04 – Bibliofilia: de Olho na Estante

Nas últimas décadas tem se observado o desenvolvimento de um universo expressivo de pesquisas sobre nutrição e envelhecimento, em resposta a questões que emergem de áreas referentes à biologia aplicada, à intervenção clínica e às políticas sociais. Abordando esta área do conhecimento de maneira mais genérica, trazemos através deste post um índice de publicações em formato brochura disponíveis na web, esperando contribuir para a ampliação do debate sobre este tema tão relevante para a saúde e qualidade de vida das pessoas em idade mais avançada.

 

*  *  *

Até que ocorra a elucidação dos segredos mais profundos do DNA, da história evolutiva da nossa espécie e dos processos associados à senescência humana, há certamente um vasto universo a ser percorrido. Sabemos, no entanto, que por não ter raízes e nem ser capaz de realizar a fotossíntese, o homem necessita extrair fontes energéticas e substratos básicos para a sua sobrevivência através dos alimentos, do ar e da água.

Mediante o arsenal de conhecimentos que possuímos até o momento talvez não possamos resolver todas as questões nutricionais que trazem desconforto a uma parcela considerável das pessoas mais idosas. Mas será sempre possível começar pelo compromisso de se dar conta dos aspectos mais óbvios e elementares, pois como disse Goethe: “não basta saber, é preciso também aplicar; não basta querer, é preciso também fazer.”

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I – Subnutrição em um mundo que envelhece

 

A desnutrição crônica atinge atualmente 12,5% da população mundial, correspondendo à existência de uma pessoa subnutrida entre cada oito habitantes do planeta.

Segundo os últimos relatórios das Nações Unidas existem hoje no mundo 870 milhões de pessoas que não conseguem o acesso a uma alimentação básica que lhes permita ter uma vida normal e ativa. A presença de desnutrição é um marcador importante da existência de desigualdades em aspectos referentes à saúde, renda, habitação e proteção social. Ela é considerada o principal fator de risco isolado para a saúde das populações humanas na atualidade, e o maior problema mundial passível de resolução.

Entende-se que o crescimento econômico, embora necessário, não é suficiente para acelerar a redução da fome e da subnutrição. De acordo com os relatórios da ONU são necessárias políticas públicas propositivas mais específicas e mais abrangentes, que visem a prevenção e a redução dos índices alarmantes de desnutrição no mundo. (103) (104)

“…Reduzir a fome é mais do que apenas aumentar a quantidade de alimentos disponíveis,

é também aumentar a qualidade desses alimentos em termos de diversidade,

teor de nutrientes e segurança…” (136)

 

Gráfico: subnutrição no mundo em 2010-12 por região em milhões. (137)

 

A fome crônica é uma condição responsável na atualidade por um número de mortes superior ao daquelas causadas pela AIDS ou pela tuberculose.

Embora este cenário possa nos remeter mais de imediato ao panorama encontrado nas regiões mais pobres do planeta tais como a África Subsaariana, quando se faz um recorte sobre o que ocorre especificamente com as populações mais idosas, o desenho do mapa da desnutrição perde a sua nitidez geográfica e econômica passando a apresentar um caráter mais difuso.

A situação de “Insegurança Alimentar” afetava em 2008 quatro milhões de idosos nos Estados Unidos e cerca de 8% dos domicílios onde residiam pessoas idosas. Este perfil tinha seu predomínio entre camadas sociais menos favorecidas, em indivíduos com sobrepeso e obesidade, em idosos que viviam com os seus netos e entre aqueles que recebiam fornecimento de refeições em domicílio. A “insegurança alimentar” é definida como “uma disponibilidade limitada ou incerta de alimentos nutricionalmente adequados e seguros ou uma limitação ou habilidade incerta para adquirir alimentos aceitáveis de maneira socialmente aceitável”. (106)

“Malnutrition is both

a cause and a consequence of ill-health”. (23)

A alta prevalência de desnutrição nas pessoas idosas constatada a nível mundial, é considerada um problema de Saúde Pública frequentemente negligenciado, mesmo nas regiões que se encontram em níveis mais elevados de desenvolvimento socioeconômico. Nesta faixa etária as causas de desnutrição são de natureza mais complexa e multifatorial, envolvendo de forma interconectada questões de ordem biológica, clínica, mental, social e ambiental. (08) (150)

“Undernutrition is very common amongst the elderly. Risk factors for

protein- energy malnutrition include i) socio-economic factors, such as poverty

and social isolation, ii) psychological and mental factors, such as depression

and dementia, and iii) physical factors, such as impaired mobility, severe visual

deficit, poor dentition, chewing difficulties and somatic diseases (in particular

hyperthyroidism and hyperparathyroidism). In addition, undernutrition in

old age can also be linked to disability (limitations in basic and instrumental

activities of daily life – such as the need for help for shopping and meal

preparation, or feeding assistance). It can therefore be concluded that it

is possible that undernutrition in old age results from interactions between

ageing, social factors, psychological and medical difficulties and environment.”

Jean-Pierre Michel (01)

 

Uma pesquisa realizada recentemente a partir de uma base dados obtidos de vários países através da aplicação da Mini Avaliação Nutricional (MAN), evidenciou uma prevalência média de desnutrição em idosos de 22%, com variações que oscilaram entre os 50.5% observados em unidades de reabilitação e os 5.8% detectados em idosos vivendo na comunidade. Por outro lado os idosos em situação de risco nutricional corresponderam a 46.2% da amostra. Isso sinalizou que 2/3 da população observada apresentava evidências de algum desajuste nutricional. (107)

Esta análise foi obtida através de 24 estudos realizados em 12 países com abrangência dos cinco continentes, tendo sido considerados mais de seis mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos. Nesta amostra não houve representação da América Latina nem de países em particular que apresentam índices de pobreza sabidamente mais elevados.

“Over two-thirds of acute Geriatric Medical admissions to hospital and over 50% of

housebound, hostel and nursing home residents have some form of significant

undernutrition. At least 30% of independent community living elderly are

undernourished. 80% of undernutrition goes unrecognised.” (22)

 

Pesquisas apontam que em indivíduos idosos a detecção de risco nutricional tem correlação com o número de síndromes geriátricas pré-existentes, interagindo dessa forma para a cascata de condições fragilizantes.  A presença de depressão, demência, limitação funcional ou comorbidades múltiplas se associa frequentemente a um comprometimento mais significativo do estado nutricional. (108) (106) (89)

Em função da interatividade existente entre desnutrição doença e disfuncionalidade, a detecção de desnutrição tem sido mais elevada na população idosa avaliada em hospitais e em Instituições de Longa Permanência. Em contrapartida, a realização tanto de pesquisas quanto de intervenções nutricionais em pessoas idosas que vivem na comunidade, é de natureza mais complexa. (142)

“Illness is the most important cause of undernutrition in developed countries

and many patients are already undernourished when they are admitted to an institution,

but conditions at hospitals and care institutions may cause undernutrition to occur

or progress during the stay.” (140)

O rastreamento clínico-epidemiológico através de instrumentos simples tais como a “MAN” desenvolvido na Europa, ou o “SCREEN” desenvolvido no Canadá, pode detectar a situação de risco nutricional antes que um processo mais crítico de desnutrição se instale. Mesmo em se sabendo que a desnutrição em idosos tem etiologia multifatorial, recomendações nutricionais específicas podem auxiliar a reduzir a incidência ou a severidade de condições crônicas incapacitantes associadas à idade.        (37) (58) (141) (143)

 

Fonte: Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults” (141

Supõe-se na atualidade, que alguns nutrientes e componentes bioativos existentes nos alimentos, são potencialmente capazes de influenciar a expressão do genoma, possibilitando a melhora das condições de saúde e a prevenção de doenças degenerativas. Nesse sentido a alimentação e a nutrição teriam um efeito modulador sobre as condições de saúde e de doença, através de mecanismos bioquímicos que interconectam fatores ambientais com a expressão genômica. Estes mecanismos são considerados epigenéticos, e embora sejam externos aos genes, induzem uma plasticidade metabólica e comportamental com efeitos fenotípicos, que pode ser transmitida através das gerações. (111) (109) (110) (42)

Isso consiste em compreender que as experiências e o comportamento humano, neste caso, as experiências nutricionais e o comportamento alimentar, podem interferir tanto no destino biológico individual quanto nos destinos da espécie.

 

 

Dentro desse contexto entende-se que a experiência de desnutrição, seja ela causada por deficiência excesso ou desequilíbrio, interfere na expressão gênica, assim como, na estabilidade do genoma, propiciando de forma indireta uma cascata de respostas bioquímicas e metabólicas.

Já é de conhecimento, por exemplo, que questões nutricionais relacionadas à vida fetal ou materna têm alguns reflexos de longo prazo sobre a saúde, estando dentre eles, a composição corporal na vida adulta, o desenvolvimento cognitivo, e a longevidade.   (111) (112) (113) (114) (120) (176)

“Ageing is a lifelong process which begins its course as soon as birth. Several recent epidemiological studies have demonstrated that early-life health and socio-economic environment, during pregnancy, childhood and/or teenage periods may have unexpected significant repercussions

on the health status at midlife and older ages.” (01)

Populações submetidas a stress nutricional prolongado em função de carência alimentar, podem responder posteriormente apresentando uma maior tendência metabólica ao desenvolvimento de adiposidade, ou mesmo, expressando uma mudança das suas preferências alimentares com busca de alimentos mais calóricos. Esses efeitos de modulação tanto metabólica quanto comportamental explicam, ao menos em parte, a epidemia de sobrepeso observada na atualidade em países em desenvolvimento cujo PIB e índices de urbanização vêm se elevando. (111) (112) (115) (120)

 

 

Além de estar em franco processo de “Transição Demográfica”, o Brasil também passa atualmente por um processo de “Transição Nutricional”. Algumas pesquisas já vêm evidenciando um aumento da prevalência de desnutrição por sobrepeso entre os indivíduos idosos da população. (116) (175)

 

*  *  *

A desnutrição na pessoa idosa se relaciona a um “continuum”, dentro do qual, existe um amplo espectro de possibilidades mediadas por processos metabólicos inflamatórios e imunológicos que atuam de forma interativa e retroalimentadora.

Um estado de desajuste nutricional pode coexistir com a presença de um Índice de Massa Corpórea normal ou mesmo elevado. Já a presença de perda involuntária de peso, pode estar relacionada a pelo menos três síndromes metabólico-nutricionais relevantes: a inanição, a sarcopenia e a caquexia, sendo que esta última está habitualmente associada a um componente inflamatório persistente e à presença de patologias de maior impacto para a saúde global. (117) (144)

Nos últimos anos tem sido dada grande atenção a algumas síndromes de maior relevância nesta faixa etária tais como a fragilidade, a sarcopenia, a obesidade sarcopênica e a caquexia, todas diretamente relacionadas a questões nutricionais. A ênfase dada a estas síndromes se justifica por sua interferência na vulnerabilidade clínica e na predisposição à morbidade, com consequências significativas para a qualidade de vida. Para alguns autores esta condição de vulnerabilidade representa um processo dinâmico de “adaptação negativa” aos eventos estressores. (118) (144) (145)

A queda de apetite é uma condição relativamente frequente em pessoas idosas e pode estar relacionada a algumas condições patológicas de base. Em indivíduos com doença de Alzheimer, foi constatada a existência de uma correlação entre um Índice de Massa Corpórea baixo e a presença de atrofia em determinadas áreas do córtex cerebral envolvidas com o controle do comportamento alimentar e do apetite. (140)

Sabe-se que indivíduos mais idosos podem apresentar uma baixa eficiência metabólica para o aproveitamento dos nutrientes ingeridos. Este fenômeno pode ter impactos especiais na síntese proteica e mais particularmente na síntese de proteínas necessárias à preservação do tecido muscular e à eficiência da resposta imune. Em alguns casos ocorre uma verdadeira circunstância de“resistência anabólica” por parte do tecido muscular, e isso pode estar relacionado tanto à idade quanto à lipotoxicidade ou a existência de um estado pró-inflamatório. (14) (146) (147)

Por outro lado, a redução dos níveis de atividade física seja ela relacionada ao estilo de vida, à presença de doenças, ou a condições que limitam a funcionalidade, gera por si só mecanismos metabólicos de adaptação, que têm por consequência a tendência a uma maior turnover proteico com degradação e consumo da proteína muscular, ao aumento da resistência periférica à insulina, ao desenvolvimento de fraqueza progressiva e à desregulação imunológica. (119) (148) (167)

Este ciclo, portanto, acaba por se assemelhar de alguma forma à imagem arquetípica do“Ouroboros”: a serpente que está constantemente engolindo a sua própria cauda em um movimento vital infinito.  (178)

 

Os processos que envolvem os mecanismos biológicos do envelhecimento humano são extremamente dinâmicos e interdependentes, e o mesmo pode ser dito em relação às condições que contribuem para o desenvolvimento de patologias, condições crônicas e incapacidades. A cada dia novas conexões são identificadas nestes processos, sugerindo que se deva desenvolver uma visão mais sistêmica sobre esses fenômenos.

Para exemplificar trazemos o conceito de “metaorganismo”, que incorpora uma visão mais holística do que seja o organismo humano a partir da observação das suas interações com a microbiota que habita o trato digestivo. Para Biaggi e cols, existem conexões relevantes entre um indivíduo idoso a sua microbiota intestinal e o bolo alimentar, relacionadas tanto a um processo de co-evolução entre as espécies, quanto a interferências sobre a resposta imunológica e inflamatória do hospedeiro humano.  Nesse sentido tem sido dada ênfase a pesquisas no campo dos possíveis efeitos benéficos de alimentos nutracêntricos para os indivíduos idosos, mais especificamente, daqueles que apresentam propriedades pró-bióticas. (121) (41) (160)

“The manipulation of the gut microbiota and of the diet,

owing to their immunomodulatory and anti-inflammatory properties,

represents a powerful tool to extend healthy ageing and lifespan”. (122)

Outro conceito interessante formulado nos últimos anos a partir de pesquisas no campo da biologia aplicada refere-se ao “inflamm-aging”. Este modelo teórico pressupõe a existência de um processo inflamatório crônico durante a etapa da velhice humana, relacionado primariamente a mecanismos evolucionários. Esse estado pró-inflamatório de caráter multissistêmico, tem interfaces com algumas síndromes metabólicas e imunológicas condizentes com a vulnerabilidade e a menor resiliência homeostática da pessoa idosa, que interferem por consequência com a sua capacidade adaptativa, inclusive nos aspectos nutricionais. Algumas pesquisas vêm identificando que em indivíduos e populações que atingem uma longevidade extrema, tais como os centenários, ocorre um fenômeno imunológico inverso com características “anti-inflamatórias”. (123) (122) (147) (177)

“Among the different factors that can modulate ageing and inflamm-ageing, nutrition plays a pivotal

and fascinating role. Indeed, nutrition, impinging upon immune system and inflammation, can be a

trigger for both pathogenic and protective processes during the entire lifespan. Accordingly, nutrition is

probably the most powerful and pliable tool that we have to attain a chronic and systemic modulation of

ageing process, towards an enhancement of health status of the elderly population.” (122)

Teorias que trazem reflexões sobre a relação entre os hábitos alimentares e aspectos evolucionários da espécie humana já defenderam até recentemente que a nossa espécie está passando por uma fase de transição e tentativa de adaptação, uma vez que o seu genoma foi moldado ancestralmente em circunstâncias ambientais que demandavam um alto esforço energético para o acesso ao alimento. O estilo de vida mais sedentário observado na atualidade e o uso de alimentos naturais ou industrializados de alta densidade calórica, estariam contribuindo nesta circunstância para uma situação de desajuste na relação demanda-oferta, propiciando o surgimento de situações metabólicas desfavoráveis do ponto de vista evolutivo para a sobrevivência saudável. Este aspecto em particular tem repercussões cotidianas tanto em idades mais jovens, quanto nas fases mais avançadas da vida quando o Índice Metabólico Basal (gasto energético dispensado para o metabolismo basal) é naturalmente menor. (124) (114) (33)

A chamada “teoria da restrição calórica”, embora ainda controversa, foi desenvolvida progressivamente a partir da década de 1930 e trouxe contribuições importantes para a compreensão de alguns processos biológicos de base, relacionados à modulação da senescência e da longevidade.  A teoria demonstrou que mamíferos em idade jovem submetidos regularmente a um stress leve gerado por restrição calórica moderada em sua dieta, respondem com mecanismos metabólicos defensivos e favoráveis à sobrevivência. Esta restrição calórica funcionaria enquanto um sinalizador ambiental, não significando, entretanto, que os níveis desta restrição devam ser potencialmente capazes de causar subnutrição ou que tenham efeito quando aplicados a partir de idades mais avançadas. (138) (125)

 

“Segredo para uma vida longa:

pouca cama, pouco prato, muita sola de sapato.”

 

II- Os enigmas se escondem nas Pirâmides

 

“É a riqueza, e não a escassez quem torna as pessoas famintas”

Dinyar Godrej

(127)

  

A estruturação conceitual da Pirâmide Alimentar para a pessoa idosa desenvolvida em 2007 pela Universidade de Tuffs deu ênfase a alimentos de alta densidade nutricional incluindo em sua base dois outros aspectos fundamentais para a melhor incorporação dos nutrientes: a água e a atividade física regular. (126)

 

(Autor desconhecido)

Fonte: “Modified MyPyramid for Older Adults” (126)

 

Se o estilo de vida pode ser atribuído ao menos em parte às escolhas individuais, o mesmo não pode ser afirmado em relação às condições de vida. Paralelamente à proposta da pirâmide alimentar, pode ser pensada a existência de uma “Pirâmide da Desnutrição”que sinalize entre as suas engrenagens o padrão de injustiça social e desigualdade social ainda prevalente na pós-modernidade, o estilo de vida inativo ou sedentário sócio-historicamente construído e o alimento sendo apresentado enquanto mercadoria sob uma lógica de política de mercado. (111)

 

Proposta para uma “Pirâmide da Desnutrição”

 

“Hace más de 3500 años colapsó en forma repentina el antiguo imperio egipcio, el gobierno central se desmorono y su fracaso fue total, la omnipotencia de los faraones se hundió y todo Egipto conoció una era oscura que abarcó mas de 100 años. Todo el esplendor de um imperio famoso y exitoso

pasó de la estabilidad al caos, de la exuberancia alimentaria a la horrenda hambruana

y de la hartura a la espantosa desnutrición” (176)

Se há mais de três mil anos passados a fome que assolou o Egito dos Faraós pode ter sido ocasionada por fatores ambientais e climáticos de ordem mais natural, diversos fatores ambientais da atualidade são certamente resultantes da decisão e manipulação humana dos recursos disponíveis.

Metade da produção de grãos do planeta é destinada atualmente à alimentação de gado nos pastos. Uma parte considerável da agricultura mundial está sendo redirecionada para a produção de biocombustíveis. Produtos industrializados sofisticados estão tentando cada vez mais substituir os alimentos “in natura”. Preços de insumos básicos são modulados pela bolsa de valores.  De fato, várias mudanças ocorridas após a 2ª grande guerra nos padrões alimentares da população ocidental ou “ocidentalizada”, foram induzidas pelas políticas econômicas e de produção agrícola a nível mundial. (112)

No texto entitulado “A fome em tempos de plenitude”, Dinayr Godrej apresenta algumas considerações bem reflexivas sobre este tema conectando-as a questões referentes à velhice. Para o autor, a humanidade está criando alienígenas “Marcianos” na medida em que o estilo de vida sofisticado está gerando na sociedade um distanciamento ou mesmo uma verdadeira cegueira para a realidade que existe ao redor.  (127)

Além da subnutrição ainda altamente prevalente no mundo, observa-se na atualidade um paradoxo referente à coexistência entre pobreza e obesidade. O jornal The New York Times publicou recentemente uma matéria com este título: In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion.” Já a rede CNN deu o seguinte título a uma reportagem sobre este mesmo tema: “Poor and fat: The real class war”. Ao agregar esses dois conceitos, vislumbra-se uma guerra de classes induzindo a uma epidemia contagiosa de desnutrição por sobrepeso nos extratos sociais menos favorecidos, relacionada a uma ingesta desproporcional de alimentos calóricos. Trata-se do chamado“Paradoxo da Desnutrição”. (128) (129) (174)

Finalmente, a terceira pirâmide apresenta de modo genérico e em termos percentuais, o padrão das condições de saúde e funcionalidade em populações mais idosas.  O percentual de indivíduos em situação de maior fragilidade ou vulnerabilidade pode oscilar entre 25 e 40 % da população. Cabe ressaltar neste modelo, que nas regiões onde existem condições socioeconômicas menos favoráveis, os percentuais apresentados em cada nível desta pirâmide se manifestam em faixas etárias inferiores, o que se traduz pela expectativa de vida em presença de incapacidade. (33)

 

 

Partindo do pressuposto de que mecanismos genéticos aliados a circunstâncias ambientais interferem em aspectos que vão da escolha do alimento ao acesso propriamente dito aos alimentos, assim como, nos efeitos nutricionais e metabólicos que determinada alimentação irá deflagrar sobre o binômio “saúde-doença”, inclusive na velhice, entende-se que seja importante incorporar a este discurso as noções de justiça social e ambiental e a dos chamados “direitos fundamentais de terceira geração”.

Por conceito, estes direitos são de natureza coletiva e difusa implicando em uma visão de conectividade mais solidária entre os povos as culturas as nações e as gerações, se contrapondo de alguma forma ao fenômeno da “globalização” que se fundamenta em questões referentes à economia e ao mercado.

Trata-se de direitos relacionados à qualidade da vida, aos valores fundamentais e ao patrimônio em comum do gênero humano. Ainda segundo o filósofo italiano Norberto Bobbio, estes conceitos defendem que caberia à humanidade utilizar o conhecimento já produzido até o momento para “conduzir o processo histórico em benefício de todos”.  Esta visão, portanto, ultrapassa as noções mais específicas do direito individual e coletivo para adentrar pelo campo de questões referentes à própria ética da humanidade.   (131) (154) (155) (156) (157)

“Malnutrition is an important marker for inequalities in health, social care and housing,

between regions and within localities.” (08)

Embora seja inegável que o avanço tecnológico e biomédico tem contribuído de forma substancial para o desenvolvimento de intervenções e terapias nutricionais voltadas para a prevenção e a melhora de distúrbios nutricionais específicos em pessoas idosas, a possibilidade de acesso a uma alimentação básica saudável é uma questão que deve ser lembrada regularmente.

“The message could not be clearer: malnutrition is highly prevalent and leads to poor clinical outcomes. Solutions are available and effective nutritional support improves clinical outcomes

and is cost-effective. The time to act is now.” (10)

 

*  *  *

Os três elementos básicos para uma condição de Segurança Alimentar a qualquer idade são:

a Quantidade Suficiente, a Regularidade de Refeições

e a Qualidade do Alimento.

A alimentação humana é um ato voluntário e em certos aspectos consciente, sendo fortemente influenciado pela cultura, por diversas circunstâncias ambientais e por condições de ordem mais biológica.  Em contrapartida, a nutrição é um processo bioquímico e metabólico de natureza totalmente involuntária e inconsciente. (59)

Os efeitos nutricionais e metabólicos da alimentação na população mais idosa são de natureza biológica bem mais complexa, demandando abordagens especiais no quesito referente à qualidade. Entretanto, toda essa cadeia de eventos necessários à incorporação eficiente de nutrientes, terá sempre o seu início condiçionado pela oferta e pelo acesso ao alimento.

Alguns países já adotam programas regulares de fornecimento de alimentação no domicílio ou em restaurantes comunitários como parte das políticas públicas de segurança alimentar para a população idosa em situação de vulnerabilidade.

Segundo um relatório deste programa nos Estados Unidos, que em 2008 atendia a três milhões de idosos, 73% dos indivíduos atendidos apresentavam risco nutricional elevado e 25% um risco coconsiderado moderado. Neste grupo, 11% dos idosos não tinham acesso ao alimento adequado por questões econômicas, enquanto os demais tinham dificuldades de acesso em função de questões de ordem funcional, clínica ou social. Já em regiões como o Zimbabwe, a insegurança alimentar da população idosa está também relacionada à incapacidade dos idosos para produzirem o seu próprio alimento através do trabalho na agricultura doméstica. (132) (133)

Um estudo de base populacional realizado recentemente no Brasil com base nos dados do PNAD 2004, evidenciou que 29% dos domicílios cujos chefes são idosos apresentavam circunstâncias de insegurança alimentar. Esta prevalência elevada de situação de risco apresentou algumas características de regionalidade ao longo do país, sendo mais crítica nas regiões Norte e Nordeste. Um dos grupos com maior evidência de vulnerabilidade se referiu aos idosos pertencentes aos povos indígenas. (134) (159)

 

“Em comparação com outros países, no Brasil o risco de morrer de desnutrição na velhice

é 71% maior do que nos EUA e 32,13% maior do que na Costa Rica.” (158) 

 

Por outro lado, mesmo em áreas metropolitanas de regiões mais desenvolvidas do país, as questões referentes à alimentação e nutrição em pessoas idosas são desafiadoras. Uma pesquisa transversal e bem abrangente realizada com idosos em uma Instituição de Longa Permanência filantrópica em Minas Gerais, observou que, apesar daquele grupo estar sendo atendido por um programa público de suporte para a insegurança alimentar, havia uma prevalência relevante de risco nutricional, sobrepeso e subnutrição. Estes resultados foram atribuídos, ao menos em parte, à cultura de hábitos alimentares, vivenciada por aquela comunidade.  (139)

Uma publicação de 2012 originada da cidade de Madrid apresentou uma pesquisa referente à elaboração de um cardápio direcionado a idosos, que fosse nutricionalmente saudável e economicamente barato.  Essa pesquisa foi motivada a partir da constatação de que os idosos no país apresentam dificuldades de ordem financeira para ter acesso a uma alimentação adequada. Estimou-se recentemente que a população idosa na Espanha apresenta índices de obesidade sarcopênica que alcançam os 15%.  (149) (35)

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Das culturas à espiral do DNA, das macropolíticas às práticas cotidianas, da ciência ao senso comum, o “Ouroboros” traz a sua parcela de contribuição, revelando a interconectividade e interdependência dos processos envolvidos no binômio saúde-doença.

Sob a ótica proposta por Edgar Morin, um defensor do pensamento complexo e atualmente com 92 anos de idade, a ciência moderna precisa transcender as concepções estreitas sobre os fenômenos que pretende observar, uma vez que se torna mais coerente quando consegue ampliar a sua base conceitual. Nesse sentido, um processo de religação entre os diversos saberes pode contribuir para o desenvolvimento de uma compreensão mais profunda, do que possa ser enfim, esse “Homo complexus”. (152) (153) (154)

 

*  *  *

 

 

III-  Mensagens dos Especialistas

 

“La preocupación de los países por el hambre se evidencia en diferentes momentos del tiempo,

partiendo de La “Declaración Universal de Derechos Humanos en 1948”,

la cual reconoce como derecho de la persona el de vivir libre del hambre y de la malnutrición.” (174)

 

 

“As our population grows older, the issue of malnutrition in this age group will have even larger public

health consequences, unless a coordinated action plan is put in place.” (18)

 

“During the past decades, malnutrition has attracted increasing scientific attention and is by now regarded as a true geriatric syndrome characterized by multifactorial causality, identified by symptoms and accompanied by frailty, disability and poor outcome….

…Despite the fact that effective interventions are available, prevention and treatment of malnutrition do not currently receive appropriate attention.” (150)

 

“Certain groups are more at risk of malnutrition, including older people. The causes of malnutrition

in older people are social, economic and clinical. Much of malnutrition is preventable.

Effective and cost-effective interventions exist. These interventions are not only clinical.

For example, social support networks can restore eating as a social activity for older people,

and prevent the social isolation that can often lead to malnutrition.” (10)

 

 

”Malnutrition costs. It costs older people by exacerbating disease, by increasing disability,

by decreasing their resistance to infection, and by extending their hospital stays. It costs

caregivers by increasing worry and caregiving demands. The entire country pays for health

care costs related to this increase in complication rates, increasing hospital stays, and

increasing mortality rates. Malnutrition costs people and it costs dollars.” (135)

 

 

“ Numerous studies have shown that when older persons lose weight, they have a doubling in their risk of death, even when they are overweight.. This is true even in persons who have diseases due to obesity such as diabetes mellitus. Weight loss also increases the chance of an older person having a hip fracture or being institutionalized. There are six major causes of weight loss, namely anorexia, cachexia, malabsorption, hypermetabolism, dehydration and sarcopenia.” (151)

 

 

“The intrinsic defects that develop in the immune system during aging are further intensified by the absolute or relative deficiency in the elderly of several nutrients with known immune-enhancing properties. Therefore, nutritional intervention has been recognized as a practical, cost-effective approach to attenuating age-associated decline in immune function, vaccination efficiency, and resistance to infectious and neoplastic diseases.” (160)

 

 

“• Malnutrition must be actively identified through screening and assessment;

• Malnourished individuals and those at risk of malnutrition must have appropriate care pathways;

• Frontline staff in all care settings must receive appropriate training

on the importance of good nutritional care;

• Organisations must have management structures in place to ensure best nutritional practice.” (19)

 

“An algorithm for managing undernutrition has been developed. It focuses early on in offering food choices and high calorie food after which caloric supplements can be considered. It highlights the need to focus on diagnosing and treating treatable causes of protein energy wasting. The basis of the management of undernutrition is to provide adequate food.” (151)

 

 

“…The risk and prevalence of malnutrition increases with age. Solving the problem of malnutrition among older people is not only a public health imperative; it could also yield important economic benefits. Finding solutions in the community is more complex than within a ‘closed’ hospital

or clinical setting – it requires gathering a broad array of stakeholders, getting different professionals

to work together and speak the same language.

…malnutrition is a prime candidate for such joint thinking: its roots are social as well as clinical, and addressing it requires solutions that span across the social and health fields. The critical and growing role played by the voluntary sector, community service providers, and informal carers

must also be taken into consideration in any proposed solutions…” (08)

 

“To accelerate hunger reduction, economic growth needs to be accompanied by purposeful and decisive public action. Public policies and programmes must create a conducive environment for pro-poor long-term economic growth. Key elements of enabling environments include provision of public goods and services for the development of the productive sectors, equitable access to resources by the poor, empowerment of women, and design and implementation of social protection systems. An improved governance system, based on transparency, participation, accountability, rule of law and human rights, is essential for the effectiveness of such policies and programmes.” (104)

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IV- Publicações sobre Alimentação e Nutrição na pessoa idosa

 

“…da percepção à teoria científica, todo conhecimento é uma reconstrução/tradução por um espírito/cérebro, em uma cultura e em um tempo determinados…”

(Edgar Morin in: 153)

 

Partindo de alguns aspectos “macro” de ordem econômica política e social e bisbilhotando pelo universo de elementos “micro”, relacionados à alimentação nutrição saúde e longevidade da pessoa humana, trouxemos um texto introdutório de contextualização para este post, tendo por objetivo central a apresentação de algumas publicações disponíveis na web sobre esta temática.

Trata-se de uma coleção com 105 brochuras em formato eletrônico, composta por manuais, guias, relatórios, documentos técnicos, cartilhas, etc, que abordam o tema através de enfoques diversos.

Caso alguma destas publicações não se encontre mais disponível através do site de origem indicado, poderá ser acessada a partir dos arquivos internos do gerontologiaonline mediante solicitação por e-mail.

Esperamos que estas indicações sejam de bom proveito!

 

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01/3348 – Nutrition – Ageing and Longevity

02/3357 – HANDBOOK OF CLINICAL NUTRITION AND AGING

03/1903- Evaluación y Control Nutricional Del Adulto Mayor en Primer Nivel de Atenció

04/1906- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

05/1642- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

06/1912- Improving Outcomes in CHRONIC DISEASES WITH SPECIALIZED NUTRITION INTERVENTION

07/2610-  Sarcopenia: consenso europeo sobre su definición y diagnóstico. Informe del Grupo europeo de trabajo sobre la sarcopenia en personas de edad avanzada

08/3329- Malnutrition among Older People in the Community. Policy Recommendations for Change

09/ 3324- A review and summary of the impact of malnutrition in older people and the reported costs and benefits of interventions

10/3331- Malnutrition within an ageing population: a call for action

11/3338- CONSENSO NACIONAL DE NUTRIÇÃO ONCOLÓGICA. VOLUME II

12/ 0313- I Consenso Brasileiro de Nutrição e Disfagia em Idosos hospitalizados

13/ 1419- NUTRICIÓN EN EL ANCIANO FRÁGIL.

14/ 0094- The Role of Nutrition in Accretion, Retention, and Recovery of Lean Body Mass

15/ 0339- EUROPEAN COMMISSION. Nutrition & ageing workshop

16/ 0920- Alimentação saudável para a pessoa idosa. Um manual para profissionais de saúde

17/0008-  Keep fit for life. Meeting the nutritional needs of older persons

18/ 1919- Nutrition and Health in an Ageing Population

19/1877- Malnutrition Matters- Meeting Quality Standards in Nutritional Care

20/ 3323- NICE support for commissioners and others using the quality standard on nutrition support in adults

21/3358 – Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary

22/2387- Nutritional Care of the Housebound Elderly

23/2385- Nutrition Support for Adults. Oral Nutrition Support, Enteral Tube Feeding and Parenteral Nutrition

24/ 2050- PUESTA AL DÍA SOBRE ANCIANO Y NUTRICIÓN

25/1174- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

26/1644- Effectiveness of interventions to promote healty eating in elderly people living in the community: a  review

27/1918- Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

28/ 1902- Manual de atención AL ANCIANO DESNUTRIDO en el nivel primario de salud

29/ 3366 – Terapia Nutricional para Pacientes na Senescência (Geriatria)

30/ 2388- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

31/ 1391- El anciano frágil

32/2609- Prevención, Diagnóstico  y Tratamiento del Síndrome de Fragilidad en el Anciano

33/3380- Good Food for Healthy Ageing

34/3372-Managing Adult Malnutrition in the Community

35/1449 – Guía de buena práctica clínica en estado nutricional y productos lácteos en la tercera edad

36/1909- The Role of Nutrition and Functionality in Ageing

37/1911-The MNA® revisited: what does the data tell us?

38/1929- EURONUT-SENECA STUDY ON NUTRITION AND THE ELDERLY IN EUROPE: FORMULATIONS

39/1908- Impacting Outcomes With Nutrition

40/2569- Retos de la nutrición em el siglo XXI ante el envejecimiento poblacional

41/3370- Older people and functional foods

42/3335- Epigenética e nutrição

43/ 3322- Malnutrition in Later Life:Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Care Homes

44/ 3325- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Hospitals

45/ 3326- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. A Local Community Approach

46/3371-Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

47/ 3346- Elderly Nutrition Program. Policies and Application Instructions

48/ 1913- Pressure ulcer prevention and treatment: The relationship between lean body mass, nutrition, and healing

49/3340- NUTRICIÓN DEL ANCIANO

50/1928- Estado nutricional, insatisfação em relação ao peso atual e comportamento relacionado ao desejo de emagrecer na cidade de São Paulo

51/3330- The Psycho-Social Aspect of Malnutrition and Seniors

52/3359- Nutrição para Idosos

53/2386- EVALUATION REPORT FOR THE ‘NUTRITION FOR ONE OR TWO’ PILOT FOR COMMUNITY DWELLING FRAIL AGED PEOPLE LIVING IN SOUTH EAST QUEENSLAND FINAL REPORT

54/3379 – Older People Living in the Community – Nutritional Needs, Barriers and Interventions: a Literature Review

http://www.scotland.gov.uk/Resource/Doc/294929/0091270.pdf

 

55/3343- Family Economics and Nutrition Review – Special Issue- Elderly Nutrition

56/3349- Healthy Mouth, Healthy Ageing. ORAL HEALTH GUIDE FOR CAREGIVERS OF OLDER PEOPLE

http://www.healthysmiles.org.nz/assets/pdf/HealthyMouth,HealthyAgeing.pdf

57/3360- ORAL HEALTH IN AGEING SOCIETIES: INTEGRATION OF ORAL HEALTH AND GENERAL HEALTH

http://whqlibdoc.who.int/publications/2008/9789241594501_eng.pdf

58/ 0208- Avaliação do Estado Nutricional de Idosos

http://www.nestle-nutricaodomiciliar.com.br/Files/documentos/AVALIACAO%20EST%20NUT.pdf

59/ 1904- NUTRICIÓN Y VALORACIÓN DEL ESTADO NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

http://ccp.ucr.ac.cr/bvp/pdf/vejez/matia-nutricion_y_valoracion.pdf

60/ 1176- VALORACIÓN NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

61/ 1935- A guide to completing the Mini Nutritional Assessment – Short Form (MNA®-SF)

64/ 3278- HIDRATACIÓN EN LAS PERSONAS MAYORES

65/ 1920- MALNUTRITION AND DEHYDRATION IN NURSING HOMES: KEY ISSUES IN PREVENTION AND TREATMENT

66/ 2579-Guidelines to Effective Hydration in Aged Care Facilities

67/3351- Patient safety and nutrition and hydration in the elderly

68/3352- Promoting nutrition in care homes for older people

69/3345- Manual de planificación de dietas en centros sociosanitarios

70/1932- Nutrition and Nutritional Care of Elderly People in Finnish Nursing Homes and Hospitals

71/3376- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

72/3327- CALCIUM, VITAMIN D AND OSTEOPOROSIS. A Guide for Pharmacists

73/3344- Calcium & Vitamin D Nutrition in the Elderly

http://ocw.tufts.edu/data/18/303785.pdf

74/0182- Mantenerse en forma para la vida: necesidades nutricionales de lós adultos mayores

75/0186- Alimentación y Alzheimer. Recomendaciones para hacernos mayores de manera activa y saludable.

76/0502- Sabor y Salud. Taller de alimentación saludable para personas mayores

77/1447- Nutrición y cuidados del adulto mayor. Recomendaciones para una alimentación saludable

78/1814- Eating well for older people

79/2142- Eating well: supporting older people and older people with dementia. Practical guide

80/2350- What’s On Your Plate? Smart Food Choices for Healthy Aging

81/3336 – Alimentação Saudável. Sempre é tempo de aprender

82/3341- Guíade ALIMENTACION para PERSONAS MAYORES

83/3350-Nutrition Guidelines for Older People

84/3362- GUÍA de BUENA PRÁCTICA CLÍNICA para una alimentación cardiosaludable

85/1905- REQUERIMIENTOS NUTRICIONALES EN LA TERCERA EDAD

86/3374- Food and Nutrition Guidelines for Healthy Older People

87/3373- Enhancing nutritional care

88/0473- A physician’s guide to NUTRITION IN CHRONIC DISEASE MANAGEMENT for older adults

89/1921- Malnutrition in the Older Adult

90/3375- DIETA, NUTRICIÓN Y PREVENCIÓN DE ENFERMEDADES CRÓNICAS

91/1923- DIET, NUTRITION AND THE PREVENTION OF CHRONIC DISEASES

92/1933- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

93/2001- Estrategia mundial sobre régimen alimentario, actividad física y salud

94/2011- Global Strategy on Diet, Physical Activity and Health

95/2007- Fruit and vegetables for health : Report of a Joint FAO/WHO Workshop, 1-3 September, 2004, Kobe, Japan.

96/2009- Effectiveness of interventions and programmes promoting fruit and vegetable intake

97/1934- The Nutrition Safety Net * Help for the Elderly and Disabled

98/1926- Food safety for older adults

99/1927- Older Americans Act – Nutrition Programs Toolkit

100/3347-Food security and livelihoods interventions for older people in emergencies

101/3355- Senior Nutrition Program Annual Report

102/3356- Recommendations for a national food and nutrition policy for older people

103/3333- THE STATE OF FOOD AND AGRICULTURE – FAO

104/3334 – The State of Food Insecurity in the World

105/3377- Global nutrition policy review. What does it take to scale up nutrition action?

 

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Links externos relacionados

106- Challenges and New Opportunities for Clinical Nutrition Interventions in the Aged

107- Frequency of Malnutrition in Older Adults: A Multinational Perspective Using the Mini Nutritional Assessment

108- Malnutrition in the elderly and its relationship with other geriatric syndromes

109- Epigenetics: A New Bridge between Nutrition and Health.

110- Nutritional influence on epigenetics and effects on longevity

111- Aging and Longevity: Why Knowing the Difference Is Important to Nutrition Research

112- NOW AND THEN: The Global Nutrition Transition: The Pandemic of Obesity in Developing Countries

113- NUTRITION: A PARADIGM SHIFT IN AGING CONCEPT?

114- Evolution of the human lifespan and diseases of aging: Roles of infection, inflammation, and nutrition

115- Nutrigenetics and Nutrigenomics: Viewpoints on the Current Status and Applications in Nutrition Research and Practice

116- Estado nutricional e condições de saúde da população idosa brasileira: revisão da literatura

117- Loss of skeletal muscle mass in aging: Examining the relationship of starvation, sarcopenia and cachexia

118- Consensus definition of sarcopenia, cachexia and pre-cachexia: Joint document elaborated by Special Interest Groups (SIG) ‘‘cachexia-anorexia in chronic wasting diseases’’ and ‘‘nutrition in geriatrics’’

119- Dietary protein recommendations and the prevention of sarcopenia. Protein, amino acid metabolism and therapy

120- Birth cohort differences in anthropometric measures in the older elderly: the Bambuí cohort study of aging (1997 and 2008)

121- Aging of the human metaorganism: the microbial counterpart.

122- Inflamm-ageing

123- Understanding how we age: insights into inflammaging

124- Diet, evolution and aging. The pathophysiologic effects of the post-agricultural inversion of the potassium-to-sodium and base-to-chloride ratios in the human diet

125- Toward a unified theory of caloric restriction and longevity regulation

126- Modified My Pyramid for Older Adults

127- Hunger In A World Of Plenty

128- In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion

129- Poor and fat: The real class war

130- Nutritional Recommendations for the Management of Sarcopenia

131- Direitos de Terceira Geração e Cidadania

132- Elderly Nutrition Program

133- Enhancing Social Support System for Improving Food Security Among the Elderly Headed Household in Communal Areas of Zimbabwe

134- Segurança alimentar em domicílios chefiados por idosos, Brasil

135- Old Age Hunger in the United States

136- Quase 870 milhões de pessoas no mundo estão subnutridas – novo relatório sobre a fome

https://www.fao.org.br/q870mpmesnrsf.asp

137- Hunger Portal

138- Epigenetic regulation of caloric restriction in aging

139- Nutritional Status and Associated Factors in Institutionalized Elderly

140- Nutritional status among older residents with dementia in open versus special care  units in municipal nursing homes: an observational study

141- Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults

142- Home-Living Elderly People’s Views on Food and Meals

143- SCREEN: Seniors in the Community Risk Evaluation for Eating and Nutrition

144- Malnutrition, fatigue, frailty, vulnerability, sarcopenia and cachexia: overlap of clinical features.

145- Is sarcopenia the best determinant of frailty?

146- Role and potential mechanisms of anabolic resistance in sarcopenia.

147- Chronic low-grade inflammation and age-related sarcopenia

148- Skeletal muscle loss: cachexia, sarcopenia, and inactivity.

149- Planificación alimenticia en personas mayores: aspectos nutricionales y econômicos

150- Malnutrition in Older Adults – Urgent Need for Action: A Plea for Improving the Nutritional Situation of Older Adults

151- Undernutrition in older adults.

152- Considerações de Edgard Morin e a teoria de saúde e doença

153- A complexidade e a religação de saberes interdisciplinares: contribuição do pensamento de Edgar Morin

154- Ética em Saúde: complexidade, sensibilidade e envolvimento

155- Os Direitos Humanos na Idade Moderna e Contemporânea.

156- CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DIREITOS TRANSINDIVIDUAIS

157- Bobbio e a Era dos Direitos

158- Avaliação do idoso desnutrido

159- EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM ABORDAGEM TRANSCULTURAL: o padrão alimentar do idoso indígena

160- The role of nutrition in enhancing immunity in aging.

161- Aging and longevity: why knowing the difference is important to nutrition research.

162- As conseqüências das deficiências nutricionais, associadas à imunossenescência, na saúde do idoso

163- Carências nutritivas no idoso

164- La nutrición del anciano como un problema de salud pública

165- Nutrition and Aging: Changes in the Regulation of Energy Metabolism With Aging

166- Linking Nutrition, Maturation and Aging: From Thrifty Genes to the Spendthrift Phenotype

167- Sarcopenia with limited mobility: an international consensus.

168- Sarcopenia: A useful paradigm for physical frailty

169- ICSR 2012- International Conference on Sarcopenia Research

170- FRAILTY: A Report from the 3 rd Joint Workshop of IAGG/WHO/SFGG, Athens, January 2012

171- Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary.

Institute of Medicine (US) Food and Nutrition Board. Successful Intervention Models in the Community Setting

172- Nutrition in Severe Dementia

173- Determinantes del riesgo de desnutrición en los adultos mayores de la comunidad: análisis secundario del estudio Salud, Bienestar y Envejecimiento (SABE) en México

174- La paradoja de la malnutrición

175- La malnutrición en los países en vías de desarrollo: un cambio de apariencia

176- Desnutrición y cerebro

177- Genetics of longevity. data from the studies on Sicilian centenarians

178- Ouroboros

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