o-suicidio-entre-idosos.shtml

 

14- Jaime Lisandro Pacheco

http://www.rtv.unicamp.br/?video_listing=jaime-lisandro-pacheco

 

15- RESENHA. Jayme Lisandro PACHECO. Elos refeitos. Aposentados contam e refazem suas trajetórias de vida”

http://www.teoriaepesquisa.ufscar.br/index.php/tp/article/viewFile/27/19

 

16- Elos refeitos

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2005/ju293pag11.html

 

17- Al Pacino - Scent Of A Woman (Perfume De Mulher - Tango)

http://www.youtube.com/watch?v=AhJ8tO8bf3A

 

18- PERFUME DE MULHER

http://www.cineclick.com.br/perfume-de-mulher

 

19- filme 67 | PERFUME DE MULHER

http://www.sinopse365.com/2011/08/filme-67-perfume-de-mulher.html

 

20- Crítica ao filme Perfume de Mulher – o verdadeiro sentido de viver está em sentir o sopro da vida

http://blogdofulviocosta.blogspot.com.br/2012/10/critica-ao-filme-perfume-de-mulher-o.html

 

21- PERFUME DE MULHER (1992)

http://cinemaedebate.com/2011/03/09/perfume-de-mulher-1992/

 

22- Visões singulares, conversas plurais

http://www.itaucultural.org.br/bcodemidias/000459.pdf

 

23- Book Trailer "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar"

http://www.youtube.com/watch?v=61nvYJsyhR4&feature=youtu.be

 

24- Lançamento "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar"

http://www.youtube.com/watch?v=glthOy0RLfc

 

25-  "Doroteia, a velhinha que gostava de dançar"

http://www.editoraadonis.com.br/loja/uploads/lv_anexo/fceda51e131c5612a23f92d4646f94c1.pdf

 

26- Dança e envelhecimento: uma parceria em movimento!

http://www.sbafs.org.br/_artigos/297.pdf

 

27- Sociabilidade e envelhecimento feminino nos bailes de dança de salão em Fortaleza.

http://seer.ufrgs.br/iluminuras/article/view/11837/7015

 

28- Velhice Feminina Emoção na dança e coerção do papel de avó

http://www.cchla.ufpb.br/rbse/DeniseArt.pdf

 

29- A MEMÓRIA E O PRAZER DA DANÇA NA TERCEIRA IDADE: RELATOS DE MOVIMENTOS SOB PERSPECTIVA NIETZSCHIANA

http://www.encontro2010.historiaoral.org.br/resources/anais/2/1270435365_ARQUIVO_artigohistoriaoral.pdf

 

30- Estudantina Musical

http://www.estudantinamusical.com.br/estudantina.html

 

31- Representação social de crianças acerca do velho e do envelhecimento

http://www.redalyc.org/pdf/261/26112206.pdf

 

32- Diversidade, memórias e culinária.

http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/livro-sobre-diversidade-cultural-nas-escolas-tem-lan%C3%A7amento-nesta-sexta-feira

 

33- Rádio e TV Unicamp: “Literatura e Educação”

http://www.rtv.unicamp.br/?page_id=1042&q=Literatura+%26amp%3B+Educa%C3%A7%C3%A3o

 

34- Margareth Brandini Park

http://www.editoraadonis.com.br/?pagina=livros&sub=escritor&id=27

 

35- Participação de Marília Cotomacci

http://www.rtv.unicamp.br/?page_id=1049&xid=285

 

36- Participação de Luís Antonio Groppo

http://www.rtv.unicamp.br/?page_id=1049&xid=251

 

37- Educação e Velhice

http://editorasetembro.com.br/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage-vmblend.tpl&product_id=9&category_id=4&option=com_virtuemart&Itemid=1&vmcchk=1&Itemid=1

 

38- Literatura e Educação - Participação de Marília Cotomacci

http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/R8NO72BY5K5A/

 

39- Tempo Rio que Arrebata

http://editorasetembro.com.br/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage-vmblend.tpl&product_id=6&category_id=5&option=com_virtuemart&Itemid=8&vmcchk=1&Itemid=8

 

40- Margareth Brandini Park

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=P451784

 

41- Samba da Bênção

http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/86496/

 

42- Ser avós ou ser pais: Os papéis dos avós na sociedade contemporânea

http://revista.unati.uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-59282005000200006&lng=pt&nrm=iso

 

43-Representações sociais do idoso e da velhice de diferentes faixas etárias

http://revistas.javeriana.edu.co/index.php/revPsycho/article/viewFile/627/388

 

44- Cultura infantil e envelhecimento : o que as crianças têm a dizer sobre a velhice? : um estudo com meninos e meninas da periferia de Porto Alegre

http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/8929/000591048.pdf?sequence=1

 

45- “Avó é feminino e avô é masculino”: relações de gênero e entre gerações na perspectiva das crianças

http://www.sinteseeventos.com.br/ciso/anaisxvciso/resumos/GT10-01.pdf

 

46- Envelhecimento e dança: análise da produção científica na Biblioteca Virtual de Saúde

http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v16n1/a19v16n1.pdf

 

47-Análise dos benefícios da dança para a terceira idade

http://www.efdeportes.com/efd124/analise-dos-beneficios-da-danca-para-a-terceira-idade.htm

 

 

 

 

 

 

 

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