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Arianna

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Nas últimas décadas tem se observado o desenvolvimento de um universo expressivo de pesquisas sobre nutrição e envelhecimento, em resposta a questões que emergem de áreas referentes à biologia aplicada, à intervenção clínica e às políticas sociais. Abordando esta área do conhecimento de maneira mais genérica, trazemos através deste post um índice de publicações em formato brochura disponíveis na web, esperando contribuir para a ampliação do debate sobre este tema tão relevante para a saúde e qualidade de vida das pessoas em idade mais avançada.

 

*  *  *

Até que ocorra a elucidação dos segredos mais profundos do DNA, da história evolutiva da nossa espécie e dos processos associados à senescência humana, há certamente um vasto universo a ser percorrido. Sabemos, no entanto, que por não ter raízes e nem ser capaz de realizar a fotossíntese, o homem necessita extrair fontes energéticas e substratos básicos para a sua sobrevivência através dos alimentos, do ar e da água.

Mediante o arsenal de conhecimentos que possuímos até o momento talvez não possamos resolver todas as questões nutricionais que trazem desconforto a uma parcela considerável das pessoas mais idosas. Mas será sempre possível começar pelo compromisso de se dar conta dos aspectos mais óbvios e elementares, pois como disse Goethe: “não basta saber, é preciso também aplicar; não basta querer, é preciso também fazer.”

*  *  *

I – Subnutrição em um mundo que envelhece

 

A desnutrição crônica atinge atualmente 12,5% da população mundial, correspondendo à existência de uma pessoa subnutrida entre cada oito habitantes do planeta.

Segundo os últimos relatórios das Nações Unidas existem hoje no mundo 870 milhões de pessoas que não conseguem o acesso a uma alimentação básica que lhes permita ter uma vida normal e ativa. A presença de desnutrição é um marcador importante da existência de desigualdades em aspectos referentes à saúde, renda, habitação e proteção social. Ela é considerada o principal fator de risco isolado para a saúde das populações humanas na atualidade, e o maior problema mundial passível de resolução.

Entende-se que o crescimento econômico, embora necessário, não é suficiente para acelerar a redução da fome e da subnutrição. De acordo com os relatórios da ONU são necessárias políticas públicas propositivas mais específicas e mais abrangentes, que visem a prevenção e a redução dos índices alarmantes de desnutrição no mundo. (103) (104)

“…Reduzir a fome é mais do que apenas aumentar a quantidade de alimentos disponíveis,

é também aumentar a qualidade desses alimentos em termos de diversidade,

teor de nutrientes e segurança…” (136)

 

Gráfico: subnutrição no mundo em 2010-12 por região em milhões. (137)

 

A fome crônica é uma condição responsável na atualidade por um número de mortes superior ao daquelas causadas pela AIDS ou pela tuberculose.

Embora este cenário possa nos remeter mais de imediato ao panorama encontrado nas regiões mais pobres do planeta tais como a África Subsaariana, quando se faz um recorte sobre o que ocorre especificamente com as populações mais idosas, o desenho do mapa da desnutrição perde a sua nitidez geográfica e econômica passando a apresentar um caráter mais difuso.

A situação de “Insegurança Alimentar” afetava em 2008 quatro milhões de idosos nos Estados Unidos e cerca de 8% dos domicílios onde residiam pessoas idosas. Este perfil tinha seu predomínio entre camadas sociais menos favorecidas, em indivíduos com sobrepeso e obesidade, em idosos que viviam com os seus netos e entre aqueles que recebiam fornecimento de refeições em domicílio. A “insegurança alimentar” é definida como “uma disponibilidade limitada ou incerta de alimentos nutricionalmente adequados e seguros ou uma limitação ou habilidade incerta para adquirir alimentos aceitáveis de maneira socialmente aceitável”. (106)

“Malnutrition is both

a cause and a consequence of ill-health”. (23)

A alta prevalência de desnutrição nas pessoas idosas constatada a nível mundial, é considerada um problema de Saúde Pública frequentemente negligenciado, mesmo nas regiões que se encontram em níveis mais elevados de desenvolvimento socioeconômico. Nesta faixa etária as causas de desnutrição são de natureza mais complexa e multifatorial, envolvendo de forma interconectada questões de ordem biológica, clínica, mental, social e ambiental. (08) (150)

“Undernutrition is very common amongst the elderly. Risk factors for

protein- energy malnutrition include i) socio-economic factors, such as poverty

and social isolation, ii) psychological and mental factors, such as depression

and dementia, and iii) physical factors, such as impaired mobility, severe visual

deficit, poor dentition, chewing difficulties and somatic diseases (in particular

hyperthyroidism and hyperparathyroidism). In addition, undernutrition in

old age can also be linked to disability (limitations in basic and instrumental

activities of daily life – such as the need for help for shopping and meal

preparation, or feeding assistance). It can therefore be concluded that it

is possible that undernutrition in old age results from interactions between

ageing, social factors, psychological and medical difficulties and environment.”

Jean-Pierre Michel (01)

 

Uma pesquisa realizada recentemente a partir de uma base dados obtidos de vários países através da aplicação da Mini Avaliação Nutricional (MAN), evidenciou uma prevalência média de desnutrição em idosos de 22%, com variações que oscilaram entre os 50.5% observados em unidades de reabilitação e os 5.8% detectados em idosos vivendo na comunidade. Por outro lado os idosos em situação de risco nutricional corresponderam a 46.2% da amostra. Isso sinalizou que 2/3 da população observada apresentava evidências de algum desajuste nutricional. (107)

Esta análise foi obtida através de 24 estudos realizados em 12 países com abrangência dos cinco continentes, tendo sido considerados mais de seis mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos. Nesta amostra não houve representação da América Latina nem de países em particular que apresentam índices de pobreza sabidamente mais elevados.

“Over two-thirds of acute Geriatric Medical admissions to hospital and over 50% of

housebound, hostel and nursing home residents have some form of significant

undernutrition. At least 30% of independent community living elderly are

undernourished. 80% of undernutrition goes unrecognised.” (22)

 

Pesquisas apontam que em indivíduos idosos a detecção de risco nutricional tem correlação com o número de síndromes geriátricas pré-existentes, interagindo dessa forma para a cascata de condições fragilizantes.  A presença de depressão, demência, limitação funcional ou comorbidades múltiplas se associa frequentemente a um comprometimento mais significativo do estado nutricional. (108) (106) (89)

Em função da interatividade existente entre desnutrição doença e disfuncionalidade, a detecção de desnutrição tem sido mais elevada na população idosa avaliada em hospitais e em Instituições de Longa Permanência. Em contrapartida, a realização tanto de pesquisas quanto de intervenções nutricionais em pessoas idosas que vivem na comunidade, é de natureza mais complexa. (142)

“Illness is the most important cause of undernutrition in developed countries

and many patients are already undernourished when they are admitted to an institution,

but conditions at hospitals and care institutions may cause undernutrition to occur

or progress during the stay.” (140)

O rastreamento clínico-epidemiológico através de instrumentos simples tais como a “MAN” desenvolvido na Europa, ou o “SCREEN” desenvolvido no Canadá, pode detectar a situação de risco nutricional antes que um processo mais crítico de desnutrição se instale. Mesmo em se sabendo que a desnutrição em idosos tem etiologia multifatorial, recomendações nutricionais específicas podem auxiliar a reduzir a incidência ou a severidade de condições crônicas incapacitantes associadas à idade.        (37) (58) (141) (143)

 

Fonte: Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults” (141

Supõe-se na atualidade, que alguns nutrientes e componentes bioativos existentes nos alimentos, são potencialmente capazes de influenciar a expressão do genoma, possibilitando a melhora das condições de saúde e a prevenção de doenças degenerativas. Nesse sentido a alimentação e a nutrição teriam um efeito modulador sobre as condições de saúde e de doença, através de mecanismos bioquímicos que interconectam fatores ambientais com a expressão genômica. Estes mecanismos são considerados epigenéticos, e embora sejam externos aos genes, induzem uma plasticidade metabólica e comportamental com efeitos fenotípicos, que pode ser transmitida através das gerações. (111) (109) (110) (42)

Isso consiste em compreender que as experiências e o comportamento humano, neste caso, as experiências nutricionais e o comportamento alimentar, podem interferir tanto no destino biológico individual quanto nos destinos da espécie.

 

 

Dentro desse contexto entende-se que a experiência de desnutrição, seja ela causada por deficiência excesso ou desequilíbrio, interfere na expressão gênica, assim como, na estabilidade do genoma, propiciando de forma indireta uma cascata de respostas bioquímicas e metabólicas.

Já é de conhecimento, por exemplo, que questões nutricionais relacionadas à vida fetal ou materna têm alguns reflexos de longo prazo sobre a saúde, estando dentre eles, a composição corporal na vida adulta, o desenvolvimento cognitivo, e a longevidade.   (111) (112) (113) (114) (120) (176)

“Ageing is a lifelong process which begins its course as soon as birth. Several recent epidemiological studies have demonstrated that early-life health and socio-economic environment, during pregnancy, childhood and/or teenage periods may have unexpected significant repercussions

on the health status at midlife and older ages.” (01)

Populações submetidas a stress nutricional prolongado em função de carência alimentar, podem responder posteriormente apresentando uma maior tendência metabólica ao desenvolvimento de adiposidade, ou mesmo, expressando uma mudança das suas preferências alimentares com busca de alimentos mais calóricos. Esses efeitos de modulação tanto metabólica quanto comportamental explicam, ao menos em parte, a epidemia de sobrepeso observada na atualidade em países em desenvolvimento cujo PIB e índices de urbanização vêm se elevando. (111) (112) (115) (120)

 

 

Além de estar em franco processo de “Transição Demográfica”, o Brasil também passa atualmente por um processo de “Transição Nutricional”. Algumas pesquisas já vêm evidenciando um aumento da prevalência de desnutrição por sobrepeso entre os indivíduos idosos da população. (116) (175)

 

*  *  *

A desnutrição na pessoa idosa se relaciona a um “continuum”, dentro do qual, existe um amplo espectro de possibilidades mediadas por processos metabólicos inflamatórios e imunológicos que atuam de forma interativa e retroalimentadora.

Um estado de desajuste nutricional pode coexistir com a presença de um Índice de Massa Corpórea normal ou mesmo elevado. Já a presença de perda involuntária de peso, pode estar relacionada a pelo menos três síndromes metabólico-nutricionais relevantes: a inanição, a sarcopenia e a caquexia, sendo que esta última está habitualmente associada a um componente inflamatório persistente e à presença de patologias de maior impacto para a saúde global. (117) (144)

Nos últimos anos tem sido dada grande atenção a algumas síndromes de maior relevância nesta faixa etária tais como a fragilidade, a sarcopenia, a obesidade sarcopênica e a caquexia, todas diretamente relacionadas a questões nutricionais. A ênfase dada a estas síndromes se justifica por sua interferência na vulnerabilidade clínica e na predisposição à morbidade, com consequências significativas para a qualidade de vida. Para alguns autores esta condição de vulnerabilidade representa um processo dinâmico de “adaptação negativa” aos eventos estressores. (118) (144) (145)

A queda de apetite é uma condição relativamente frequente em pessoas idosas e pode estar relacionada a algumas condições patológicas de base. Em indivíduos com doença de Alzheimer, foi constatada a existência de uma correlação entre um Índice de Massa Corpórea baixo e a presença de atrofia em determinadas áreas do córtex cerebral envolvidas com o controle do comportamento alimentar e do apetite. (140)

Sabe-se que indivíduos mais idosos podem apresentar uma baixa eficiência metabólica para o aproveitamento dos nutrientes ingeridos. Este fenômeno pode ter impactos especiais na síntese proteica e mais particularmente na síntese de proteínas necessárias à preservação do tecido muscular e à eficiência da resposta imune. Em alguns casos ocorre uma verdadeira circunstância de“resistência anabólica” por parte do tecido muscular, e isso pode estar relacionado tanto à idade quanto à lipotoxicidade ou a existência de um estado pró-inflamatório. (14) (146) (147)

Por outro lado, a redução dos níveis de atividade física seja ela relacionada ao estilo de vida, à presença de doenças, ou a condições que limitam a funcionalidade, gera por si só mecanismos metabólicos de adaptação, que têm por consequência a tendência a uma maior turnover proteico com degradação e consumo da proteína muscular, ao aumento da resistência periférica à insulina, ao desenvolvimento de fraqueza progressiva e à desregulação imunológica. (119) (148) (167)

Este ciclo, portanto, acaba por se assemelhar de alguma forma à imagem arquetípica do“Ouroboros”: a serpente que está constantemente engolindo a sua própria cauda em um movimento vital infinito.  (178)

 

Os processos que envolvem os mecanismos biológicos do envelhecimento humano são extremamente dinâmicos e interdependentes, e o mesmo pode ser dito em relação às condições que contribuem para o desenvolvimento de patologias, condições crônicas e incapacidades. A cada dia novas conexões são identificadas nestes processos, sugerindo que se deva desenvolver uma visão mais sistêmica sobre esses fenômenos.

Para exemplificar trazemos o conceito de “metaorganismo”, que incorpora uma visão mais holística do que seja o organismo humano a partir da observação das suas interações com a microbiota que habita o trato digestivo. Para Biaggi e cols, existem conexões relevantes entre um indivíduo idoso a sua microbiota intestinal e o bolo alimentar, relacionadas tanto a um processo de co-evolução entre as espécies, quanto a interferências sobre a resposta imunológica e inflamatória do hospedeiro humano.  Nesse sentido tem sido dada ênfase a pesquisas no campo dos possíveis efeitos benéficos de alimentos nutracêntricos para os indivíduos idosos, mais especificamente, daqueles que apresentam propriedades pró-bióticas. (121) (41) (160)

“The manipulation of the gut microbiota and of the diet,

owing to their immunomodulatory and anti-inflammatory properties,

represents a powerful tool to extend healthy ageing and lifespan”. (122)

Outro conceito interessante formulado nos últimos anos a partir de pesquisas no campo da biologia aplicada refere-se ao “inflamm-aging”. Este modelo teórico pressupõe a existência de um processo inflamatório crônico durante a etapa da velhice humana, relacionado primariamente a mecanismos evolucionários. Esse estado pró-inflamatório de caráter multissistêmico, tem interfaces com algumas síndromes metabólicas e imunológicas condizentes com a vulnerabilidade e a menor resiliência homeostática da pessoa idosa, que interferem por consequência com a sua capacidade adaptativa, inclusive nos aspectos nutricionais. Algumas pesquisas vêm identificando que em indivíduos e populações que atingem uma longevidade extrema, tais como os centenários, ocorre um fenômeno imunológico inverso com características “anti-inflamatórias”. (123) (122) (147) (177)

“Among the different factors that can modulate ageing and inflamm-ageing, nutrition plays a pivotal

and fascinating role. Indeed, nutrition, impinging upon immune system and inflammation, can be a

trigger for both pathogenic and protective processes during the entire lifespan. Accordingly, nutrition is

probably the most powerful and pliable tool that we have to attain a chronic and systemic modulation of

ageing process, towards an enhancement of health status of the elderly population.” (122)

Teorias que trazem reflexões sobre a relação entre os hábitos alimentares e aspectos evolucionários da espécie humana já defenderam até recentemente que a nossa espécie está passando por uma fase de transição e tentativa de adaptação, uma vez que o seu genoma foi moldado ancestralmente em circunstâncias ambientais que demandavam um alto esforço energético para o acesso ao alimento. O estilo de vida mais sedentário observado na atualidade e o uso de alimentos naturais ou industrializados de alta densidade calórica, estariam contribuindo nesta circunstância para uma situação de desajuste na relação demanda-oferta, propiciando o surgimento de situações metabólicas desfavoráveis do ponto de vista evolutivo para a sobrevivência saudável. Este aspecto em particular tem repercussões cotidianas tanto em idades mais jovens, quanto nas fases mais avançadas da vida quando o Índice Metabólico Basal (gasto energético dispensado para o metabolismo basal) é naturalmente menor. (124) (114) (33)

A chamada “teoria da restrição calórica”, embora ainda controversa, foi desenvolvida progressivamente a partir da década de 1930 e trouxe contribuições importantes para a compreensão de alguns processos biológicos de base, relacionados à modulação da senescência e da longevidade.  A teoria demonstrou que mamíferos em idade jovem submetidos regularmente a um stress leve gerado por restrição calórica moderada em sua dieta, respondem com mecanismos metabólicos defensivos e favoráveis à sobrevivência. Esta restrição calórica funcionaria enquanto um sinalizador ambiental, não significando, entretanto, que os níveis desta restrição devam ser potencialmente capazes de causar subnutrição ou que tenham efeito quando aplicados a partir de idades mais avançadas. (138) (125)

 

“Segredo para uma vida longa:

pouca cama, pouco prato, muita sola de sapato.”

 

II- Os enigmas se escondem nas Pirâmides

 

“É a riqueza, e não a escassez quem torna as pessoas famintas”

Dinyar Godrej

(127)

  

A estruturação conceitual da Pirâmide Alimentar para a pessoa idosa desenvolvida em 2007 pela Universidade de Tuffs deu ênfase a alimentos de alta densidade nutricional incluindo em sua base dois outros aspectos fundamentais para a melhor incorporação dos nutrientes: a água e a atividade física regular. (126)

 

(Autor desconhecido)

Fonte: “Modified MyPyramid for Older Adults” (126)

 

Se o estilo de vida pode ser atribuído ao menos em parte às escolhas individuais, o mesmo não pode ser afirmado em relação às condições de vida. Paralelamente à proposta da pirâmide alimentar, pode ser pensada a existência de uma “Pirâmide da Desnutrição”que sinalize entre as suas engrenagens o padrão de injustiça social e desigualdade social ainda prevalente na pós-modernidade, o estilo de vida inativo ou sedentário sócio-historicamente construído e o alimento sendo apresentado enquanto mercadoria sob uma lógica de política de mercado. (111)

 

Proposta para uma “Pirâmide da Desnutrição”

 

“Hace más de 3500 años colapsó en forma repentina el antiguo imperio egipcio, el gobierno central se desmorono y su fracaso fue total, la omnipotencia de los faraones se hundió y todo Egipto conoció una era oscura que abarcó mas de 100 años. Todo el esplendor de um imperio famoso y exitoso

pasó de la estabilidad al caos, de la exuberancia alimentaria a la horrenda hambruana

y de la hartura a la espantosa desnutrición” (176)

Se há mais de três mil anos passados a fome que assolou o Egito dos Faraós pode ter sido ocasionada por fatores ambientais e climáticos de ordem mais natural, diversos fatores ambientais da atualidade são certamente resultantes da decisão e manipulação humana dos recursos disponíveis.

Metade da produção de grãos do planeta é destinada atualmente à alimentação de gado nos pastos. Uma parte considerável da agricultura mundial está sendo redirecionada para a produção de biocombustíveis. Produtos industrializados sofisticados estão tentando cada vez mais substituir os alimentos “in natura”. Preços de insumos básicos são modulados pela bolsa de valores.  De fato, várias mudanças ocorridas após a 2ª grande guerra nos padrões alimentares da população ocidental ou “ocidentalizada”, foram induzidas pelas políticas econômicas e de produção agrícola a nível mundial. (112)

No texto entitulado “A fome em tempos de plenitude”, Dinayr Godrej apresenta algumas considerações bem reflexivas sobre este tema conectando-as a questões referentes à velhice. Para o autor, a humanidade está criando alienígenas “Marcianos” na medida em que o estilo de vida sofisticado está gerando na sociedade um distanciamento ou mesmo uma verdadeira cegueira para a realidade que existe ao redor.  (127)

Além da subnutrição ainda altamente prevalente no mundo, observa-se na atualidade um paradoxo referente à coexistência entre pobreza e obesidade. O jornal The New York Times publicou recentemente uma matéria com este título: In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion.” Já a rede CNN deu o seguinte título a uma reportagem sobre este mesmo tema: “Poor and fat: The real class war”. Ao agregar esses dois conceitos, vislumbra-se uma guerra de classes induzindo a uma epidemia contagiosa de desnutrição por sobrepeso nos extratos sociais menos favorecidos, relacionada a uma ingesta desproporcional de alimentos calóricos. Trata-se do chamado“Paradoxo da Desnutrição”. (128) (129) (174)

Finalmente, a terceira pirâmide apresenta de modo genérico e em termos percentuais, o padrão das condições de saúde e funcionalidade em populações mais idosas.  O percentual de indivíduos em situação de maior fragilidade ou vulnerabilidade pode oscilar entre 25 e 40 % da população. Cabe ressaltar neste modelo, que nas regiões onde existem condições socioeconômicas menos favoráveis, os percentuais apresentados em cada nível desta pirâmide se manifestam em faixas etárias inferiores, o que se traduz pela expectativa de vida em presença de incapacidade. (33)

 

 

Partindo do pressuposto de que mecanismos genéticos aliados a circunstâncias ambientais interferem em aspectos que vão da escolha do alimento ao acesso propriamente dito aos alimentos, assim como, nos efeitos nutricionais e metabólicos que determinada alimentação irá deflagrar sobre o binômio “saúde-doença”, inclusive na velhice, entende-se que seja importante incorporar a este discurso as noções de justiça social e ambiental e a dos chamados “direitos fundamentais de terceira geração”.

Por conceito, estes direitos são de natureza coletiva e difusa implicando em uma visão de conectividade mais solidária entre os povos as culturas as nações e as gerações, se contrapondo de alguma forma ao fenômeno da “globalização” que se fundamenta em questões referentes à economia e ao mercado.

Trata-se de direitos relacionados à qualidade da vida, aos valores fundamentais e ao patrimônio em comum do gênero humano. Ainda segundo o filósofo italiano Norberto Bobbio, estes conceitos defendem que caberia à humanidade utilizar o conhecimento já produzido até o momento para “conduzir o processo histórico em benefício de todos”.  Esta visão, portanto, ultrapassa as noções mais específicas do direito individual e coletivo para adentrar pelo campo de questões referentes à própria ética da humanidade.   (131) (154) (155) (156) (157)

“Malnutrition is an important marker for inequalities in health, social care and housing,

between regions and within localities.” (08)

Embora seja inegável que o avanço tecnológico e biomédico tem contribuído de forma substancial para o desenvolvimento de intervenções e terapias nutricionais voltadas para a prevenção e a melhora de distúrbios nutricionais específicos em pessoas idosas, a possibilidade de acesso a uma alimentação básica saudável é uma questão que deve ser lembrada regularmente.

“The message could not be clearer: malnutrition is highly prevalent and leads to poor clinical outcomes. Solutions are available and effective nutritional support improves clinical outcomes

and is cost-effective. The time to act is now.” (10)

 

*  *  *

Os três elementos básicos para uma condição de Segurança Alimentar a qualquer idade são:

a Quantidade Suficiente, a Regularidade de Refeições

e a Qualidade do Alimento.

A alimentação humana é um ato voluntário e em certos aspectos consciente, sendo fortemente influenciado pela cultura, por diversas circunstâncias ambientais e por condições de ordem mais biológica.  Em contrapartida, a nutrição é um processo bioquímico e metabólico de natureza totalmente involuntária e inconsciente. (59)

Os efeitos nutricionais e metabólicos da alimentação na população mais idosa são de natureza biológica bem mais complexa, demandando abordagens especiais no quesito referente à qualidade. Entretanto, toda essa cadeia de eventos necessários à incorporação eficiente de nutrientes, terá sempre o seu início condiçionado pela oferta e pelo acesso ao alimento.

Alguns países já adotam programas regulares de fornecimento de alimentação no domicílio ou em restaurantes comunitários como parte das políticas públicas de segurança alimentar para a população idosa em situação de vulnerabilidade.

Segundo um relatório deste programa nos Estados Unidos, que em 2008 atendia a três milhões de idosos, 73% dos indivíduos atendidos apresentavam risco nutricional elevado e 25% um risco coconsiderado moderado. Neste grupo, 11% dos idosos não tinham acesso ao alimento adequado por questões econômicas, enquanto os demais tinham dificuldades de acesso em função de questões de ordem funcional, clínica ou social. Já em regiões como o Zimbabwe, a insegurança alimentar da população idosa está também relacionada à incapacidade dos idosos para produzirem o seu próprio alimento através do trabalho na agricultura doméstica. (132) (133)

Um estudo de base populacional realizado recentemente no Brasil com base nos dados do PNAD 2004, evidenciou que 29% dos domicílios cujos chefes são idosos apresentavam circunstâncias de insegurança alimentar. Esta prevalência elevada de situação de risco apresentou algumas características de regionalidade ao longo do país, sendo mais crítica nas regiões Norte e Nordeste. Um dos grupos com maior evidência de vulnerabilidade se referiu aos idosos pertencentes aos povos indígenas. (134) (159)

 

“Em comparação com outros países, no Brasil o risco de morrer de desnutrição na velhice

é 71% maior do que nos EUA e 32,13% maior do que na Costa Rica.” (158) 

 

Por outro lado, mesmo em áreas metropolitanas de regiões mais desenvolvidas do país, as questões referentes à alimentação e nutrição em pessoas idosas são desafiadoras. Uma pesquisa transversal e bem abrangente realizada com idosos em uma Instituição de Longa Permanência filantrópica em Minas Gerais, observou que, apesar daquele grupo estar sendo atendido por um programa público de suporte para a insegurança alimentar, havia uma prevalência relevante de risco nutricional, sobrepeso e subnutrição. Estes resultados foram atribuídos, ao menos em parte, à cultura de hábitos alimentares, vivenciada por aquela comunidade.  (139)

Uma publicação de 2012 originada da cidade de Madrid apresentou uma pesquisa referente à elaboração de um cardápio direcionado a idosos, que fosse nutricionalmente saudável e economicamente barato.  Essa pesquisa foi motivada a partir da constatação de que os idosos no país apresentam dificuldades de ordem financeira para ter acesso a uma alimentação adequada. Estimou-se recentemente que a população idosa na Espanha apresenta índices de obesidade sarcopênica que alcançam os 15%.  (149) (35)

*  *  *

Das culturas à espiral do DNA, das macropolíticas às práticas cotidianas, da ciência ao senso comum, o “Ouroboros” traz a sua parcela de contribuição, revelando a interconectividade e interdependência dos processos envolvidos no binômio saúde-doença.

Sob a ótica proposta por Edgar Morin, um defensor do pensamento complexo e atualmente com 92 anos de idade, a ciência moderna precisa transcender as concepções estreitas sobre os fenômenos que pretende observar, uma vez que se torna mais coerente quando consegue ampliar a sua base conceitual. Nesse sentido, um processo de religação entre os diversos saberes pode contribuir para o desenvolvimento de uma compreensão mais profunda, do que possa ser enfim, esse “Homo complexus”. (152) (153) (154)

 

*  *  *

 

 

III-  Mensagens dos Especialistas

 

“La preocupación de los países por el hambre se evidencia en diferentes momentos del tiempo,

partiendo de La “Declaración Universal de Derechos Humanos en 1948”,

la cual reconoce como derecho de la persona el de vivir libre del hambre y de la malnutrición.” (174)

 

 

“As our population grows older, the issue of malnutrition in this age group will have even larger public

health consequences, unless a coordinated action plan is put in place.” (18)

 

“During the past decades, malnutrition has attracted increasing scientific attention and is by now regarded as a true geriatric syndrome characterized by multifactorial causality, identified by symptoms and accompanied by frailty, disability and poor outcome….

…Despite the fact that effective interventions are available, prevention and treatment of malnutrition do not currently receive appropriate attention.” (150)

 

“Certain groups are more at risk of malnutrition, including older people. The causes of malnutrition

in older people are social, economic and clinical. Much of malnutrition is preventable.

Effective and cost-effective interventions exist. These interventions are not only clinical.

For example, social support networks can restore eating as a social activity for older people,

and prevent the social isolation that can often lead to malnutrition.” (10)

 

 

”Malnutrition costs. It costs older people by exacerbating disease, by increasing disability,

by decreasing their resistance to infection, and by extending their hospital stays. It costs

caregivers by increasing worry and caregiving demands. The entire country pays for health

care costs related to this increase in complication rates, increasing hospital stays, and

increasing mortality rates. Malnutrition costs people and it costs dollars.” (135)

 

 

“ Numerous studies have shown that when older persons lose weight, they have a doubling in their risk of death, even when they are overweight.. This is true even in persons who have diseases due to obesity such as diabetes mellitus. Weight loss also increases the chance of an older person having a hip fracture or being institutionalized. There are six major causes of weight loss, namely anorexia, cachexia, malabsorption, hypermetabolism, dehydration and sarcopenia.” (151)

 

 

“The intrinsic defects that develop in the immune system during aging are further intensified by the absolute or relative deficiency in the elderly of several nutrients with known immune-enhancing properties. Therefore, nutritional intervention has been recognized as a practical, cost-effective approach to attenuating age-associated decline in immune function, vaccination efficiency, and resistance to infectious and neoplastic diseases.” (160)

 

 

“• Malnutrition must be actively identified through screening and assessment;

• Malnourished individuals and those at risk of malnutrition must have appropriate care pathways;

• Frontline staff in all care settings must receive appropriate training

on the importance of good nutritional care;

• Organisations must have management structures in place to ensure best nutritional practice.” (19)

 

“An algorithm for managing undernutrition has been developed. It focuses early on in offering food choices and high calorie food after which caloric supplements can be considered. It highlights the need to focus on diagnosing and treating treatable causes of protein energy wasting. The basis of the management of undernutrition is to provide adequate food.” (151)

 

 

“…The risk and prevalence of malnutrition increases with age. Solving the problem of malnutrition among older people is not only a public health imperative; it could also yield important economic benefits. Finding solutions in the community is more complex than within a ‘closed’ hospital

or clinical setting – it requires gathering a broad array of stakeholders, getting different professionals

to work together and speak the same language.

…malnutrition is a prime candidate for such joint thinking: its roots are social as well as clinical, and addressing it requires solutions that span across the social and health fields. The critical and growing role played by the voluntary sector, community service providers, and informal carers

must also be taken into consideration in any proposed solutions…” (08)

 

“To accelerate hunger reduction, economic growth needs to be accompanied by purposeful and decisive public action. Public policies and programmes must create a conducive environment for pro-poor long-term economic growth. Key elements of enabling environments include provision of public goods and services for the development of the productive sectors, equitable access to resources by the poor, empowerment of women, and design and implementation of social protection systems. An improved governance system, based on transparency, participation, accountability, rule of law and human rights, is essential for the effectiveness of such policies and programmes.” (104)

*  *  *

IV- Publicações sobre Alimentação e Nutrição na pessoa idosa

 

“…da percepção à teoria científica, todo conhecimento é uma reconstrução/tradução por um espírito/cérebro, em uma cultura e em um tempo determinados…”

(Edgar Morin in: 153)

 

Partindo de alguns aspectos “macro” de ordem econômica política e social e bisbilhotando pelo universo de elementos “micro”, relacionados à alimentação nutrição saúde e longevidade da pessoa humana, trouxemos um texto introdutório de contextualização para este post, tendo por objetivo central a apresentação de algumas publicações disponíveis na web sobre esta temática.

Trata-se de uma coleção com 105 brochuras em formato eletrônico, composta por manuais, guias, relatórios, documentos técnicos, cartilhas, etc, que abordam o tema através de enfoques diversos.

Caso alguma destas publicações não se encontre mais disponível através do site de origem indicado, poderá ser acessada a partir dos arquivos internos do gerontologiaonline mediante solicitação por e-mail.

Esperamos que estas indicações sejam de bom proveito!

 

*  *  *

01/3348 – Nutrition – Ageing and Longevity

02/3357 – HANDBOOK OF CLINICAL NUTRITION AND AGING

03/1903- Evaluación y Control Nutricional Del Adulto Mayor en Primer Nivel de Atenció

04/1906- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

05/1642- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

06/1912- Improving Outcomes in CHRONIC DISEASES WITH SPECIALIZED NUTRITION INTERVENTION

07/2610-  Sarcopenia: consenso europeo sobre su definición y diagnóstico. Informe del Grupo europeo de trabajo sobre la sarcopenia en personas de edad avanzada

08/3329- Malnutrition among Older People in the Community. Policy Recommendations for Change

09/ 3324- A review and summary of the impact of malnutrition in older people and the reported costs and benefits of interventions

10/3331- Malnutrition within an ageing population: a call for action

11/3338- CONSENSO NACIONAL DE NUTRIÇÃO ONCOLÓGICA. VOLUME II

12/ 0313- I Consenso Brasileiro de Nutrição e Disfagia em Idosos hospitalizados

13/ 1419- NUTRICIÓN EN EL ANCIANO FRÁGIL.

14/ 0094- The Role of Nutrition in Accretion, Retention, and Recovery of Lean Body Mass

15/ 0339- EUROPEAN COMMISSION. Nutrition & ageing workshop

16/ 0920- Alimentação saudável para a pessoa idosa. Um manual para profissionais de saúde

17/0008-  Keep fit for life. Meeting the nutritional needs of older persons

18/ 1919- Nutrition and Health in an Ageing Population

19/1877- Malnutrition Matters- Meeting Quality Standards in Nutritional Care

20/ 3323- NICE support for commissioners and others using the quality standard on nutrition support in adults

21/3358 – Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary

22/2387- Nutritional Care of the Housebound Elderly

23/2385- Nutrition Support for Adults. Oral Nutrition Support, Enteral Tube Feeding and Parenteral Nutrition

24/ 2050- PUESTA AL DÍA SOBRE ANCIANO Y NUTRICIÓN

25/1174- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

26/1644- Effectiveness of interventions to promote healty eating in elderly people living in the community: a  review

27/1918- Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

28/ 1902- Manual de atención AL ANCIANO DESNUTRIDO en el nivel primario de salud

29/ 3366 – Terapia Nutricional para Pacientes na Senescência (Geriatria)

30/ 2388- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

31/ 1391- El anciano frágil

32/2609- Prevención, Diagnóstico  y Tratamiento del Síndrome de Fragilidad en el Anciano

33/3380- Good Food for Healthy Ageing

34/3372-Managing Adult Malnutrition in the Community

35/1449 – Guía de buena práctica clínica en estado nutricional y productos lácteos en la tercera edad

36/1909- The Role of Nutrition and Functionality in Ageing

37/1911-The MNA® revisited: what does the data tell us?

38/1929- EURONUT-SENECA STUDY ON NUTRITION AND THE ELDERLY IN EUROPE: FORMULATIONS

39/1908- Impacting Outcomes With Nutrition

40/2569- Retos de la nutrición em el siglo XXI ante el envejecimiento poblacional

41/3370- Older people and functional foods

42/3335- Epigenética e nutrição

43/ 3322- Malnutrition in Later Life:Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Care Homes

44/ 3325- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Hospitals

45/ 3326- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. A Local Community Approach

46/3371-Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

47/ 3346- Elderly Nutrition Program. Policies and Application Instructions

48/ 1913- Pressure ulcer prevention and treatment: The relationship between lean body mass, nutrition, and healing

49/3340- NUTRICIÓN DEL ANCIANO

50/1928- Estado nutricional, insatisfação em relação ao peso atual e comportamento relacionado ao desejo de emagrecer na cidade de São Paulo

51/3330- The Psycho-Social Aspect of Malnutrition and Seniors

52/3359- Nutrição para Idosos

53/2386- EVALUATION REPORT FOR THE ‘NUTRITION FOR ONE OR TWO’ PILOT FOR COMMUNITY DWELLING FRAIL AGED PEOPLE LIVING IN SOUTH EAST QUEENSLAND FINAL REPORT

54/3379 – Older People Living in the Community – Nutritional Needs, Barriers and Interventions: a Literature Review

http://www.scotland.gov.uk/Resource/Doc/294929/0091270.pdf

 

55/3343- Family Economics and Nutrition Review – Special Issue- Elderly Nutrition

56/3349- Healthy Mouth, Healthy Ageing. ORAL HEALTH GUIDE FOR CAREGIVERS OF OLDER PEOPLE

http://www.healthysmiles.org.nz/assets/pdf/HealthyMouth,HealthyAgeing.pdf

57/3360- ORAL HEALTH IN AGEING SOCIETIES: INTEGRATION OF ORAL HEALTH AND GENERAL HEALTH

http://whqlibdoc.who.int/publications/2008/9789241594501_eng.pdf

58/ 0208- Avaliação do Estado Nutricional de Idosos

http://www.nestle-nutricaodomiciliar.com.br/Files/documentos/AVALIACAO%20EST%20NUT.pdf

59/ 1904- NUTRICIÓN Y VALORACIÓN DEL ESTADO NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

http://ccp.ucr.ac.cr/bvp/pdf/vejez/matia-nutricion_y_valoracion.pdf

60/ 1176- VALORACIÓN NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

61/ 1935- A guide to completing the Mini Nutritional Assessment – Short Form (MNA®-SF)

64/ 3278- HIDRATACIÓN EN LAS PERSONAS MAYORES

65/ 1920- MALNUTRITION AND DEHYDRATION IN NURSING HOMES: KEY ISSUES IN PREVENTION AND TREATMENT

66/ 2579-Guidelines to Effective Hydration in Aged Care Facilities

67/3351- Patient safety and nutrition and hydration in the elderly

68/3352- Promoting nutrition in care homes for older people

69/3345- Manual de planificación de dietas en centros sociosanitarios

70/1932- Nutrition and Nutritional Care of Elderly People in Finnish Nursing Homes and Hospitals

71/3376- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

72/3327- CALCIUM, VITAMIN D AND OSTEOPOROSIS. A Guide for Pharmacists

73/3344- Calcium & Vitamin D Nutrition in the Elderly

http://ocw.tufts.edu/data/18/303785.pdf

74/0182- Mantenerse en forma para la vida: necesidades nutricionales de lós adultos mayores

75/0186- Alimentación y Alzheimer. Recomendaciones para hacernos mayores de manera activa y saludable.

76/0502- Sabor y Salud. Taller de alimentación saludable para personas mayores

77/1447- Nutrición y cuidados del adulto mayor. Recomendaciones para una alimentación saludable

78/1814- Eating well for older people

79/2142- Eating well: supporting older people and older people with dementia. Practical guide

80/2350- What’s On Your Plate? Smart Food Choices for Healthy Aging

81/3336 – Alimentação Saudável. Sempre é tempo de aprender

82/3341- Guíade ALIMENTACION para PERSONAS MAYORES

83/3350-Nutrition Guidelines for Older People

84/3362- GUÍA de BUENA PRÁCTICA CLÍNICA para una alimentación cardiosaludable

85/1905- REQUERIMIENTOS NUTRICIONALES EN LA TERCERA EDAD

86/3374- Food and Nutrition Guidelines for Healthy Older People

87/3373- Enhancing nutritional care

88/0473- A physician’s guide to NUTRITION IN CHRONIC DISEASE MANAGEMENT for older adults

89/1921- Malnutrition in the Older Adult

90/3375- DIETA, NUTRICIÓN Y PREVENCIÓN DE ENFERMEDADES CRÓNICAS

91/1923- DIET, NUTRITION AND THE PREVENTION OF CHRONIC DISEASES

92/1933- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

93/2001- Estrategia mundial sobre régimen alimentario, actividad física y salud

94/2011- Global Strategy on Diet, Physical Activity and Health

95/2007- Fruit and vegetables for health : Report of a Joint FAO/WHO Workshop, 1-3 September, 2004, Kobe, Japan.

96/2009- Effectiveness of interventions and programmes promoting fruit and vegetable intake

97/1934- The Nutrition Safety Net * Help for the Elderly and Disabled

98/1926- Food safety for older adults

99/1927- Older Americans Act – Nutrition Programs Toolkit

100/3347-Food security and livelihoods interventions for older people in emergencies

101/3355- Senior Nutrition Program Annual Report

102/3356- Recommendations for a national food and nutrition policy for older people

103/3333- THE STATE OF FOOD AND AGRICULTURE – FAO

104/3334 – The State of Food Insecurity in the World

105/3377- Global nutrition policy review. What does it take to scale up nutrition action?

 

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Links externos relacionados

106- Challenges and New Opportunities for Clinical Nutrition Interventions in the Aged

107- Frequency of Malnutrition in Older Adults: A Multinational Perspective Using the Mini Nutritional Assessment

108- Malnutrition in the elderly and its relationship with other geriatric syndromes

109- Epigenetics: A New Bridge between Nutrition and Health.

110- Nutritional influence on epigenetics and effects on longevity

111- Aging and Longevity: Why Knowing the Difference Is Important to Nutrition Research

112- NOW AND THEN: The Global Nutrition Transition: The Pandemic of Obesity in Developing Countries

113- NUTRITION: A PARADIGM SHIFT IN AGING CONCEPT?

114- Evolution of the human lifespan and diseases of aging: Roles of infection, inflammation, and nutrition

115- Nutrigenetics and Nutrigenomics: Viewpoints on the Current Status and Applications in Nutrition Research and Practice

116- Estado nutricional e condições de saúde da população idosa brasileira: revisão da literatura

117- Loss of skeletal muscle mass in aging: Examining the relationship of starvation, sarcopenia and cachexia

118- Consensus definition of sarcopenia, cachexia and pre-cachexia: Joint document elaborated by Special Interest Groups (SIG) ‘‘cachexia-anorexia in chronic wasting diseases’’ and ‘‘nutrition in geriatrics’’

119- Dietary protein recommendations and the prevention of sarcopenia. Protein, amino acid metabolism and therapy

120- Birth cohort differences in anthropometric measures in the older elderly: the Bambuí cohort study of aging (1997 and 2008)

121- Aging of the human metaorganism: the microbial counterpart.

122- Inflamm-ageing

123- Understanding how we age: insights into inflammaging

124- Diet, evolution and aging. The pathophysiologic effects of the post-agricultural inversion of the potassium-to-sodium and base-to-chloride ratios in the human diet

125- Toward a unified theory of caloric restriction and longevity regulation

126- Modified My Pyramid for Older Adults

127- Hunger In A World Of Plenty

128- In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion

129- Poor and fat: The real class war

130- Nutritional Recommendations for the Management of Sarcopenia

131- Direitos de Terceira Geração e Cidadania

132- Elderly Nutrition Program

133- Enhancing Social Support System for Improving Food Security Among the Elderly Headed Household in Communal Areas of Zimbabwe

134- Segurança alimentar em domicílios chefiados por idosos, Brasil

135- Old Age Hunger in the United States

136- Quase 870 milhões de pessoas no mundo estão subnutridas – novo relatório sobre a fome

https://www.fao.org.br/q870mpmesnrsf.asp

137- Hunger Portal

138- Epigenetic regulation of caloric restriction in aging

139- Nutritional Status and Associated Factors in Institutionalized Elderly

140- Nutritional status among older residents with dementia in open versus special care  units in municipal nursing homes: an observational study

141- Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults

142- Home-Living Elderly People’s Views on Food and Meals

143- SCREEN: Seniors in the Community Risk Evaluation for Eating and Nutrition

144- Malnutrition, fatigue, frailty, vulnerability, sarcopenia and cachexia: overlap of clinical features.

145- Is sarcopenia the best determinant of frailty?

146- Role and potential mechanisms of anabolic resistance in sarcopenia.

147- Chronic low-grade inflammation and age-related sarcopenia

148- Skeletal muscle loss: cachexia, sarcopenia, and inactivity.

149- Planificación alimenticia en personas mayores: aspectos nutricionales y econômicos

150- Malnutrition in Older Adults – Urgent Need for Action: A Plea for Improving the Nutritional Situation of Older Adults

151- Undernutrition in older adults.

152- Considerações de Edgard Morin e a teoria de saúde e doença

153- A complexidade e a religação de saberes interdisciplinares: contribuição do pensamento de Edgar Morin

154- Ética em Saúde: complexidade, sensibilidade e envolvimento

155- Os Direitos Humanos na Idade Moderna e Contemporânea.

156- CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DIREITOS TRANSINDIVIDUAIS

157- Bobbio e a Era dos Direitos

158- Avaliação do idoso desnutrido

159- EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM ABORDAGEM TRANSCULTURAL: o padrão alimentar do idoso indígena

160- The role of nutrition in enhancing immunity in aging.

161- Aging and longevity: why knowing the difference is important to nutrition research.

162- As conseqüências das deficiências nutricionais, associadas à imunossenescência, na saúde do idoso

163- Carências nutritivas no idoso

164- La nutrición del anciano como un problema de salud pública

165- Nutrition and Aging: Changes in the Regulation of Energy Metabolism With Aging

166- Linking Nutrition, Maturation and Aging: From Thrifty Genes to the Spendthrift Phenotype

167- Sarcopenia with limited mobility: an international consensus.

168- Sarcopenia: A useful paradigm for physical frailty

169- ICSR 2012- International Conference on Sarcopenia Research

170- FRAILTY: A Report from the 3 rd Joint Workshop of IAGG/WHO/SFGG, Athens, January 2012

171- Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary.

Institute of Medicine (US) Food and Nutrition Board. Successful Intervention Models in the Community Setting

172- Nutrition in Severe Dementia

173- Determinantes del riesgo de desnutrición en los adultos mayores de la comunidad: análisis secundario del estudio Salud, Bienestar y Envejecimiento (SABE) en México

174- La paradoja de la malnutrición

175- La malnutrición en los países en vías de desarrollo: un cambio de apariencia

176- Desnutrición y cerebro

177- Genetics of longevity. data from the studies on Sicilian centenarians

178- Ouroboros

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A partir desta aula apresentada por José Francisco Parodi  estaremos trazendo à  reflexão algumas questões  sobre  a necessidade  de formação de recursos humanos direcionados  à assistência geriátrica e gerontológica.

Em sua apresentação , o autor traça um panorama sobre a situação  da América Latina quanto à capacidade instalada de recursos humanos qualificados e direcionados à assistência à saúde das pessoas idosas , com maior ênfase no que se refere à formação de profissionais da área médica.

 

 

Segundo o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, DESA-DSDP, o mundo tem atualmente 700 milhões de pessoas idosas ( 57) e dois terços desta população vivem nos países que se encontram em processo de desenvolvimento.

 

Em 2002, foi realizada em Madrid a II Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento sob a promoção das Nações Unidas ( 55 ). O Plano de Ação resultante desta Assembléia tem por base o desenvolvimento de estratégias específicas em três áreas prioritárias:

 

1- Pessoas Idosas e Desenvolvimento
2- Avanços na área da Saúde e Bem Estar das Pessoas Idosas
3- Garantia  de Ambientes  Capacitantes e Suportivos para as Pessoas Idosas.

Neste trecho da apresentação é ressaltado um texto do plano de Ação elaborado  pela Assembléia de 2002,  e que  propõe  uma necessidade urgente de formação de recursos humanos  em caráter bem amplo.

Entretanto, o guia para implementação do plano de Madrid publicado pela ONU  em 2010 (56) , ou seja, oito anos após a realização  da Assembléia Mundial, ainda se refere à uma situação de carência na formação de recursos humanos especializados na área assistencial à saúde da população idosa.

Para quem é profissional da área assistencial em Saúde, ou mesmo, para quem já se encontra em idade mais avançada e demanda suporte  através de serviços mais adequados, fica a  sutil impressão, de que a palavra  “urgência” tão utilizada em diversos documentos que tratam desta matéria, se refere à alguma Unidade de Tempo  ainda desconhecida e não  contemplada por nossos relógios ou calendários mais tradicionais.

Quantos Profissionais são necessários ?

Ao longo de sua apresentação José Francisco Parodi  alerta que  segundo os dados coletados em diversos países da América Latina, ainda são muito poucas as faculdades de medicina que oferecem  formação geriátrica em sua grade curricular a nível de graduação. Por outro lado o autor  também expõe alguns dados ,que demonstram que é possível  a ocorrência de uma mudança de visão em alunos  da graduação após terem vivenciado  algum treinamento no campo geriátrico.

J.F. Parodi também critica, assim como outros autores que pesquisam este tema, a qualidade da formação oferecida, ressaltando  as  iniciativas  direcionadas à “formação dos formadores” e a proposta da Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA). Esta organização é  direcionada à qualificação de recursos humanos voltados para  a atividade docente na região da América Latina e do Caribe , e vem atuando desde 2003 através da realização de cursos temáticos.( 41) (42)

Na Europa, uma organização  transnacional que atua em rede, desenvolve atividades desta natureza desde  1996. Trata-se da European Academy for Medicine of Ageing (EAMA), sediada na Suiça. (51) No Oriente Médio, existe a  Middle East Academy for Medicine of Ageing (MEAMA) que está realizando o seu curso de 2010-2012 na cidade de Dubai.

 

A carência numérica de professores nesta área, é uma outra questão a considerar , e foi levantada em 2004 em artigo publicado pelo geriatra Espanhol José Manuel Ribera Casado, presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia
(SEGG) naquela ocasião. ( 01)


 Sob o titulo bem humorado “Profesores de geriatría: ¡se buscan!” , Casado homenageou o artigo publicado em 2000 por Robert Butler : “Wanted: Teachers of geriatrics – A national initiative is needed to train all doctors in the care of older patients” (55 ) .

O autor  comenta que , mesmo  em se sabendo que em breve a maioria dos médicos  em geral terão que dedicar uma boa parte do seu tempo  ao atendimento a pacientes idosos, em  2004  havia apenas uma única Cátedra de Geriatria entre todas as faculdades de Medicina  na Espanha.

Somente 6  faculdades médicas contavam com um professor  efetivo de geriatria, que nem sempre era titulado na especialidade.

 

 

***

 

Uma das explicações para a situação de “quase inércia “ observada internacionalmente quanto à demanda urgente para a formação de recursos humanos na área,  estaria relacionado  à  uma “Síndrome de Peter Pan”.

Segundo  um relatório da “Alliance for Aging Research” publicado em 2002, (38) o inconsciente coletivo da população Norte americana  tenderia a se comportar  como  “Peter Pan e a sua busca da Terra do Nunca”.

 

De acordo com esta hipótese , haveria uma certa negação coletiva de que a velhice está chegando de fato para  uma parcela significativa da população,  e,  trazendo conjuntamente , demandas por  uma assistência diferenciada em Saúde.

Uma das consequências desta negação  seria traduzida pela carência  numérica de profissionais, apesar de todas as previsões demográficas e  alertas epidemiológicos que vem se configurando nos últimos anos.

O final desta história, que neste caso , não se trata de um conto infantil onde todos  serão “ felizes para sempre”, é uma assistência de baixa qualidade e alto custo (43),  e uma potencialização da espiral de incapacidade entre as pessoas idosas.

Neste documento  estima-se que para o atendimento aos 35 milhões de Americanos idosos existentes na ocasião, seriam necessários 20.000 médicos geriatras no país, o que equivaleria  a uma relação geriatra/habitante  idoso de  1: 5.700. Dentre estes profissionais estimou-se também uma necessidade de  2.400 geriatras acadêmicos  voltados para a formação profissional e o desenvolvimento de padrões de qualidade assistencial. Neste último caso a relação seria de
1: 68.800 habitantes idosos.

 

Vale comentar que dentro do sistema de Saúde Norteamericano, a Geriatria é considerada uma subespecialidade clínica, não fazendo parte das áreas que prestam assistência na atenção básica em Saúde. ( 39 ) Essas previsões portanto não excluem a necessidade de  formação básica em saúde do Idoso durante a graduação dos profissionais  da área  Médica e das demais áreas da Saúde , para atuação tanto na atenção básica quanto nos níveis de maior complexidade.

Em 2008 foi divulgada uma publicação da Costa Rica que apresenta o planejamento estratégico  de curto e médio prazo para a área de recursos humanos em Geriatria e Gerontologia: “Necesidades de Especialistas en Geriatría y Gerontología para la Caja Costarricense de Seguro Social  (Formación y Dotación) . Proyección 2008-2025.”

Na Costa Rica , o segmento  idoso representa  atualmente  cerca de 5,5 % da população total do país. Este estudo foi realizado para atender à legislação  referente à política para as pessoas idosas,  que considera um dever do Estado, tanto a efetivação de serviços Geriátricos quanto a capacitação de recursos humanos
( 53  )

 

 

 O documento (04) é baseado  em uma pesquisa quali-quantitativa  ampla, com utilização de fontes diversificadas de informação. São avaliadas as necessidades  e as demandas assistenciais na área de  abrangência, utilizando-se diversas variáveis para desenvolver as projeções para uma cobertura adequada de recursos humanos.

Apesar de não haver qualquer norma de consenso nesse sentido, a Costa Rica segue um padrão adotado pelo Reino Unido e pela Espanha, no qual se estabelece a necessidade de 1 médico Geriatra para cada 5.000 habitantes com 60 anos ou mais.

 

 

  O país está envelhecendo rápidamente, e  em 2004 realizou uma avaliação detalhada do perfil da sua população  mais idosa. (53)

Vale comentar a título de ilustração, que  a Costa Rica ocupava recentemente o 1º  lugar no Ranking de “Satisfação de Vida”  e de “Democracia” na América Latina, além de  se encontrar em  uma situação de desenvolvimento social  e tecnológico relativamente  avançado para a região.

 

***

 Atenção Básica ou Especializada?

Em uma publicação de 2009, Jose Francisco Parodi defende as estratégias direcionadas à Atenção Primária em Saúde, lembrando que este sistema foi o responsável pela melhoria de indicadores de saúde na Europa , observada nas últimas décadas, e pelo aumento na satisfação percebida pelos usuários. ( 40 )

 

  Dentro desta discussão, J.F. Parodi

apresenta a idéia de uma Atenção Primária
Renovada que inclua a assistência
qualificada à população mais idosa ,

e que se baseia em parte, na aquisição de
novas competências pelos profissionais
que atuam nesta rede.

 

 

Para isso, seria necessário um investimento conjunto na formação a nível de graduação, pós graduação e educação continuada, de tal forma, que o desenvolvimento de competências para uma assistência às pessoas idosas fosse amplamente difundido.

Quanto à possibilidade de  uma grade curricular  básica para a graduação médica, J.F. Parodi  referencia  um artigo publicado na Revista “Panamerican Journal of Public Health” em 2005, no qual especialistas de diversos países que incluem a representação da OPAS, apresentam uma proposta para o desenvolvimento de ações específicas na América Latina. ( 03 )

Neste artigo é defendido um modelo de raciocínio lógico para a realização diagnóstica e a abordagem de intervenção, que se fundamente nos conceitos de funcionalidade. Para os autores, o modelo simplista baseado  em um raciocínio  unidirecional de “causa-efeito” das doenças, não faria mais sentido perante o contexto multidimensional das questões de ordem mais crônica.

Defende-se também a utilização de

métodos didáticos participativos
e problematizadores .

 Auxiliar o aluno

a “aprender a aprender” é um dos

processos envolvidos na proposta.

 

Mais uma vez é dado um alerta quanto a questão “tempo”, sugerindo que a América Latina aproveite o momento demográfico e epidemiológico  que se processa na região , e que está oferecendo  atualmente uma “Janela de Oportunidade” favorável  à implementação de investimentos na área. (43) (44) (45)

 No se debe dejar pasar el tiempo y esperar a que la fracción de la población constituida por personas de edad se acerque al 15%.

Ahora es el momento de introducir los cambios y de emprender la formación de la fuerza sanitaria que habrá de procurarles la salud, el bienestar y una mejor calidad de vida a los adultos mayores de la próxima década.

Se debe aprovechar la “ventana” de oportunidad de que disponen los países de la Región por estar en la primera fase de la transición demográfica.” (03)

 

 

 

 

Segundo  José Eustáquio Diniz Alves, professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas e coordenador da pós-graduação do IBGE:

 

“O Brasil e a América Latina encontram-se em uma fase intermediária da transição demográfica, com efeitos positivos tanto em relação aos países desenvolvidos, quanto em relação aos países muito menos desenvolvidos, o que pode representar uma grande vantagem competitiva para o desenvolvimento econômico e social da Região. “ (45)

“…A partir de 2025- 2030 a Janela de Oportunidade demográfica começará a se fechar para o Brasil, pois as vantagens do Bônus Demográfico começam a diminuir, mas sem perder totalmente os seus benefícios….Assim como nos demais países do mundo, a transição demográfica só acontece uma vez e somente uma vez se abre a Janela de Oportunidade demográfica….”  (45)

“A sociedade brasileira pode se beneficiar do inédito Bônus Demográfico se as políticas públicas forem capazes de criar acesso universal à educação, à saúde
e ao emprego, em um ambiente de segurança e cooperação, para que a produção
e a produtividade do trabalho possam impulsionar o desenvolvimento e garantir uma sociedade com níveis elevados de bem-estar. O futuro se constrói no presente
e a hora é agora para se aproveitar as excepcionais condições demográficas do país.”  (45)

Outro ítem abordado na apresentação de J.F. Parodi, se refere à importância do “Trabalho em Equipe “.

Um livro encaminhado para o nosso site pelo autor , apresenta uma iniciativa muito interessante promovida pelo Help Age International e pela Associação Pro-Vida Peru,  com apoio do Ministério da Saúde do Perú. (47)

Neste manual encontra-se um roteiro teórico – prático para o desenvolvimento de processos de capacitação de equipes interdisciplinares, com explicações detalhadas, exercícios,  e muitas ilustrações. O documento é de livre acesso  e foi disponibilizado através do site da FACULTAD DE MEDICINA HUMANA –UNIVERSIDAD DE SAN MARTIN DE PÓRRES – Lima. (46) (48)

A  importância da formação e do trabalho em equipe  interdisciplinar, não é um aspecto exclusivo  da assistência Geriátrica e Gerontológica. Em Dezembro de 2010 a revista “The Lancet” publicou um artigo e uma brochura intitulados
Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world”. ( 49) (50).

 

Os dois documentos foram elaborados por uma equipe internacional ampla e independente, encabeçada pelo nome  de Julio Frenk , professor da Escola de Saúde Pública de Harvard, ex-ministro de Saúde do México e colaborador da OMS.

O trabalho foi fruto de pesquisas realizadas em diversos países,  e apresenta propostas condizentes com a nova realidade epidemiológica que emerge no Terceiro Milênio .

É dada ênfase à capacitação dos profissionais de Saúde dentro de um modelo que valorize  a interdisciplinaridade, a transversalidade, a humanização e as demandas dos usuários.

Sob esta mesma linha de raciocínio, e tomando por referencial teórico o modelo  biopsicosocial proposto por Engel, Luciana Branco da Motta e Adriana Cavalcanti de Aguiar , da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, publicaram um artigo em 2007 onde é feito um alerta quanto  à necessidade de  se ampliar a contribuição da gerontologia na formação dos profissionais de saúde  que venham a atuar na área assistencial a pessoas idosas. (17)

 Para as autoras , as propostas de uma formação de base interdisciplinar, enfrentam desafios referentes à fragmentação  histórica  dos diversos saberes, à hierarquia institucional  e às defesas corporativas das categorias profissionais.

Dessa forma, teríamos minimamente dois desafios a superar: a necessidade  de políticas claras e efetivas de incentivo à formação profissional nesta área, e  a premência de uma mudança paradigmática da atenção em saúde  que contemple  a abordagem  integrada e interdisciplinar.

 

 

***

 

Retratos de uma realidade

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, SBGG, o Brasil oferecia em 2009  60 vagas de residência médica na especialidade de Geriatria, com  um expressivo  predomínio de oferta na região Sul do país. ( 68 )

Em 2011 havia no Brasil  969 médicos com título de especialista na área de Geriatria ,  e  234 profissionais com titulação de especialista na área de Gerontologia. O número total de profissionais associados à SBGG era de 2536, o que expressa indiretamente um quantitativo de profissionais interessados na área, mas não afasta a possibilidade  de que haja  um universo maior de profissionais envolvidos com uma assistência mais direcionada à saúde das pessoas idosas.

Perante uma população de 60 anos e mais que ronda os 17 milhões atualmente no país,  e utilizando  como dado o nº de associados da SBGG , podemos supor que a relação profissional / idoso  em geral esteja  próxima de 1 / 6.700 , enquanto a relação de geriatras titulados / idoso  é de 1 / 17.500,  a de  fisioterapeutas titulados é de 1 / 122.000 e a de  enfermeiros se aproxima de
1/ 184.000 idosos.

Nas palavras de  Edward MF Leung , as duas últimas décadas tem se caracterizado por uma maior instabilidade de carreira dos profissionais de saúde de um modo geral , assim como, por  reduções  salariais que  acabam por  dificultar a atração de estudantes e profissionais por esta área.  Estaria havendo um processo de retração da disponibilidade de mão de obra na área da saúde, e este fenômeno seria ainda mais  expressivo  no campo da assistência à saúde das pessoas idosas. Apesar do autor  estar se referindo à uma realidade observada em Hong Kong, o fenômeno tem sido descrito de maneira semelhante por autores envolvidos com outras realidades ao redor do mundo. (64)

 

Uma visão semelhante é apresentada por Irene M.Hamrick, quando se refere à realidade da Carolina do Norte  nos Estados Unidos da América, prevendo um futuro sombrio quanto à disponibilidade de profissionais para atuação no campo geriátrico. (34)

 

Na visão da autora, as questões referentes à uma baixa remuneração  perante uma necessidade de intervenção em situações de alta complexidade gerontológica , estariam no epicentro da crise de oferta de profissionais para o setor.

 

A autora defende uma reestruturação da oferta de serviços , que leve em consideração tanto a formação e a retenção de profissionais qualificados, quanto  a necessidade de reorientação dos próprios modelos assistenciais.

 

Já para a população idosa atendida em Instituições de Longa Permanência, a crise na área de recursos humanos qualificados  se mostra ainda mais severa, sendo retratada através de uma metáfora peculiar  em um artigo escrito por duas autoras australianas. Segundo  Maria Crotty e Julie Ratcliffe , os idosos institucionalizados representam uma “tribo perdida” dentro do universo assistencial, que dentre outros motivos, se relaciona  à existência de uma circunstância de desincentivo para o interesse profissional por este segmento. ( 08 )

 

Com esta preocupação em foco, após um workshop realizado em 2010 na cidade de Toulouse -França, representantes da IAGG, OMS e Sociedade Francesa de Gerontologia e Geriatria, propuseram a criação de uma força-tarefa internacional que, dentre outras diretrizes, se propõe a promover estratégias de nível mundial para a qualificação profissional nos Serviços de Longa Permanência. (70)

 

 

***

Recursos Humanos: Quantos, e em Quaaaaanto Tempo?

Finalizando esta matéria, sugerimos  uma visita  à dissertação de Mestrado  em Estudos Gerontológicos de Leanne June Clark , publicada em 2004  pela Universidade de Miami, sob este título interessante: “STRONG  MINDS, GENTLE  HANDS: TRAINING THE NEXT GENERATION OF “GERONTOLOGICAL PHYSICIANS”. (71)

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Oferta de Formación de Recursos Humanos em Geriatria y Gerontologia

 

 

Dr. José Francisco Parodi García
País – Perú

Profesor de Geriatría en pre y postgrado en la Facultad de Medicina de la Universidad de San Martín de Porres. Director del Centro de Investigación del Envejecimiento (CIEN) de la Universidad de San Martín de Porres.

Graduado y miembro activo del Comité Ejecutivo de la Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA).

 

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Links Sobre o autor

A- La atención primaria de salud como estrategia para el bienestar de las personas mayores
B- I FORO NACIONAL SOBRE ENSEÑANZA DE GERIATRÍA Y GERONTOLOGÍA EN EL PERÚ
C- INSTITUTO DE INVESTIGACION – CENTRO DE INVESTIGACIÓN DEL ENVEJECIMIENTO (CIEN)
D- Bamboo Servicios Especializados para el Adulto Mayor
E- Bamboo Senior – Alzheimer: El papel del cuidador (7 Vidas, PlusTV)

***

 

 



Links Externos Relacionados

01-Profesores de geriatría: ¡se buscan!
02- ESTRATEGIA PEDAGÓGICA DE CAPACITACIÓN PARA MÉDICOS DE ATENCIÓN PRIMARIA EM MEDICINA DEL ADULTOS MAYOR
03- Propuesta de contenidos mínimos para los programas docentes de pregrado en Medicina Geriátrica en América Latina
04- Necesidades de Especialistas en Geriatría y Gerontología para la Caja 
05- La Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA) se ha presentado en Madrid para impulsar la investigación en la atención sanitaria a ancianos. 
06- LA ENSEÑANZA DE LA GERIATRÍA EN MÉXICO
07- Geriatric education for the physicians of tomorrow 
08- If Mohammed won’t come to the mountain, the mountain must go to Mohammed 
09- Treinamento Interdisciplinar em Saúde do Idoso: um modelo de programa adaptado às especificidades do envelhecimento
10- Geriatria, uma especialidade centenária
11- Global Survey on Geriatrics in the Medical Curriculum – A collaborative study of WHO and the International Federation of Medical Students’ Associations 
12-Keeping granny safe on July 1: a consensus on minimum geriatrics competencies for graduating medical students. 
13- Are we teaching our students what they need to know about ageing? Results from the UK National Survey of Undergraduate Teaching in Ageing and Geriatric Medicine 
14- Taiwanese Medical and Nursing Student Interest Levels in and Attitudes Towards Geriatrics 
15-How “Geriatric” is Care Provided by Fellowship-Trained Geriatricians Compared to that of Generalists? 
16- Will undergraduate geriatric medicine survive? 
17- Novas competências profissionais em saúde e o envelhecimento populacional brasileiro: integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade 
18- The Geriatrics Imperative: Meeting the Need for Physicians Trained in Geriatric Medicine 
19- Geriatrics: In Our Residents’ Future Whether They Know It and Like It or Not 
20- Formador de formador: características educacionais e profissionais de acadêmicos que ensinam na formação continuada stricto sensu em Gerontologia no Brasil
21- Estudo da necessidade de Médicos Especialistas no Brasil
22- Formação de recursos humanos na área da saúde do idoso
23- O ser que envelhece: técnica, ciência e saber
24- PROFISSIONALIZAÇÃO EM GERONTOLOGIA
25- A velhice, entre o normal e o patológico
26- Envejecimiento y campo de la edad:  elementos sobre la pertinencia del conocimiento gerontológico 
27-ANTECEDENTES Y REFLEXIONES SOBRE LA GERONTOLOGIA EN LA ARGENTINA
28- LA POST- GERONTOLOGÍA: HACIA UN RENOVADO ESTUDIO DE LA GERONTOLOGÍA 
29- Modelo pedagógico innovador para la enseñanza de la Gerontología en Enfermería 
30- O ensino da Enfermagem Gerontogeriatrica e a complexidade 
31- Graduação em Gerontologia: formação de gerontólogos para o enfrentamento dos desafios do envelhecimento humano, na pesquisa, docência e gestão técnicoprofissional 
33- The Donald W. Reynolds Foundation and the John A. Hartford Foundation The Status of Geriatrics Workforce Study. GRANTEE’S FINAL PROGRESS REPORT SUMMARY 
34- Providing Health Care to Aging North Carolinians: Educational Initiatives in Geriatrics 
35-  Who cares for older adults? Workforce implications of an aging society. 
36- A Modest Proposition to align Geriatrics and Long Term Care Medicine 
37-A formação de profissionais para a atenção integral à saúde do idoso: a experiência interdisciplinar do NAI – UNATI/UERJ.
38- Medical Never-Never Land. Ten  Reasons Why America is Not Ready for the Coming Age Boom
39- Trends in Demand for New Physicians, 2005 – 2010. A Summary of Demand Indicators for 35 Physician Specialties.
40- La atención primaria de salud como estrategia para el bienestar de las personas mayores
41-  LA INICIATIVA DE LA ACADEMIA LATINOAMERICANA DE MEDICINA DEL ADULTO MAYOR
42- La Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA) se ha presentado en Madrid para impulsar la investigación en la atención sanitaria a ancianos.
43- A janela demográfica, crescimento econômico e as políticas de saúde e proteção social
44-O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas 
45- A transição demográfica e a janela de oportunidade
46- Guía de Capacitación de Trabajo en Equipo Interdisciplinario, Coordinación y Continuidad de Cuidados en las Personas Adultas Mayores Rurales 
47- Help Age International 
48- INSTITUTO DE INVESTIGACION  – CENTRO DE INVESTIGACIÓN DEL ENVEJECIMIENTO (CIEN)
49- Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world
50- Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world
51- European Academy for Medicine of Ageing: a new network for geriatricians in Europe
52- La salud de las personas adultas mayores en Costa Rica
53- Ley integral para la persona adulta mayor Nº 7935 (Costa Rica)
54- THE MIDDLE-EAST ACADEMY FOR MEDICINE OF AGEING
55 – Wanted: Teachers of geriatrics — A national initiative is needed to train all doctors in the care of older patients.(Brief Article)
56-Geriatrics Education in Psychiatric Residencies: A National Survey of Program Directors
57- Perceived Needs for Geriatric Education by Medical Students, Internal Medicine Residents and Faculty
58-The Educational Challenge of Dental Geriatrics
59- ADULTOS MAYORES:  Competencias Recomendadas y Guía Curricular para EL CUIDADO DE ENFERMERIA GERIATRICO en el Programa de Licenciatura (Baccalaureate)
60- FORMAÇÃO HUMANA EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA: UMA PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR
61- ENSINO DE GERONTOLOGIA E GERIATRIA: UMA NECESSIDADE PARA OS ACADÊMICOS DA ÁREA DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO?
62- Workforce Training – Eldercare Workforce Alliance
63- EDUCATION & TRAINING: MEETING THE NEEDS OF OLDER ADULTS
64- Health Care Professionals in the Ageing Era
65- Bridging the workforce gap for our aging society: how to increase and improve knowledge and training. Report of an expert panel.
66-Strategic approaches to the development of Australia’s future primary care workforce
67- Issues facing the future health care workforce: the importance of demand modelling
68- SBGG – Formação Profissional em Geriatria e Gerontologia – Cursos Cadastrados 2010
69- À Secretaria de Ensino Superior – SESU /MEC.
70-International Association of Gerontology and Geriatrics: A Global Agenda for Clinical Research and Quality of Care in Nursing Homes
71- STRONG MINDS, GENTLE HANDS: TRAINING THE NEXT GENERATION OF
“GERONTOLOGICAL PHYSICIANS”

***

 

Este espaço temático mais específico do site gerontologiaonline é dedicado à difusão da “Cultura de não Contenção” da pessoa idosa dependente.

 

Estamos seguindo os caminhos já deflagrados por diversos movimentos ao redor do mundo, e representamos o “Grupo da Triplice Aliança”, um projeto de parceria criado em Junho de 2014 por profissionais de três cidades: Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; Trieste, Itália; Buenos Aires, Argentina.

 

Hoje trazemos a questão referente ao uso de meios de contenção na pessoa idosa que apresenta uma síndrome demencial a partir de uma perspectiva oposta ao campo da problematização: o campo que aponta para o horizonte das “Intervenções Alternativas Possíveis”.

 

* * *

Nas últimas semanas uma notícia tem causado grande impacto na mídia leiga e nas redes sociais: a possibilidade de descoberta de uma nova perspectiva farmacológica para o tratamento precoce da doença de Alzheimer.

Trata-se da divulgação de um estudo norte americano que descobriu que uma classe farmacológica de medicamentos utilizados para a imunossupressão de pacientes que recebem transplante de órgãos sólidos poderia atuar também em um dos aspectos já conhecidos da cascata fisiopatológica relacionada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. (36) (37)

“Analysis of American medical records has shown that

a treatment taken daily by people who have had organ transplants

to prevent organ rejection may also protect against Alzheimer’s disease.” (37)

 

Isso sem dúvida é um avanço científico espetacular, mas corre-se o risco de que seja mais um elemento a alimentar o inconsciente coletivo, tanto leigo quanto profissional, quanto à possibilidade de acesso a soluções “mágicas” para as questões complexas relacionadas à produção da saúde humana e ao desenvolvimento das doenças.

As condições crônicas em geral, e que podem ser bem exemplificadas por condições tais como o diabetes ou a hipertensão arterial são fenômenos complexos e multifacetados, e dificilmente podem ser resolvidos definitivamente ou ser melhorados radicalmente pela intervenção em um único elemento da equação. O mesmo pode ser dito em relação à doença de Alzheimer e as demências correlatas.

Entretanto, enquanto as pesquisas na área farmacológica recebem sistemàticamente bilhões de dólares em investimento, a área de pesquisas em intervenções não farmacológicas ainda enfrenta muitas dificuldades para receber atenção, financiamento, divulgação e suporte para a sua aplicação no campo prático.

 

* * *

 

“...Mientras no se consigan avances significativos en los fármacos, las terapias no farmacológicas seguirán siendo indispensables para mejorar la calidad de vida de pacientes, familiares y profesionales, comentó Javier Olazarán, neurólogo de la Fundación CIEN en el IV curso de formación multidisciplinar en demencias neurodegenerativas organizado por la UIPA y el Departamento de Psicología Básica I de la UNED...” (15)

 

“...El cuidado en enfermedades crónicas debe estar basado en actuaciones consensuadas, coordinadas y continuadas que estén centradas en la persona y su enfermedad. Estos cuidados deben estar basados no sólo en datos científicos, sino también en la experiencia, el sentido común y los valores del paciente y de sus allegados. El objetivo de los cuidados deber ser aliviar los síntomas de la enfermedad y mejorar la calidad de vida tanto de la persona con demencia como del cuidador...” (15)

 

 

* * *

 

As manifestações comportamentais de pessoas que apresentam a doença de Alzheimer ou demências correlatas são um dos principais motivos relacionados à utilização de meios de contenção, sejam eles de ordem física mecânica farmacológica ou ambiental, aplicados muitas vezes com uma clara intenção de proteção do indivíduo contra possíveis riscos ou com a intenção de redução da expressão de sintomas atribuídos à doença em si.   

O uso de meios de contenção fere princípios éticos e relacionados aos direitos humanos fundamentais, não encontra respaldo em evidências científicas, está associado à má prática assistencial e se relaciona a efeitos danosos de ordem clínica, emocional e social.

 

 

Mas o que poderia ser feito por uma pessoa que perambula sem ter aparentemente um propósito definido, com quem desperta inúmeras vezes de madrugada para procurar por algo que não existe concretamente, com quem apresenta problemas sérios de equilíbrio e insiste em caminhar sozinho e sem apoio, com aqueles que manifestm o seu desconforto físico através de agitação psicomotora ou de vocalizações sem nexo aparente?

Como seria possível prevenir a ocorrência das chamadas “reações catastróficas”?

 

Um quadro de agitação psicomotora deve ser silenciado ou pode estar sinalizando uma demanda não reconhecida?

A carência de recursos humanos para a prestação de suporte e cuidado adequado a uma pessoa idosa demenciada e dependente, é uma circunstância que poderia conferir uma “legitimidade moral” para a utilização de um meio de contenção que vise prevenir algum risco específico?

 

* * *

 

As demandas não atendidas de pessoas que encontram uma grande dificuldade para se comunicar com o ambiente que as circunda são responsáveis com freqüência pela expressão de comportamentos reativos a essa condição.

Desta forma, tentar compreender as demandas reais do indivíduo e ampliar as oportunidades para que elas sejam livremente expressadas e atendidas pode fazer uma grande diferença no nível de possibilidades que ele dispõe para encontrar uma condição que lhe propicie mais equilíbrio conforto e bem estar. 

É por dentro deste território que transitam as chamadas Terapias Não Farmacológicas (TNF) ou Non Pharmacological Therapies (NPT) que englobam uma série de possibilidades de intervenção, algumas ligadas à promoção global da saúde e da percepção de qualidade de vida e bem estar através do investimento em aspectos psicossociais ou funcionais, e outras, a metodologias que se propõem ao tratamento ou à reabilitação de aspectos mais específicos.

 

* * *

 

“...Dos enfoques inseparables: El médicos y el no farmacológico Los enfoques médicos y los no farmacológicos forman parte de manera indisoluble del cuidado de las personas que viven con demencia. Sin embargo, los profesionales a menudo suelen hacer distinción entre las situaciones sanitarias que requieren atenciones médicas y aquellas otras que estarían mejor tratadas mediantes enfoques no farmacológicos, obligando a elegir entre uno u otro enfoque...” (16)

 

* * *

Dentre o leque de possibilidades que englobam as Intervenções e as Terapias Não Farmacológicas para as pessoas com demência certamente as que se relacionam mais estreitamente a práticas assistenciais que defendam a “não contenção”, se direcionam aos aspectos comportamentais.

A presença destes transtornos está associada a uma maior possibilidade de desenvolvimento da síndrome de “burnout” nos cuidadores, sejam eles familiares ou profissionais, e demanda ações de cuidado mais personalizadas e especializadas.

Vale comentar que um dos transtornos comportamentais de maior prevalência associado à Doença de Alzheimer se refere à “apatia”, e que esta síndrome, que freqüentemente não causa uma situação de maior tensão no ambiente de cuidados, é responsável por síndromes hipocinéticas severas, com o aumento do risco de disfuncionalidade motora e metabólica e com a potencialização do nível de desconexão do indivíduo com o seu universo circundante. É uma síndrome particular que torna o indivíduo mais frágil e vulnerável reduzindo a sua capacidade de deflagrar reações adaptativas perante os desafios que enfrenta.

Se por um lado associamos simbòlicamente o uso dos meios de contenção às manifestações comportamentais consideradas mais exuberantes e desafiadoras, a hipotonia e a disfunção relacionadas à apatia também induzem freqüentemente ao uso de “medidas restritivas de proteção” que podem agravar a cascata de disfunção.

 

* * *

  

Nesta apresentação feita por Henry Brodaty  no Congresso da Alzheimer’s Australia de 2011 são discutidos alguns itens que merecem uma apreciação em destaque. (03) (01)  

 

Non-pharmacological interventions for dementia (03)

https://fightdementia.org.au/sites/default/files/2011_Nat_AAconference_Brodaty2.pdf

 

Henry Brodaty dirige o “Dementia Collaborative Research Centre” na Australia, preside atualmente a “International Psychogeriatric Association”, tendo também exercido a presidência da “Alzheimer's Disease International”.

 

* * *

Os transtornos comportamentais são uma da sintomatologia de grande prevalência em indivíduos que apresentam demência. 

Este é certamente um tema muito desafiador para o desenvolvimento de programas assistenciais pautados pela qualidade, para os profissionais envolvidos com a prestação da assistência direta, para os familiares que cuidam, e para a pessoa que apresenta um quadro demencial.

E é exatamente por isso que hoje estaremos divulgando alguns materiais elaborados por uma iniciativa do governo Australiano com o apoio da “Alzheimer’s Australia”, direcionados a fornecer suporte para os profissionais e para a comunidade em questões relacionadas ao cuidado das pessoas que vivem com esta condição.

Trata-se de alguns manuais técnicos e guias de orientação para familiares e cuidadores desenvolvidos pelo “The Dementia Behaviour Management Advisory Services (DBMAS)”. (19) (20) (21)

 

“...The Australian Government funds the South Australian Dementia Behaviour

Management Advisory Services (SA DBMAS) which is one of eight centres nationally

that provides information, advice and support to improve the quality of life of people

with dementia and their carers where the behaviour of the person with dementia

impacts on their care...” (21)

 

“...The Australian Government is committed to improving the health of all Australians,

ensuring they have access to high quality health services and supportive care services.

Through the Dementia Initiative, the Australian Government aims to strengthen the

capacity of the health and aged care sectors to provide appropriate evidence-based

prevention and early intervention, assessment, treatment and care for people

with dementia...” (21)

 

Estas iniciativas incorporam a idéia de que é preciso investir muito nas pessoas, em seu ambiente, em seus potenciais remanescentes e em suas possibilidades mais globais, além de se oferecer a terapêutica farmacológica indicada para a doença que elas apresentam. 

Isso representa uma parceria terapêutica sinérgica capaz de ampliar os resultados benéficos das propostas de intervenção. É uma forma de se investir nos “Cuidados Centrados na Pessoa”, em propostas cuidadoras habilitantes, reduzindo o risco de ocorrência de manifestações comportamentais relacionadas às dificuldades que o indivíduo encontra para se comunicar e interagir com o seu meio. É uma proposta que defende a mudança cultural nas estratégias de intervenção e tratamento ampliando o compromisso do plano terapêutico. (31)

 

“...Effective agitation management could in theory improve

the quality of life of people with dementia and their caregivers,

reduce distress, decrease inappropriate medication, enable positive relationships

and activities, delay institutionalisation and be cost-effective...” (02)

 

“...Provide an environment that encourages spontaneous activities and supports persons in facilitating their own activities when they choose. Being able to maintain activities one enjoyed throughout one’s life can help a person during the transition period helping the person adjust to the new home. A change of scenery is important for some; consider involvement in activities both within the care home as well as the broader community...” (31)

 

 

Proporcionar ao indivíduo uma ocupação agradável e mais propositiva pode auxiliar a inserir significados na sua vida cotidiana reduzir o seu nível de stress e ampliar o seu potencial de adaptação ao ambiente de entorno. (31)

Este é um dos conteúdos de base desta série de manuais australianos que valorizam o uso da atividade como um meio para intervenções terapêuticas, de cuidado, e de promoção da saúde e do bem estar. Um deles apresenta um recorte cultural muito específico, sendo dirigido à comunidade étnica tradicional de Aborígenes da Austrália e outro propõe algumas atividades ocupacionais e de lazer dirigidas aos homens. (22) (24)

 

* * *

 

6072-03

Behaviour Management - A Guide to Good Practice. Managing Behavioural and Psychological Symptoms ofDementia (BPSD) (20)

* * *

 

6073-03

 

ReBOC .Reducing Behaviours Of Concern. A Hands On Guide.

A resource to assist those caring for people living with dementia. (21)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/SA_DBMAS_REBOC_Guide_2012.pdf

 

 

* * *

 

6074-03

Dementia. THINGS TO DO. ACTIVITY IDEAS FOR CARERS (22)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Dementia_things_to_do_Activity_resource_for_carers.pdf

 

 

* * *

6075-03

Gardens that Care: Planning Outdoor Environments for People with Dementia (23)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/101796_ALZA_Garden32pp_LR.pdf

 

* * *

 

6076-03

Activity guidelines for health professionals working with male clients with dementia (24)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Men_s_Activity_Guidelines_final.pdf

 

 

* * *

 

6077-03

Effective Dressing in Dementia Care (25)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/DBMASWA_Guidelines_for_Effective_Dressing_2012.pdf

* * *

 

 

6078-03

Animal Assisted Therapy (Pet Therapy) in Dementia Care  (26)

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Animal_Assisted_Therapy_in_Dementia_Care.pdf

 

 

* * *

“...Although there is a worldwide intensive search for interventions that will ameliorate the progression of dementia, the current challenge is to maximise the opportunities for care and treatment in an environment most suitable for the person with dementia and their carer. The importance of care provided in the community is undeniable in this context. Most people with dementia are best managed in the community. A close partnership with the General Practitioner is important so that the person with dementia and their carer can feel safe and confident to live as independently as possible in the community.

 

Dementia impacts disproportionately on carers and family members associated with all

aspects of care. The caring role is also a role that most carers in the community find very difficult to manage. Without adequate support of the carer and family, a person with dementia is at risk of premature admission to residential aged care....” (27)

 

* * *

“...As the only worldwide international federation of Alzheimer associations and global

voice on dementia, and the largest international provider of specialist dementia care,

we are committed to changing the way the world thinks about dementia. One way

we will do this is by campaigning for national dementia plans which have greater

emphasis on improved brain health, as well as enabling those who have dementia to

live well.

 

To make this happen, and lessen the impact of dementia on individuals and society,

there is enormous possibility in a comprehensive approach from all sectors, including

health, business, academia, foreign affairs, NGOs and others, to work together to

reduce the risks associated with dementia, as well as promote the interventions to

manage the quality of life of those living with it and their relatives...” (28)

* * *

 

 

“...Dementia disorders involve the fates of individuals as well as the experiences and feelings of family members of those affected. Dementia disorders e still the subject of ignorance, guilt and taboos. There is a lack of knowledge about dementia among professionals and in society as a whole. At the same time we see that services offered

to this group are inadequate and that in many places there are links missing in the chain of services...” (30)

 

* * *

“...The increase in the number of people living with dementia will be most stark in low and middle income countries which will account for more than two thirds of cases by 2050. The Americas – specifically Latin America – is a region that will be most impacted by the shift, where cases will rise from more than 7.8 million people today to over 27 million by 2050. We estimate that dementia cost the Americas US$235.8 billion dollars in 2010 for informal care, direct medical care and social care, and that these

costs will spiral as numbers increase...” (29)

 

* * * 

 

Estima-se atualmente que cerca de dois terços dos casos de demência no mundo estarão concentrados brevemente nos países de baixa renda ou renda intermediária e que esta circunstância terá um grande impacto nos países da América Latina. (29)

Estabelecer políticas públicas para o enfrentamento digno desta questão, preparar adequadamente os profissionais que atuam na assistência sanitária e social, divulgar informações que possibilitem ampliar conhecimentos sobre as propostas de suporte e intervenção, é uma das maneiras para se possibilitar um cuidado digno e humanizado, compatível com o desenvolvimento de conhecimentos que a humanidade já produziu até o momento sobre esta condição.

Os indivíduos idosos que apresentam demência e se encontram em situação de dependência para o cuidado cotidiano pertencem ao grupo de maior vulnerabilidade quanto ao risco de serem submetidos a práticas de contenção de ordem física, psicológica, farmacológica ou ambiental, que, além de violar os seus direitos humanos fundamentais, elevam o risco de efeitos danosos e evidenciam uma circunstância de má prática assistencial.

Este grupo pertence ao ápice da pirâmide de complexidade assistencial na esfera dos cuidados de longo prazo a indivíduos que apresentam condições crônicas, caracterizando o nível dos “Cuidados de Alta Complexidade”. Dentro deste campo conceitual a complexidade é entendida enquanto uma necessidade de abordagem que envolve estratégias de intervenção que possam oferecer ou apontar respostas para as demandas individuais, sejam elas explicitadas ou não, e que sejam multifacetadas integradas e bem coordenadas.

10 de Agosto de 2015

Arianna Kassiadou Menezes

 

 

 

* * *

 

Links Externos Relacionados

 

01-Meta-analysis of nonpharmacological interventions for neuropsychiatric symptoms of dementia

http://ajp.psychiatryonline.org/doi/full/10.1176/appi.ajp.2012.11101529

 

 

02-Non-pharmacological interventions for agitation in dementia: systematic review of randomised controlled trials

http://bjp.rcpsych.org/content/205/6/436.long

 

 

03-Non-pharmacological interventions for dementia

https://fightdementia.org.au/sites/default/files/2011_Nat_AAconference_Brodaty2.pdf

 

04-CUIDADOS DE DEMENCIAS SIN SUJECIONES . Revisión: 1 (02/2014). ACREDITACIÓN.MODO OPERATIVO

http://www.mariawolff.es/images/documentos_pdf/Folleto_Acreditacion_Cuidados_Demencia_Sin_Sujeciones.pdf

 

05-Non-pharmacological Therapies in Dementia

https://www.novapublishers.com/catalog/product_info.php?products_id=9101

 

06-Mapa de Terapias No Farmacológicas para Demencias Tipo Alzheimer. Guía de iniciación técnica para profesionales

http://www.nptherapies.org/TNF.pdf

 

07-Emotional robots: principles and practice with PARO in Denmark, Germany and the UK

http://nrl.northumbria.ac.uk/11665/1/GEROPSYCH-D-12-00041-2-2013-02-08.pdf

 

08-Use of a Therapeutic, Socially Assistive Pet Robot (PARO) in Improving Mood and Stimulating Social Interaction and Communication for People With Dementia: Study Protocol for a Randomized Controlled Trial

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4433493/

 

09-A systematic review of the clinical effectiveness and cost-effectiveness of sensory, psychological and behavioural interventions for managing agitation in older adults with dementia.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24947468

10- Maintenance cognitive stimulation therapy for dementia: single-blind, multicentre, pragmatic randomised controlled Trial

http://bjp.rcpsych.org/content/204/6/454.long

 

11-Guidelines for adapting cognitive stimulation therapy to other cultures

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4079629/

 

12-World Alzheimer Report 2011 The benefits of early diagnosis and intervention

http://www.alz.co.uk/research/WorldAlzheimerReport2011.pdf

 

13-Systematic Review of Neuropsychological Outcomes in Dementia from CognitionBased Psychological Interventions

http://www.karger.com/Article/Pdf/343931

14-Eficacia de las terapias no farmacológicas en la enfermedad de Alzheimer: una revisión sistemática

http://www.mariawolff.org/_pdf/fmw-publicaciones-terapias-no-farmacologicas-en-la-ea.pdf

15-TERAPIAS NO FARMACOLÓGICAS EN DEMENCIAS

https://www.cvirtual.org/es/blog/terapias-no-farmacologicas-en-demencias

 

16-Terapias no farmacológicas. Declaración de Consenso 1, Salamanca

http://www.wisdem.org/sites/default/files/manifestos/intervenciones_no_farmacologicas_manifiesto.pdf

 

 

17-Treating Pain to Reduce Behavioral Disturbances in Dementia

http://www.geripal.org/2011/12/treating-pain-to-reduce-behavioral.html

 

18-Manual de Actuación en la enfermedad de Alzheimer y otras Demencias

http://www.isfie.org/documentos/mafe.pdf

 

19-Dementia Behaviour Management

Advisory Services (DBMAS) WA

http://dbmas.org.au/want-to-know-more/resources/

20- Behaviour Management - A Guide to Good Practice. Managing Behavioural and Psychological Symptoms ofDementia (BPSD)

http://www.dementiaresearch.org.au/images/dcrc/output-files/328-2012_dbmas_bpsd_guidelines_guide.pdf

 21- ReBOC .Reducing Behaviours Of Concern. A Hands On Guide. A resource to assist those caring for people living with dementia.

http://dbmas.org.au/uploads/resources/SA_DBMAS_REBOC_Guide_2012.pdf

 

22-Dementia. THINGS TO DO. ACTIVITY IDEAS FOR CARERS

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Dementia_things_to_do_Activity_resource_for_carers.pdf

 

23- Gardens that Care: Planning Outdoor Environments for People with Dementia

http://dbmas.org.au/uploads/resources/101796_ALZA_Garden32pp_LR.pdf

 

24-Activity guidelines for health professionals working with male clients with dementia

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Men_s_Activity_Guidelines_final.pdf

 

25-Effective Dressing in Dementia Care

http://dbmas.org.au/uploads/resources/DBMASWA_Guidelines_for_Effective_Dressing_2012.pdf

 

26-Animal Assisted Therapy (Pet Therapy) in Dementia Care 

http://dbmas.org.au/uploads/resources/Animal_Assisted_Therapy_in_Dementia_Care.pdf

27- Dementia Model of Care  Department of Health, Western Australia

http://www.healthnetworks.health.wa.gov.au/modelsofcare/docs/dementia-model-of-care.pdf

28- World Alzheimer Report 2014. Dementia and Risk Reduction

https://www.alz.co.uk/research/WorldAlzheimerReport2014.pdf

 

29-Dementia in the Americas: Current and future cost and prevalence of Alzheimer’s disease and other dementias’. FACTORS

https://www.alz.co.uk/sites/default/files/pdfs/dementia-in-the-americas-ENGLISH.pdf

 

 

30-Dementia Plan 2015. Norwegian Ministry of Health and Care Services

https://www.mindbank.info/download_file/4336/e7691fc153812e2918989b5737618c7ca03447a2

 

31-Guidelines for Care: Person-centred care of people with dementia living in care homes

http://www.bccare.ca/wp-content/uploads/culture_change_framework_e.pdf

 

32-Identification of community-residing individuals with dementia and their unmet needs for care

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3039061/

 

33-Ergothérapie et alternatives à la contention physique au fauteuil du sujet âgé en milieu gériatrique 

http://www.jp.guihard.net/IMG/pdf/contention.pdf

 

34-Restraint use among nursing home residents: cross-sectional study and prospective cohort study

http://www.chemie.uni-hamburg.de/igtw/Gesundheit/images/pdf/meyer_jcn_2009.pdf

35-La contenzione fisica degli anziani: i risultati di alcuni studi di prevalenza dagli anni ’90 ad oggi

 http://www.sigg.it/public/doc/ARTICOLI/1162.pdf

 

36- Reduced Incidence of Dementia in Solid Organ Transplant Patients Treated with Calcineurin Inhibitors

http://content.iospress.com/articles/journal-of-alzheimers-disease/jad150065?resultNumber=0&totalResults=3&start=0&q=Taglialatela+&s2_parent_title=Journal+of+Alzheimer%27s+Disease&dc_issued_year=2015&resultsPageSize=10&rows=10

 

37- Analysis of American medical records has shown that a treatment taken daily by people who have had organ transplants to prevent organ rejection may also protect against Alzheimer’s disease.

http://dementiaresearchfoundation.org.au/blog/organ-transplant-%E2%80%98anti-rejection%E2%80%99-medication-shows-protective-effect-against-alzheimer%E2%80%99s

 

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Através do texto que estamos trazendo hoje, o nosso colaborador Fabio Cimador, apresenta uma linha do tempo que retoma fatos históricos relacionados ao médico Franco Basaglia e suas conexões com o movimento da Psiquiatria Democrática e com o desenvolvimento ideológico do sistema sanitário atual da cidade de Trieste na Itália.

Esta é uma introdução que contextualiza o surgimento posterior de um movimento de luta radical naquela cidade pela abolição do uso de meios de contenção física farmacológica ou ambiental nas pessoas mais frágeis e vulneráveis e nas pessoas idosas.

Assim como as pessoas que apresentam transtornos de ordem mental, os indivíduos idosos também têm sido històricamente vulneráveis à aplicação de diversas modalidades de contenção, seja sob a argumentação de proteção ou redução de riscos, seja por práticas equivocadas, negligentes ou relacionadas aos maus tratos.

A ideologia concretizada por Basaglia tem uma essência libertadora, desfocando a atenção assistencial sanitária da “doença” e da visão mais positivista e dominadora, para refocá-la sobre a subjetividade da pessoa considerada “doente”, em sua centralidade e em seu protagonismo.

Fazer um paralelo entre a loucura e a demência ou entre o hospício e o asilo é inevitável, assim como, entre a sociedade que busca incessantemente a cura dos “diferentes” e aquela que se dispõe a lhes devolver a própria voz.

Entretanto, se os manicômios estiveram historicamente vinculados de algum modo a uma determinada prática biomédica, os asilos para idosos se relacionaram ao longo de séculos à filantropia, ao assistencialismo e a um trabalho intuitivo ou voluntário, o que gerou uma desconexão ainda maior e mais retardatária com o universo do pensamento mais crítico.

Reconectando estes dois caminhos de maneira peculiar, e a partir deste espírito ideológico, humanista, científico, e político, alguns anos depois do processo histórico demarcado por Franco Basaglia, Trieste se tornou a primeira cidade a receber o titulo de “Cidade Livre de Contenção”.

 

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Apresentamos a seguir o texto original do autor em Italiano e em seqüência, uma versão traduzida para o Português.

 

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TRIESTE – ITALIA

DALLA RIVOLUZIONE CULTURALE DI FRANCO BASAGLIA PER LA CHIUSURA DEI MANICOMI PSICHIATRICI (1977) ALL’ ABOLIZIONE DELLA PRATICA DELLA CONTENZIONE FISICA, MECCANICA E FARMACOLOGICA NEI CONFRONTI DEGLI ANZIANI E PERSONE FRAGILI (2013)

Prima parte: La storia di Basaglia

 

Franco Basaglia nasce a Venezia l’11 marzo 1924, da una famiglia agiata secondo di tre figli, trascorre un'adolescenza tranquilla e agiata.

Dopo aver conseguito la maturità classica nel 1943 si iscrive alla facoltà di medicina e chirurgia dell’Università di Padova. Durante gli studi universitari frequenta un gruppo di studenti antifascisti. In seguito al tradimento di uno di loro, Basaglia viene arrestato e detenuto per sei mesi, fino alla fine della guerra.

Questa esperienza lo segna profondamente e lo stesso rievoca anni dopo parlando del suo ingresso in un’altra istituzione chiusa: il manicomio. Nel 1949 consegue la laurea. In questo periodo si dedica ai classici dell'esistenzialismo: Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Husserl e Heidegger. Nel 1953 si specializza in Malattie nervose e mentali presso la clinica neuropsichiatrica di Padova. Lo stesso anno sposa Franca Ongaro che gli darà due figli e sarà coautrice col marito di alcune opere sulla psichiatria ed entrerà in Parlamento con la Sinistra Indipendente.

Già durante gli anni di studio universitario e di specializzazione in neuropsichiatria presso l'Ateneo padovano, Basaglia tenta di integrare la rigida impostazione medica di matrice positivista, con un nuovo approccio filosofico di stampo fenomenologico-esistenziale. Egli è alla ricerca di nuovi strumenti di validazione funzionali alla nuova idea psichiatrica che gradualmente sta maturando in lui proprio grazie alle letture filosofiche.

Nel 1958 Basaglia ottiene la libera docenza in psichiatria. Per le sue idee innovative e rivoluzionarie non viene bene accolto in ambito accademico, cosicché nel 1961 viene invitato a rinunciare alla carriera universitaria e di trasferirsi a Gorizia per dirigere l'ospedale psichiatrico della città. Si tratta di un esilio professionale dovuto soprattutto alle scelte politiche e scientifiche.

L'impatto con la realtà del manicomio è durissimo. Teoricamente si avvicina alle correnti psichiatriche di ispirazione fenomenologica ed esistenziale (Karl Jaspers, Eugéne Minkowski, Ludwig Binswanger), ma anche a Michel Foucault e Erving Goffman per la critica all'istituzione psichiatrica. Nel 1969 entra in contatto con Giorgio Antonucci, che lavora nell'ospedale diretto da Basaglia.

 

A Gorizia, dopo alcuni soggiorni all'estero (fra cui la visita alla comunità terapeutica di Maxwell Jones), avvia nel 1962, insieme ad Antonio Slavich, la prima esperienza anti-istituzionale nell'ambito della cura dei malati di mente.

In particolare, egli tenta di trasferire il modello della COMUNITA’ TERAPEUTICHE al fine di riabilitare il malato all'interno dell'ospedale e inizia una vera e propria rivoluzione.

Coadiuvato da giovani psichiatri si eliminano tutti i tipi di contenzione fisica, vengono eliminate le casacche manicomiali, lasciò ai malati i propri vestiti, chiamò una parrucchiera per sistemare i capelli delle donne, concesse piccole libertà di movimento all’interno dell’istituto, vietò l’uso della campana a morto per ogni decesso, pretese che il malato non fosse un numero, tutti dovevano essere chiamati per nome, cade la separazione coatta fra uomini e donne degenti, la vita comunitaria dell’ospedale si arricchisce di feste, gite, pretese che il personale salutasse e parlasse con i degenti e introdusse l’usanza delle assemblee dei grup                                                                                                          pi di malati per restituire loro la voce.

Grazie alle modifiche i suicidi diminuirono e Basaglia comprese l’importanza di studiare l’ambiente in cui il malato era vissuto ed aveva contratto il male tralasciando in un primo momento lo studio del malato

Sollecitò le visite dei parenti e contestò la tecnica degli strumenti psichiatrici specialmente le tecniche da schock.

Fu l'inizio di una riflessione sociopolitica sulla trasformazione dell'ospedale psichiatrico e di ulteriori esperienze di rinnovamento nel trattamento della follia, alternative anche alla esperienza di Gorizia. Nel 1968 pubblica “L'istituzione negata”. Rapporto da un ospedale psichiatrico, dove racconta al grande pubblico l'esperienza di Gorizia denunciando a livello internazionale l’alienante realtà. Quest'ultima si rivela un'opera di grande successo editoriale e divenuto un libro simbolo per la psichiatria.

In questi anni Basaglia accresce anche la sua attività scientifica e intellettuale partecipando in prima persona a vari congressi internazionali di neurologia e psichiatria. Tra i più importanti menzioniamo il Congresso Internazionale di Psicoterapia a Wiesbaden. Nel 1962 al VII Congresso di Psicoterapia a Londra. Nel 1964, nello stesso anno al I Congresso Internazionale di Psichiatria Sociale a Londra presente con la delegazione italiana illustra “La distruzione dell’ospedale psichiatrico come luogo di istituzionalizzazione” che spiega la metodologia che viene applicata alla realtà di Gorizia e successivamente a Trieste. Nel 1965 collabora al “Journal of Existentialism” di New York. Nel 1967 cura il volume “Che cos’è la psichiatria”.

Nel 1969 assieme alla moglie pubblica “Morire di classe”. Nello stesso anno vive un esperienza di sei mesi negli Stati Uniti come visiting professor al Community Mental Health Center del Maimonides Hospital di Brooklyn a New York che gli darà spunto per scrivere “Lettera da New York. Il malato artificiale”.

Una volta rientrato a Gorizia con sentimenti contrapposti, nel 1969 lascia la guida dell’ospedale psichiatrico in seguito alle resistenze opposte gli dall’amministrazione locale per attuare un assistenza psichiatrica sul territorio. Si reca quindi su invito di Mario Tommasini, coraggioso assessore alla sanità della Provincia di Parma, a dirigere l’ospedale psichiatrico di Colorno. Nonostante le assicurazioni dell’assessore su un suo pieno appoggio alle riforme basagliane anche qui si vede ostacolato dalla giunta di sinistra di Parma che non intende esporsi per non creare conflitti politici e economici all’interno della realtà locale. Di quel periodo è “La maggioranza deviante” che tratta l’ideologia del controllo sociale totale. Dal 1971 al 1972 è incaricato all’insegnamento di igiene mentale presso la Facoltà di magistero dell’Università di Parma.

Nell’estate del 1971 Basaglia vince il concorso per la direzione dell’ospedale psichiatrico di Trieste, accetta subito perché gli viene garantita la possibilità di fare tutte le scelte che ritiene più opportune. Questa è la svolta decisiva. 

 

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Trieste, affacciata sull'omonimo golfo nella parte più settentrionale e orientale dell'Alto Adriatico, si colloca fra la penisola italiana e la penisola istriana, distante qualche chilometro dal confine con la Slovenia.

Il territorio cittadino è occupato prevalentemente da un pendio collinare che diventa montagna anche nelle zone limitrofe all'abitato; si trova ai piedi di un'imponente scarpata che dall'altopiano del Carso a 458 metri sul livello del mare, digrada bruscamente verso il mare. Il comune di Trieste è diviso in varie zone climatiche a seconda della distanza dal mare o dell'altitudine.

La società triestina diede vita ad una comunità multi etnica come poche in Europa, offrendo ospitalità a culti religiosi e a letterati come Italo Svevo, Reiner Maria Rilke, James Joyce.

Grazie al suo stato privilegiato di unico porto commerciale di una certa importanza dell'Austria, Trieste, mantenne sempre, nei secoli, i legami culturali e linguistici con l'Italia. Infatti, nonostante la lingua ufficiale della burocrazia fosse il tedesco, l'italiano (o meglio un suo dialetto) era la lingua più parlata dagli abitanti e veniva usata nelle riunioni del consiglio comunale.

Ma, i triestini, sensibili ai movimenti irredentisti, (con questo termine si indica l'aspirazione di un popolo a completare la propria unità territoriale nazionale acquisendo terre soggette al dominio straniero - terre irredente - sulle basi di teorie di un'identità etnica o di un precedente possesso storico vero o presunto), che percorrevano l'Europa aderirono alle imprese garibaldine e alle guerre risorgimentali e, alla fine della prima guerra mondiale, la città tornò italiana.

Purtroppo la Seconda Guerra Mondiale portò nuove tragedie: l’Italia perse la guerra e Trieste fu invasa dalle truppe jugoslave di Tito e migliaia di italiani contrari al regime furono uccisi (stragi delle foibe – cavità carsiche utilizzate come fosse comuni). Solo l’intervento degli alleati anglo-americani spezzò l’incubo per la città di Trieste.

Il 4 novembre 1954 la città divenne capoluogo del Friuli Venezia Giulia con il passaggio dei poteri dall’amministrazione alleata anglo-americana a quella italiana.

La ripresa dopo la guerra fu faticosa e molto difficile e solo negli ultimi vent’anni Trieste è riuscita a diventare Capitale della Scienza e della Ricerca in Italia ospitando uno dei parchi tecnologici più grandi d’Europa, dando lavoro a migliaia di giovani.

 

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Nell’esta del 1971 presso l’ospedale psichiatrico di Trieste erano ricoverate 1182 persone,840 delle quali in regime coatto. L’amministrazione è affidata alla Provincia il cui Presidente era Michele Zanetti appoggiato da una giunta di centro-sinistra, il quale appoggia completamente l’ideologia innovativa di Basagliae dai suoi.

Nell’ambiente triestino Basaglia ritrova l’entusiasmo e crea all’interno dell’ospedale psichiatrico, laboratori di pittura e di teatro. Ma si rende immediatamente conto che tutto ciò fatto finora è riduttivo chiede quindi costruire una sua equipe e presenta un drastico ridimensionamento dell’ospedale attraverso l’apertura e la riorganizzazione dei reparti.

Si tratta quindi di spezzare l’isolamento del manicomio rispetto alla città per lavorare con un’immediata proiezione sul territorio. L’esperienze precedenti di Gorizia e Parma gli fanno capire che non sono più sufficienti le Comunità Terapeutiche ma di un progetto politico ben preciso che non si fermi alla bonifica umanitaria del manicomio, né alla semplice trasformazione delle sue dinamiche di funzionamento interno, ma mette in discussione la persistenza stessa dell’istituzione locale. Il progetto è ambizioso sembra quasi irraggiungibile ma Trieste è un territorio adatto al suo grande sogno….la chiusura del manicomio.

Per poterlo realizzare bisogna creare prima una rete territoriale in grado di accogliere le persone dimesse dal manicomio, che provvedano alle necessità di assistenza e fermino il flusso di nuovi ricoveri. Nel 1973, un altro passo avanti viene fatto attraverso il riconoscimento giuridico della Cooperativa Lavoratori Uniti, prima esperienza di organizzazione lavorativa, che coinvolge i degenti dell’ospedale psichiatrico e successivamente gli utenti dei servizi di salute mentale.

Sempre nello stesso anno Trieste viene riconosciuta come “zona pilota” per l’Italia nella ricerca dell’Organizzazione Mondiale della Sanità sui servizi di salute mentale in Europa. Sempre nel 1973 fonda con l’aiuto di altri collaboratori “Psichiatria Democratica” dove vengono messe a confronto varie esperienze di psichiatri alternativi italiani. Il primo convegno “La pratica della follia”, si tiene a Gorizia nel 1974 e segna il collegamento fra il movimento antiistituzionale e le forze politiche e sindacali di sinistra.

Nel 1975 Basaglia assieme alla moglie cura “Crimini di Pace”. Questo anno segna anche l’apertura dei primi centri di salute mentale sul territorio. Nello stesso anno si svolgono l’elezioni politiche che portano un indebolimento della giunta di centro-sinistra peggiorando il clima politico per l’esperienza del superamento del manicomio. La situazione si aggrava a tal punto da portare alle dimissioni della giunta di centro-sinistra. Ma i tempi erano maturi e Basaglia insieme a Zanetti annunciano entro il 1977 la chiusura definitiva del manicômio. 

 

Il 13 maggio 1978 viene approvata in Parlamento Italiano la legge 180 di riforma psichiatrica, che si ispira alle esperienze di superamento dell’ospedale psichiatrico sviluppatesi in Italia a partire degli anni sessanta. Approvata quasi all’unanimità, la legge 180 detta Legge Basaglia dovrà affrontare grandi difficoltà per l’attuazione.

Nel 1979, affronta due importantissimi viaggi in Brasile, da San Paolo a Belo Horizonte, passando per Rio de Janeiro. Davanti a un pubblico composto non solo da psichiatri, psicologhi, assistenti sociali, infermieri ma anche da politici, sindacalisti, professori, studenti, gente comune, tiene una serie di conferenze che vengono raccolte nel volume “Conferenze Brasiliane”.

Nel novembre dello stesso anno lascia la direzione di Trieste a Franco Rotelli che successivamente sarà chiamato come responsabile dell’Azienda Sanitaria Triestina, e si trasferisce a Roma, dove assume l'incarico di coordinatore dei servizi psichiatrici della Regione Lazio.

Nella primavera del 1980 si manifestano i primi sintomi di un tumore al cervello, che in pochi mesi lo porterà alla morte, avvenuta il 29 agosto 1980 nella sua casa di Venezia. A distanza di 30 anni, benché sia stata più volte oggetto di discussione e di tentativi di revisione, la legge 180 è ancora in vigore e regola l'assistenza psichiatrica in Italia.

La psichiatria, che non ha compreso i sintomi della malattia mentale, deve cessare di giocare un ruolo nel processo di esclusione del "malato mentale", voluto da un sistema ideologico convinto di poter negare e annullare le proprie contraddizioni, allontanandole da sé ed emarginandole.

http://www.youtube.com/watch?v=_Zox0vp0K9s (in English)

 

Da questa storia di vita è iniziata la battaglia che ha portato Trieste a dichiararsi “ Città libera da contenzione” nel dicembre 2013.

https://triesteliberadacontenzione.wordpress.com/2013/11/27/67/

 

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Fabio Cimador

Trieste, Italia, 12 Nov. 2014

Coordinatore dell’ Unità Anziani del Distretto n. 1 - Azienda per l'Assistenza Sanitaria n. 1 - Triestina

Gestione della qualità nelle case di cura e degli istituti di ricovero a lungo termine.

 

Membro della Commissione contro la lotta alla contenzione fisica, meccanica e farmacologica dell’Azienda Sanitaria n, 1 Triestina.

Docente ed insegnante presso istituti che formano operatori sanitari  - ENAIP TRIESTE - Italia

 

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TRIESTE – ITÁLIA

DA REVOLUÇÃO CULTURAL DE FRANCO BASAGLIA PARA O FECHAMENTO DOS MANICÔMIOS PSIQUIÁTRICOS (1977) À COMPARAÇÃO COM A ABOLIÇÃO DA PRÁTICA DA CONTENÇÃO FÍSICA, MECANICA E FARMACOLÓGICA DE IDOSOS E PESSOAS FRÁGEIS (2013).      

Primeira Parte: A história de Basaglia

 

Franco Basaglia nasceu em Veneza em 11 de Março de 1924, em uma família abastada, sendo o segundo de três filhos. Viveu uma adolescência rica e tranqüila.

Depois de concluir o ensino médio em 1943, entrou para a faculdade de medicina e cirurgia na Universidade de Pádua. Enquanto estava na universidade, ele participou de um grupo de estudantes antifascistas. Após a traição de um deles, Basaglia foi detido e preso por seis meses, até o fim da guerra.

Esta experiência marcou-o profundamente e esta sensação é novamente evocada alguns anos após, quando ingressa em outra instituição fechada: o manicômio. Em 1949 ele se formou. Neste período, dedicou-se aos clássicos do existencialismo: Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Husserl e Heidegger. Em 1953, se especializa em doenças nervosas e mentais na clínica neuropsiquiátrica de Pádua. No mesmo ano ele se casa com Franca Ongaro que lhe dará dois filhos e é co-autora com o marido de algumas obras em psiquiatria, e ainda entra no Parlamento com a Esquerda Independente.

Ainda durante os anos de estudos universitários e especialização em neuropsiquiatria da Universidade de Pádua, Basaglia tentar integrar a definição rígida de matriz médica positivista, com uma nova abordagem filosófica de moldagem fenomenológico-existencial. Ele está à procura de novas ferramentas de validação funcional para a nova idéia psiquiátrica que está gradativamente amadurecendo nele, graças às leituras filosóficas.

Em 1958 Basaglia obtém a qualificação de livre docente em psiquiatria. Por suas idéias inovadoras e revolucionárias não é bem recebido no meio acadêmico, de modo que, em 1961, foi convidado a desistir de carreira da faculdade e se mudar para Gorizia para dirigir o hospital psiquiátrico na cidade. É um exílio profissional, devido principalmente às suas escolhas políticas e científicas.

O impacto com a realidade do manicômio é muito difícil. Teoricamente ele se aproxima das correntes psiquiátricas de inspiração fenomenológica e existencial (Karl Jaspers, Eugène Minkowski, Ludwig Binswanger), mas também de Michel Foucault e Erving Goffman quanto à sua crítica à instituição psiquiátrica. Em 1969, ele entrou em contato com Giorgio Antonucci, que trabalha no hospital dirigido por Basaglia.

Em Gorizia, após ter passado várias temporadas no exterior (incluindo uma visita feita à comunidade terapêutica de Maxwell Jones), inicia junto com Antonio Slavich em 1962 a primeira experiência anti-institucional para o cuidado dos doentes mentais.

Pessoalmente, ele tenta transferir o modelo das COMUNIDADES TERAPÊUTICAS, a fim de reabilitar o paciente dentro do hospital, iniciando assim, uma verdadeira revolução particular.

Com a ajuda de jovens psiquiatras são eliminados todos os tipos de contenção física, são eliminados os uniformes manicomiais, permite-se que os pacientes usem as suas próprias roupas, é chamado um cabeleireiro para arrumar o cabelo das mulheres, são concedidas pequenas liberdades de circulação no interior da instituição, proíbe-se o uso do toque de sino de morte para cada óbito, reivindica-se que o paciente não seja um número, todos tinham que ser chamados pelo seu nome, cai a separação forçada entre os pacientes homens e mulheres, a vida da comunidade hospitalar é enriquecida com festas e passeios, pede-se que a equipe cumprimente e converse com os pacientes e são introduzidas as assembléias de pacientes para que lhes seja restituída a sua voz.

Graças a essas mudanças o número de suicídios diminuiu e Basaglia compreendeu a importância de estudar o ambiente em que o paciente tinha vivido e tinha contraído o seu transtorno mental, abandonando em um primeiro momento o estudo do doente.

Solicitou as visitas dos familiares e contestou as técnicas dos instrumentos psiquiátricos, especialmente a técnica do choque.

Era o início de uma reflexão sócio-política sobre a transformação do hospital psiquiátrico e das experiências posteriores de renovação no tratamento da loucura, alternativas inclusive à experiência de Gorizia. Em 1968, ele publicou "A Instituição Negada". Relatório de um hospital psiquiátrico, onde ele conta ao público a experiência de Gorizia denunciando internacionalmente a realidade alienante. Este último revela-se uma obra de grande sucesso editorial e se torna um livro simbólico para a psiquiatria.

Naqueles anos Basaglia também aumenta a sua atividade científica e intelectual participando pessoalmente de vários congressos internacionais de neurologia e psiquiatria. Entre os mais importantes podemos citar o Congresso Internacional de Psicoterapia em Wiesbaden. Em 1962, o VII Congresso da Psicoterapia em Londres. Em 1964, no mesmo ano, no Congresso Internacional de Psiquiatria Social, em Londres, onde juntamente com a delegação italiana discute "A destruição do hospital psiquiátrico como um lugar de institucionalização" que explica a metodologia que é aplicada à realidade de Gorizia e, em seguida, em Trieste. Em 1965, colabora no "Journal of Existencialism" de Nova York. Em 1967, cuida do volume "O que é a psiquiatria".

Em 1969, junto com sua esposa publicou “Morire di classe”. No mesmo ano ele vive uma experiência de seis meses nos Estados Unidos como professor visitante no Centro de Saúde Mental Comunitária do Hospital Maimonides, no Brooklyn, em Nova York, que lhe dará inspiração para escrever "Carta de Nova York. O doente artificial.”

Uma vez de volta a Gorizia e com sentimentos conflitantes, em 1969 ele deixa a direção do hospital psiquiátrico em resposta à resistência oferecida pelo governo local para implementar um cuidado em saúde mental na comunidade.  Então vai dirigir o hospital psiquiátrico em Colorno a convite de Mario Tommasini, um acessor corajoso do Departamento de Saúde da Província de Parma. Apesar das garantias de um vereador e do seu total apoio às reformas basaglianas aqui também são encontrados obstáculos apresentados pela junta de esquerda de Parma que não pretende se expor para não criar conflitos políticos e econômicos dentro da realidade local. É daquele período "A Maioria Desviante" que fala sobre a ideologia do controle social total. De 1971 a 1972, ele foi nomeado para o ensino de saúde mental na Faculdade de Magistério da Universidade de Parma.

No verão de 1971 Basaglia vence o concurso para a direção do hospital psiquiátrico em Trieste, e aceita imediatamente porque lhe é dada a oportunidade de tomar todas as decisões que considere adequadas. Este é o ponto decisivo de virada.

 

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Trieste situa-se de frente para o golfo homônimo na parte nordeste do mar Adriático entre a península italiana e a península da Ístria, que fica a poucos quilômetros da fronteira com a Eslovênia.

O território da cidade é ocupado principalmente por uma encosta que se transforma em montanha alcançando as últimas regiões habitadas nas proximidades; está localizado no sopé de uma falésia imponente que parte do planalto do Carso de uma altitude de 458 metros acima do nível do mar, descendo bruscamente em direção ao mar. A cidade de Trieste é dividida em diferentes zonas climáticas em função da distância do mar ou da altitude local. 

A sociedade Triestina deu vida a uma comunidade multi-étnica igual a poucas na Europa, oferecendo hospitalidade a diversos cultos religiosos e a escritores como Italo Svevo, Reiner Maria Rilke, James Joyce.

Graças ao estado privilegiado de ser o único porto comercial de certa importância da Áustria, Trieste mantinha ao longo dos séculos os laços culturais e linguísticos com a Itália. Na verdade, embora a língua oficial da burocracia fosse o alemão, o italiano (ou melhor, um dos seus dialetos), era a língua mais falada pelos habitantes e era utilizada nas reuniões do conselho da cidade.

Mas, os Triestinos, eram sensíveis aos movimentos irredentistas, (este termo indica a aspiração de um povo para completar a sua própria unidade territorial nacional incorporando as terras sujeitas ao domínio estrangeiro – terras não resgatadas – sob a base das teorias da identidade étnica ou de uma posse anterior seja ela real ou historicamente presumida), que se disseminavam na Europa aderindo aos movimentos de Garibaldi e às guerras do Ressurgimento, e, no final da Primeira Guerra Mundial, a cidade se tornou italiana.

Infelizmente, a Segunda Guerra Mundial trouxe novas tragédias: a Itália perdeu a guerra, Trieste foi invadida pelas tropas Iugoslavas de Tito e milhares de italianos que se opunham ao regime foram mortos (os massacres em buracos - cavernas do Carso utilizadas como sepulturas em massa). Foi somente após a intervenção das forças aliadas anglo-americanas que o pesadelo da cidade de Trieste terminou.

Em 04 de novembro de 1954 a cidade se tornou a capital do Friuli Venezia Giulia com a transferência do poder administrativo dos aliados anglo-americanos para a administração italiana.

A recuperação após a guerra foi muito dura e difícil e foi somente nos últimos vinte anos que Trieste conseguiu tornar-se a capital da Ciência e da Investigação na Itália, passando a hospedar um dos maiores parques tecnológicos da Europa e gerando empregos para milhares de jovens.

*  *  *

No verão de 1971 no hospital psiquiátrico de Trieste havia 1.182 pessoas internadas, das quais, 840 encontravam-se aprisionadas sob regime fechado. A administração do hospital pertencia à Província presidida à época por Michele Zanetti que tinha o apoio da centro-esquerda, o qual apóia inteiramente a ideologia inovadora de Basaglia.

No ambiente triestino Basaglia reencontra o seu entusiasmo e cria dentro do hospital psiquiátrico oficinas de pintura e de teatro. Mas percebe imediatamente que tudo que havia sido feito até agora é visto de forma reducionista, pedindo então para formar a sua própria equipe e apresentando um redimensionamento drástico do hospital através da abertura e da reorganização dos serviços.

Se trata agora, de quebrar o isolamento do manicômio em relação à cidade, para trabalhar com uma projeção imediata para dentro do território da comunidade. As experiências anteriores de Gorizia e Parma fizeram Basaglia compreender que as Comunidades Terapêuticas já não eram mais suficientes, sendo necessário um projeto político bem preciso que não se restringisse a uma recuperação humanitária do asilo nem à simples transformação da sua dinâmica de funcionamento interno, mas que colocasse em discussão a própria manutenção da instituição local.  O projeto é ambicioso e parece quase inatingível, mas Trieste é uma região adequada para a realização do seu grande sonho ...o fechamento do manicômio.

Para que isso aconteça é preciso criar primeiro uma rede regional comunitária que seja capaz de acolher as diversas pessoas que receberão alta do manicômio, que possa atender as suas necessidades assistenciais e agilisar o processo de admissão. Em 1973, é dado mais um passo adiante e isso é feito através do reconhecimento legal da Cooperativa dos Trabalhadores Unidos, uma primeira experiência de organização do trabalho e que envolve concomitantemente os pacientes que tiveram alta do hospital psiquiátrico e os usuários sucessivos dos serviços de saúde mental.

Naquele mesmo ano, Trieste é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma "zona piloto" para a Itália na pesquisa sobre os serviços de saúde mental na Europa. Ainda em 1973 ele funda com a ajuda de outros colaboradores a "Psiquiatria Democrática", onde são comparadas as diversas experiências da psiquiatria alternativa italiana. A primeira conferência "A prática da Loucura", é realizada em Gorizia em 1974 e marca a ligação entre o movimento anti-institucional e as forças políticas e sindicais de esquerda.

 Em 1975 Basaglia escreve junto com a sua esposa “Crimes de Paz”. Este ano também marca a abertura dos primeiros centros de saúde mental na comunidade. Naquele mesmo ano acontecem eleições políticas que resultam em enfraquecimento da junta de centro-esquerda piorando o clima político em relação à experiência de superação do manicômio. A situação se agrava a ponto de levar à demissão do conselho de administração da centro-esquerda. Mas os tempos já eram maduros e Basaglia juntamente com Zanetti anunciam em 1977 o fechamento definitivo do manicômio.

 

Em 13 de Maio 1978, o Parlamento italiano aprova a Lei 180 da reforma psiquiátrica, que se inspira nas experiências de superação do hospital psiquiátrico desenvolvidas na Itália a partir dos anos sessenta. Aprovada quase por unanimidade, a lei 180, também chamada Lei Basaglia, irá enfrentar grandes dificuldades para a sua implementação.

Em 1979, enfrenta duas viagens importantes para o Brasil, de São Paulo para Belo Horizonte, passando pelo Rio de Janeiro. Em frente de uma platéia composta não só por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiras, mas também por políticos, sindicalistas, professores, estudantes, pessoas comuns, realizou uma série de palestras que são publicadas com o título “Conferências Brasileiras”.

Em novembro do mesmo ano, ele passou a direção de Trieste para Franco Rotelli que mais tarde seria nomeado como chefe da Secretaria de Saúde Triestina, e se muda para Roma, onde foi nomeado coordenador dos serviços psiquiátricos da Região do Lácio.

Na primavera de 1980, apareceram os primeiros sintomas de um tumor no cérebro, que em poucos meses o levaria até a morte em 29 de agosto de 1980 em sua casa em Veneza. Passados 30 anos, embora tenha sido muitas vezes objeto de discussão e de tentativas de revisão, a lei 180 ainda está em vigor e normatiza a assistência psiquiátrica na Itália.

A Psiquiatria, que não conseguiu entender os sintomas da doença mental, deve deixar de desempenhar um papel no processo de exclusão do "doente mental, promovido por um sistema ideológico que acredita ter o poder de negar e anular as suas próprias contradições ao afastando-o de si mesmo e marginalizando-o. 

http://www.youtube.com/watch?v=_Zox0vp0K9s (in English)

 

 

 

A partir desta história de vida começou a batalha que levou Trieste a declarar-se “Cidade Livre de Contenção” em Dezembro de 2013.

https://triesteliberadacontenzione.wordpress.com/2013/11/27/67/

 

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Links Externos Relacionados

 

01-O PENSAMENTO DE FRANCO BASAGLIA E A ESTRUTURAÇÃO DA DESINSTITUCIONALIZAÇÃO NA PSICHIATRIA DEMOCRATICA ITALIANA VISTOS POR UM BRASILEIRO

http://www.pucminas.br/documentos/rinaldo_conde.pdf

 

02- Reforma Psiquiátrica e Epistemologia

http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/download/998/1107

 

03- Os 30 anos da “Lei Basaglia”: aniversário de uma luta

http://www.mnemosine.com.br/ojs/index.php/mnemosine/article/viewFile/131/pdf_118

 

04- Uma aventura no manicômio: a trajetória de Franco Basaglia

http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v1n1/a06v01n1.pdf

 

05- PROBLEMATIZANDO A REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA: A GENEALOGIA DA REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL

http://www.scielo.br/pdf/pe/v15n1/a04v15n1.pdf

 

06-REFORMA PSIQUIÁTRICA À BRASILEIRA: análise sob a perspectiva da desinstitucionalização

http://tede.pucrs.br/tde_arquivos/21/TDE-2008-03-10T075453Z-1049/Publico/398635.pdf

 

07- A NOVA CLÍNICA PSIQUIÁTRICA E A REFORMA DA ASSISTÊNCIA

http://ebp.org.br/wp-content/uploads/2012/08/Francisco_Goyata_A_nova_clinica_psiquiatrica_e_a_reforma_da_assistencia1.pdf

 

08- Reforma Psiquiátrica: Panorama Sócio-histórico, Político e Assistencial.

http://www.redepsi.com.br/2010/11/21/reforma-psiqui-trica-panorama-s-cio-hist-rico-pol-tico-e-assistencial/

 

09-A Reforma Psiquiátrica Brasileira e a Luta Antimanicomial

http://www.sermelhor.com.br/especial/luta_antimanicomial.html

 

10-Fondazione Franca e Franco Basaglia

http://www.fondazionebasaglia.it/index.php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=6

 

11- Trieste libera dalla contenzione

https://triesteliberadacontenzione.wordpress.com/

 

12- LA CONTENZIONE: PROBLEMI BIOETICI

https://triesteliberadacontenzione.files.wordpress.com/2015/06/la-contenzione-problemi-bioetici.pdf

 

13-Brasile 2014 : Una Triplice Alleanza

https://triesteliberadacontenzione.wordpress.com/2014/11/27/brasile-2014-una-triplice-alleanza/

 

14- Contaminazioni Transcontinentali

https://triesteliberadacontenzione.wordpress.com/2015/04/13/contaminazioni-transcontinentali/

 

 

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Post  5543-030715

 

 

Os cuidados de longo prazo de qualidade à pessoa idosa dependente são considerados um direito social e devem ser compartilhados entre o Estado, o setor privado e a sociedade.

Esta é uma das principais mensagens trazidas por uma publicação de 2014 promovida pelas Nações Unidas e assinada pelas pesquisadoras argentinas Silvia Gascón e Nélida Redondo, na qual são abordados dentre outros aspectos mais gerais, algumas questões referentes ao uso dos meios de contenção sejam eles de ordem física farmacológica ou ambiental. 

Trata-se de um documento importante, porque traz para o contexto atual da América Latina uma discussão que há vários anos tem sido objeto de estudos e de desenvolvimento de políticas de bem estar social nos países em situação de maior desenvolvimento social e econômico.

Ao se falar em “Qualidade” é preciso considerar questões referentes à qualidade dos serviços no que se refere aos aspectos de gestão e organização, à qualidade da assistência que está diretamente relacionada à prestação propriamente dita dos serviços e aos resultados obtidos e à percepção de “qualidade” por parte dos usuários, que em última análise se vincula à percepção subjetiva de qualidade de vida.

Um dos aspectos abordados pelas autoras se refere ao seguinte: quais são os indicadores que devem ser utilizados para se mensurar esta “qualidade”?

Outra questão relevante tratada neste texto coloca em discussão a tendência conservadora e “romântica” de se priorizar a chamada “visão familiarista do cuidado”. Embora seja um consenso de que a melhor opção para a pessoa dependente sempre será a do cuidado prestado no seio da comunidade e no seio familiar, a complexidade deste cuidado e a conformação familiar concreta da pós-modernidade, implicam na necessidade premente de existência de uma rede diversificada e bem coordenada de serviços, muitas vezes altamente especializados, que prestem o suporte mais adequado a cada realidade particular.

Alguns pressupostos básicos para estas reflexões são os seguintes: o cuidado de longo prazo é um direito da pessoa idosa; o cuidado de longo prazo deve estar vinculado a uma política pública; a qualidade deste cuidado deve estar fundamentada no conhecimento técnico-científico baseado nas evidências da atualidade e na mensuração dos resultados obtidos; este cuidado deve respeitar os direitos, os desejos, o protagonismo e as singularidades da pessoa idosa.

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5543-030715

Calidad de los servicios de largo plazo para personas adultas mayores con dependência.

Silvia Gascón; Nélida Redondo. Naciones Unidas, agosto de 2014

http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/36948/S1420237_es.pdf?sequence=1

 

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Copiamos a seguir alguns trechos do texto original.

 

“....Desde la declaración de los Principios de las Naciones Unidas en favor de las Personas de Edad del año 1991, y en vigor a partir de la declaración política del Plan de Acción Internacional de Madrid sobre Envejecimiento del año 2002, el tratamiento de los derechos de las personas mayores en políticas y programas ha sufrido un cambio paradigmático (Huenchuan y Morlachetti, 2007; Flores-Castillo, 2013). En la actualidad, el denominado enfoque de derechos, tal como fue acreditado por la Organización de las Naciones Unidas en la declaración política del Plan de Acción Internacional sobre el Envejecimiento de Madrid, 2002, proporciona una perspectiva conceptual y metodológica para la innovación de las políticas públicas dirigidas a las personas mayores....”

“...En un reciente documento de la Organización Panamericana de la Salud (OPS) sobre políticas para la región, se enfatizó la necesidad de encarar programas específicamente dirigidos a la atención de las enfermedades crónicas no transmisibles en los países de América Latina (OPS, 2012). Por su parte, la Declaración de Brasilia, surgida de la Segunda Conferencia Regional Intergubernamental sobre Envejecimiento en América Latina y el Caribe: hacia una sociedad para todas las edades y de protección social basada en derechos, propone “la realización de intervenciones en la prevención y atención para mejorar el acceso a los servicios de tratamiento, cuidado, rehabilitación y apoyo a las personas de edad con discapacidad” (CEPAL, 2011, pág.7). Asimismo, estudios recientes advierten que la emergencia de nuevos escenarios demográficos y epidemiológicos genera tensiones y conflictos en el orden tradicional de los sistemas “familistas” de protección social de los países de la región (CEPAL, 2013; Espejo, Filgueira y Rico, 2010; Sunkel, 2006; Esping-Andersen, 2002). Por una parte, los gastos erogables y no erogables causados por la atención a la dependencia durante períodos prolongados de tiempo resultan catastróficos para muchas familias; de otro punto de vista, la falta de recursos materiales de las familias constituye una amenaza para la calidad de vida de las personas con dependencia y es un factor determinante de omisión de cuidados y atención adecuados, agudizando las desigualdades sociales ya existentes en la región...”

“...En este contexto resulta necesario estudiar alternativas aptas que permitan ampliar solidariamente las bases de sustento para el apoyo a las personas con dependencia, trasladando al Estado, a la sociedad y al mercado parte de la carga que en la actualidad recae exclusivamente sobre las familias latinoamericanas...”

“...A partir de la Segunda Asamblea Mundial sobre el Envejecimiento del año 2002 se transmite a los Estados suscriptores la necesidad de ampliar la oferta de servicios continuos, tanto de base comunitaria (incluido el domicilio) como institucionales, entre los que las personas mayores con discapacidad o dependencia puedan elegir según sus preferencias, estilos de vida y necesidades de atención. Los objetivos de estos programas deben, en todos los casos, mantener una capacidad funcional máxima durante toda la vida y promover su participación plena en la sociedad....”

“...l Plan Internacional de Acción destaca, expresamente, la necesidad de establecer normas y mecanismos para garantizar la calidad de la asistencia formal. Las conclusiones de una investigación llevada a cabo por la OCDE en diecinueve países que llevaron a cabo reformas importantes en sus sistemas de atención para la dependencia señalan que la calidad de los servicios de largo plazo varía ampliamente entre países y al interior de cada país (OCDE, 2005). Por este motivo, no siempre la calidad de los servicios ofrecidos satisface las expectativas del público, los usuarios y sus familias. Son múltiples los ejemplos, pero las mayores quejas se concentran en la falta de adecuación de las viviendas, la pérdida de las relaciones sociales y la falta de privacidad en las instituciones de larga estadía. Otras deficiencias observadas con frecuencia son el inadecuado tratamiento del dolor crónico y la depresión, de las escaras, o el uso no apropiado de restricciones físicas y químicas ...”

“...Los servicios de largo plazo para las personas mayores con dependencia que se diseñan tomando en consideración el enfoque de derechos están centrados en las personas. Los servicios centrados en los usuarios implican un cambio de paradigma desde los servicios organizados por profesionales o prestadores a otros que reconocen e incorporan las perspectivas individuales de los pacientes y se dirigen a facilitar el pleno ejercicio de sus derechos...”

 

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As propostas para o desenvolvimento de Modelos de Cuidados de Longo Prazo têm algumas semelhanças organizacionais e logísticas com as propostas referentes aos Modelos para as “Condições Crônicas”.

Entretanto a ótica dos cuidados de longo prazo não se fundamenta a partir dos diagnósticos clínicos de determinadas condições crônicas de maior prevalência, fazendo o seu recorte de elegibilidade em função da funcionalidade e do nível de “dependência” dos indivíduos. Parte, portanto, da condição de “não autosuficiência” do indivíduo, colocando este subgrupo no ápice de uma pirâmide que considera a complexidade das intervenções dentro de um sistema de atenção que seja necessàriamente de caráter sócio-sanitário. Internacionalmente mais de 80% desta modalidade assistencial é utilizadaelas pessoas mais idosas da população.

Dentro desta lógica, o grupo populacional que está situado ao ápice desta pirâmide necessita uma abordagem profissionalizada, multimodal e altamente coordenada, sendo relacionado desta forma a um processo de  “Gestão de Alta Complexidade”.

 

Fonte da imagem:

NHS, Greater Glasgow and Clyde, UK.

Strategic Framework for the Management of Long Term Conditions Delivering Change to 2015 (03)

http://www.nhsggc.org.uk/media/231478/nhsggc_ltc_strategic_framework.pdf

 

 

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Através da colocação deste tema em discussão,

estaremos deixando para os visitantes do nosso site uma questão bem reflexiva no ar:

 

o desinteresse do Estado Brasileiro pelas questões que se relacionam

à implementação de uma política consistente de cuidados de longo prazo

para as pessoas idosas que se encontram em situação de dependência

pode ser considerado uma “violência institucional”?

 

 

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Links Externos Relacionados

 

 

01-The Human Rights of Older People in Healthcare

http://www.publications.parliament.uk/pa/jt200607/jtselect/jtrights/156/156i.pdf

 

02-Long-Term Care for the elderly Provisions and providers in 33 European countries

http://ec.europa.eu/justice/gender-equality/files/elderly_care_en.pdf

 

03-Strategic Framework for the Management of Long Term Conditions Delivering Change to 2015

http://www.nhsggc.org.uk/media/231478/nhsggc_ltc_strategic_framework.pdf

 

04- Marco Europeo de Calidad de los servicios de atención a largo plazo. Principios y directrices para el bienestar y la dignidad de las personas mayores que necesitan atención y asistencia

http://wedo.tttp.eu/system/files/DOCUMENT%20WEDO%2014.1.13_ES.pdf

 

05- Delivering better services for people with long-term conditions Building the house of care

http://www.kingsfund.org.uk/sites/files/kf/field/field_publication_file/delivering-better-services-for-people-with-long-term-conditions.pdf

 

06- MODELS OF CARE FOR ELDERLY PEOPLE WITH COMPLEX CARE NEEDS ARISING FROM ALCOHOL RELATED DEMENTIA AND BRAIN INJURY

http://esvc000622.wic052u.server-web.com/files/Wntr.MoC.1.7.pdf

 

07-Co-ordinated care for people with complex chronic conditions.

http://www.wedo-partnership.eu/sites/wedo.tttp.eu/files/co-ordinated-care-for-people-with-complex-chronic-conditions-kingsfund-oct13.pdf

 

08-“The Marginalization of Long-Term Care in Canadian Federal Policy Making”

http://www.queensu.ca/sps/qpr/issues/vol3issue3/twomey.pdf

 

09-Facts and Figures on Healthy Ageing and Long-term Care. Europe and North America http://www.euro.centre.org/data/LTC_Final.pdf

 

10-Providing integrated care for older people with complex needs Lessons from seven international case studies

http://www.kingsfund.org.uk/sites/files/kf/field/field_publication_file/providing-integrated-care-for-older-people-with-complex-needs-kingsfund-jan14.pdf

 

11-QUALITY ASSURANCE POLICIES AND INDICATORS FOR LONG-TERM CARE IN THE EUROPEAN UNION COUNTRY REPORT: ITALY

http://www.ancien-longtermcare.eu/sites/default/files/RRNo102%20_ANCIEN_byCasanovaQualityAssurancePoliciesItaly.pdf

 

12-LA PRESA IN CARICO DEGLI ANZIANI NON AUTOSUFFICIENTI

http://www.infanzia-adolescenza.marche.it/Portals/0/2-Attivit%C3%A0/integrazione_socio-sanitaria/Quaderno_Monitor_10%20non%20autosufficienza.pdf

 

13-Criteri di appropriatezza clinica, tecnologica e strutturale nell’assistenza all’anziano.

http://www.quadernidellasalute.it/download/download/6-novembre-dicembre-2010-quaderno.pdf

 

14-CONSULTA DE OPINIÓN SOBRE LAS POLÍTICAS DE CUIDADO DE PERSONAS DEPENDIENTES EN AMÉRICA LATINA: Niñas y niños, personas ancianas, personas con discapacidad y personas con enfermedades crónicas Diagnóstico, políticas a implementar y perspectivas según líderes de América Latina

http://www.cepal.org/oig/noticias/noticias/1/47401/OIG_Cosulta_de_opinion_final.pdf

 

 

15-Los servicios integrales para las personas mayores dependientes UN desafío para el sistema sociosanitario argentino

http://www.vocesenelfenix.com/sites/default/files/pdf/12.pdf

 

16-La construcción del sistema de cuidados en el Uruguay En busca de consensos para una protección social más igualitaria

http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/36721/S2014269_es.pdf?sequence=1

 

17-Programas y Servicios para el Cuidado de las Personas Adultas Mayores dependientes. Primera parte: Revisión conceptual para la caracterización de los sistemas de protección

http://www.bps.gub.uy/innovaportal/file/1478/1/programa_y_servicios_para_el_cuidado_de_las_personas_mayores._l._pugliese.pdf

 

18-Costo de un sistema de atención de adultos mayores dependientes en Chile, 2012–2020

http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v36n1/05.pdf

 

19-Cuidados de longa duração para a população idosa : um novo risco social a ser assumido? http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livro_cuidados.pdf 

 

20-Experiências e tendências internacionais de modelos de cuidado para com o idoso

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012000100025

 

21-Políticas públicas para pessoas idosas no Brasil: uma revisão integrativa

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&pid=S1413-81232013002000011

 

22-A construção das políticas públicas nos espaços democráticos de participação cidadã: a violência contra pessoas idosas na agenda do movimento social

http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n6/a03v15n6.pdf

 

 

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5963-030615 

A geração que irá cuidar do grande contingente de pessoas idosas em situação de fragilidade ou dependência prevista para os próximos anos no Brasil e na America Latina, já nasceu, já está em processo de formação profissional ou já está inserida no mercado de trabalho

Ao discutir a necessidade de busca de um conceito definitivo ou minimamente consensual para a “Síndrome de Fragilidade no Idoso” o professor canadense Howard Bergman, um líder na área de pesquisas internacionais sobre a fragilidade e presidente da Sociedade Canadense de Geriatria, citou a frase emblemática de um colega: “… Fragilidade é como pornografia: os clínicos não conseguem defini-la, mas a reconhecem assim que a vêem!…”

Pessoas idosas que apresentam transtornos demenciais esbarram frequentemente em barreiras relacionadas à falta de oportunidades. Ambientes pobres em estímulo dificultam a expressão e o desenvolvimento das capacidades e habilidades residuais, propiciando dessa forma, a instalação progressiva de incapacidades acessórias. Ampliar  as oportunidades para o convívio social e o desenvolvimento pessoal, é uma das propostas centrais da organização Israelense “Melabev”.

Dos conceitos sobre a velhice através do tempo e das culturas à construção de conceitos sobre o que sejam a saúde e a doença na velhice, passamos por certezas temporárias e verdades relativas. Trazemos esse tema ao debate neste post, abrindo a matéria com um texto de Elizabeth Uchôa: “Contribuições da antropologia para uma abordagem das questões relativas à saúde do idoso”.

 

Capacidad para tomar decisiones durante la evolución de una demencia: reflexiones, derechos y propuestas de evaluación.

 
Quais os elementos necessários ao ser humano para que possa tomar uma decisão adequada em sua vida, seja ela banal e cotidiana ou de alta relevância para o direcionamento do seu próprio destino?
Como caracterizar possíveis limites para que um indivíduo com transtorno cognitivo possa de fato exercer a sua autonomia?
Quem e sob quais circunstâncias pode questionar a capacidade de tomar decisão de outrem sem perpassar seus direitos e sua dignidade?
Essas e outras questões são apresentadas nesta obra sob uma ótica que leva em consideração tanto aspectos éticos e legais de ordem mais teórica quanto os elementos advindos da prática assistencial em mundo real.
Esta é a segunda versão do “Documento Sitges” desenvolvida interdisciplinarmente com a colaboração de profissionais de diversas áreas, pacientes e familiares.
A publicação foi apresentada em Novembro de 2008 durante a XL Reunião Anual da Sociedade Espanhola de Neurologia.
Um comentário divulgado sobre esta obra refere que um dos propósitos estabelecidos pelos autores no desenvolvimento do projeto foi o da defesa de “uma medicina baseada em valores”.
 
 
 
 
 
 
Leia a entrevista com a Neurologista Mercè Boada, de Barcelona, uma das idealizadoras deste livro

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.familialzheimer.org/media/libros/documento_sitges_2009/documento_sitges_2009.pdf

 

 

 

 

Links externos relacionados:
01- La neuróloga Mercé Boada presenta en Toledo el Documento Sitges para regular la incapacitación por demencia
02- Doctora Mercè Boada Rovira
03- DOCUMENTO SITGES 2009
04- Fundación AlzheimUr [Región de Murcia]
05- Presentación del libro: “Documento Sitges 2009
06- Pepa Poch, artist and colour creator
07- La pintura colorista i emotiva de Pepa Poch al Museu Diocesà
 
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